Cúpula das Forças Armadas vê perdão como incentivo à quebra de disciplina
César Feitoza
Brasília
A cúpula das Forças Armadas decidiu se manter distante das discussões sobre a proposta no Congresso por anistia aos acusados pelos ataques do 8 de Janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
O perdão aos envolvidos pode servir como estímulo à quebra da disciplina e um prêmio aos militares que atacaram os chefes militares, segundo a avaliação de sete oficiais-generais e dois integrantes do Ministério da Defesa ouvidos pela Folha.
A ordem nas Forças é esperar pelos desdobramentos no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Congresso Nacional para, só depois, avançar com as medidas internas cabíveis contra os militares condenados.
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, em conversa com o presidente Lula, o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso – Pedro Ladeira – 22.ago.24/Folhapress
A avaliação na caserna é que um julgamento com direito ao contraditório e à ampla defesa deverá resultar na condenação de alguns oficiais e na absolvição de outros.
A principal preocupação está com o resultado do processo contra militares acusados de participar de reuniões com o tenente-coronel Mauro Cid em que, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), teriam sido discutidas ações para pressionar os chefes do Exército contrários ao golpe de Estado.
Quatro acusados eram auxiliares de generais do Alto Comando e possuíam boa relação com os chefes. Acredita-se, no Exército, que eles possam ser absolvidos no fim do processo.
Uma anistia ampla e irrestrita, porém, poderia privilegiar o general da reserva Mario Fernandes, acusado de planejar o assassinato de autoridades. O militar enviou mensagens de cunho golpista para o ex-chefe do Exército Freire Gomes no fim de 2022 —uma punição contra Mario só foi evitada pelo receio do comandante sobre a reação que Jair Bolsonaro (PL) poderia ter.
O perdão se estenderia também ao ex-ministro e general da reserva Walter Braga Netto, que orientou ataques contra os comandantes militares; ao tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, suspeito de monitorar o ministro Alexandre de Moraes em ação militar clandestina; e ao coronel José Placídio dos Santos, condenado por incitar a insubordinação do Exército.
A posição discreta e contrária à anistia não afasta a percepção entre oficiais-generais de que as penas impostas pelo Supremo contra os envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro são excessivamente altas.
Como a Folha mostrou, a cúpula do Congresso negocia com o STF a apresentação de uma proposta para alterar a Lei de Defesa do Estado democrático de Direito e reduzir as penas das pessoas que participaram da quebradeira na praça dos Três Poderes.
Os comandantes Tomás Paiva (Exército) e Marcos Olsen (Marinha) se encontraram com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), nos primeiros meses deste ano.
Os encontros foram considerados visitas de cortesia dos presidentes do Congresso aos chefes militares após tomarem posse nos cargos máximos do Senado e da Câmara.
A conversa do general Tomás com Hugo Motta no QG do Exército foi formal e sem pauta específica. O chefe do Exército ressaltou que havia no Congresso projetos de interesse da Força, em especial uma PEC no Senado sobre previsibilidade orçamentária.
A falta de recursos também foi assunto no encontro do almirante Olsen com Davi Alcolumbre. O senador amapaense visitou a Marinha após a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhecer a ampliação do território marítimo brasileiro na Margem Equatorial.
Próxima ao Amapá, a região é rica em Petróleo. A decisão da ONU permite que o Brasil tenha soberania na exploração de recursos naturais na região.
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, diz que as Forças ficaram constrangidas com o avanço das investigações. Para ele, o mal-estar cresceu à medida em que foram divulgadas novas informações sobre militares envolvidos em conspirações golpistas.
“O que a Justiça decidir, o que o Legislativo decidir, nós respeitamos. Evidentemente, o militar lamenta muito quando vê um colega indiciado. O primeiro sentimento é de constrangimento, e o segundo é de indignação, porque eles comprometeram a imagem de uma instituição que eles sabem que tem que ser preservada”, disse Mucio durante almoço promovido pelo grupo Lide na segunda-feira (5).
A PGR denunciou 24 militares por participação na trama golpista —sete são oficiais-generais do Exército e da Marinha.
Estão entre os denunciados os ex-comandantes da Marinha, Almir Garnier, e do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, além de generais quatro estrelas do topo do Exército, como Augusto Heleno, Braga Netto e Estevam Theophilo.
Apesar do envolvimento de militares de altas patentes, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o Exército foi “vítima” da trama golpista.
“É de ser observado que o próprio Exército foi vítima da conspirata. A sua participação no golpe foi objeto de constante procura e provocação por parte dos denunciados. Os oficiais generais que resistiram às instâncias dos sediciosos sofreram sistemática e insidiosa campanha pública de ataques pessoais, que foram dirigidos até mesmo a familiares”, diz Gonet na denúncia.
Militares de diversas patentes também foram acusados pela Procuradoria por participar do ataque às sedes dos Poderes em 8 de janeiro de 2023. Um deles foi o suboficial da reserva Marco Antônio Braga Caldas, da Marinha, condenado a 14 anos de prisão.
FOLHA – Edição: Montedo.com
Respostas de 16
Pois é meus Generais! Hora do Pato com Alexandre de Morais. Só o previsto que vocês fazem com as praças: Explica mas não justifica! 20 anos de cadeia! Kidsmaia, Kidspreso kkkkk
Acho que os praças e pensionista deveria começar a abrir os olhos das autoridades para averiguar a situação dos praças e pensionista se essa reforma das forças armadas não teve o mesmo interesse do que fizeram com os pensionista do INSS.cadê o deputado Vinícius e sua meritrocacia.nunca vi uma força armada depender de um deputado pastor da universal para fazer a reformulação.por isso que perseguição com praças com tanto desprezo
Bando de bunda moles encabeçados que só pensam nos próprios umbigos, mas gostam de um carguinho. Todos sanguessugas da nação.
Não vemos nenhuma atitude dos Forças Especiais quanto a essa humilhação que está passando as Forças Armadas.
Cadê os homens de gorro preto ?
medo
Todo mundo calado assistindo os desmandos do capitão aloprado, permitindo acampamentos em frente a quartéis etc…. A casa caiu, alguns foram pegos, mas todos que tem poder de mando teve participação solidária.
Os praças e os pensionistas tão cagando pra esses Generais covardes que só pensa em suas necessidades. Bolsonaro matou e lula enterrou os pracinhas e pensionistas.
quero mais que estes oficiais se lasquem…
aPENAS VEGONHA!
Ainda bem que não temos guerra.
E nossas ações são apenas adestramento da tropa.
Generais aqui se faz aqui se paga. Tem gente escondido ainda…
Mas a hora de todos chegará no momento certo. Aqui se faz aqui se paga.
Lendo certos comentários aqui, imagino que, após a prisão desses militares do 8 de janeiro e do Bozo, as Forças Armadas terão um substancial aumento nos soldos. No mínimo uns 150%
Bando de mula – Não percebem que depois dessa punição, se houver claro, as FAs sairão mais desacreditadas do que já está?
O papai Lule já cansou de falar aos 4 cantos que não gosta das FAs, que dá uma “merreca de cala a boca”.
O ódio da esquerda é sem limites.
Quanto ao Zé Dirceu, ele que vá para o inferno de tanto mal que nos causou!
quem aumentou meu intersticio nao foi o xANDAO. hoje e seria primeirao ja!!!
apóio a sensatez deles, o perdão da anistia é a melhor saída para todos.
O que é para publicar nesse pior blog do planeta tu não publica. Puxa saco.
é senhores, “o gópi” falhou. Resta para alguns incorrer em lamentações e choro. Nas passeatas na Paulista, só gastaram a sola do sapato. Vida que segue.