Profissionais civis reclamam de desproporção entre responsabilidades e salário; FAB fala em sistema de remuneração próprio para os controladores militares
André Borges
Brasília – O estresse que marca a rotina dos controladores de voo, profissão considerada uma das mais desgastantes, costuma ser associado a temas como a responsabilidade sobre a vida de milhares de pessoas e a exigência de vigilância constante, sem espaço para erros. Mas no Brasil parte desses profissionais precisa se desdobrar em outros empregos para garantir renda suficiente.
Glauber Barbosa, 42, atua como controlador de voo há nove anos, no aeroporto de Ilhéus (BA). Em seu turno de nove horas por dia, monitora entre 40 e 50 voos, incluindo pouso, decolagem e cruzamento de espaço aéreo. Para cada três dias trabalhados, há três folgas. Uma escala que varia conforme o aeroporto e o número de profissionais.
O salário bruto de Barbosa é de R$ 5.200. Com os descontos, cai para cerca de R$ 4.200. Casado, ele diz que tem um filho pequeno para criar. E a conta não fecha.
“Nos dias em que não estou no controle de voo, pego o carro e saio para fazer Uber, entregas, o que for possível para ter uma renda paralela”, disse Barbosa à Folha.
“A aviação é apaixonante, gosto do meu trabalho, mas confesso que está difícil. Vivemos uma situação absolutamente desproporcional em relação à responsabilidade que temos e o que recebemos para isso.”
O caso dele não é isolado. O SNTPV (Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo) fez um levantamento e concluiu que, entre os 530 controladores civis atuantes no país, 40% já recorreram ou recorrem a outra atividade para se sustentar.
“Tem colegas que fazem marmitas, que dão aulas particulares, tem de tudo”, afirma Isabela Pinho, que atua no monitoramento por radares no aeroporto de Macaé (RJ), além de ser diretora do SNTPV.
Com 34 anos de idade e 14 de profissão, Isabela diz que ganha R$ 5.000 por mês. Ela afirma que se afastou do trabalho técnico por uma questão de saúde mental e passou a cuidar da área administrativa.
“A verdade é que as pessoas têm uma visão distorcida da nossa realidade. Não conseguimos sequer usufruir daquilo que nós mesmos monitoramos, que é voar e viajar.”
O controle do espaço aéreo é gerenciado pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), um órgão vinculado à FAB (Força Aérea Brasileira). Apesar do controle militar, nem todos os agentes do setor saem das fileiras das Forças Armadas.
Dos 4.263 controladores de voo em atuação no país, ao menos 530, o equivalente a 12% do total, são servidores públicos ligados à Nav Brasil, uma estatal criada em junho de 2021, a partir de um desmembramento da Infraero. Os dados são da própria estatal.
Se do lado militar a FAB tem procurado renovar o quadro de controladores, com um sistema de remuneração próprio, do lado civil a situação tem se complicado ano após ano.
“Há mais de uma década não há concurso para renovação do quadro civil. Em média, as pessoas ficam entre 5 e 10 anos na função, mas depois saem, porque não há motivação. O salário, no máximo, chega a cerca de R$ 9.000”, diz Lucas Borba Inácio, que atua na área de controle de voo do aeroporto de Santos Dumont (RJ) e é vice-presidente do SNTPV.
A falta de controladores de voo é um problema mundial. Segundo o sindicato, atualmente a defasagem reconhecida pelos Estados Unidos, por exemplo, é de 3.000 profissionais naquele país. No Brasil, embora não sejam divulgados números precisos sobre o tema, estima-se que o volume atual de profissionais está 25% abaixo do mínimo necessário para os aeroportos que demandam esse tipo de atuação.
“No aeroporto de Guarulhos, por exemplo, há 41 controladores de voo, mas a necessidade exigida para o mínimo operacional é de 65. No Santos Dumont, há 22 controladores, quando deveria ter, no mínimo, 28”, afirma Inácio.
Ao ser perguntada sobre o tema, a FAB declarou que “a carreira militar possui características próprias” e que o Decea já fez “tentativas de promover novos concursos e de reestruturação de cargos, a fim de corrigir as distorções existentes, incluindo a melhoria da estrutura remuneratória do controlador”.
A respeito da remuneração, a FAB disse que os controladores de tráfego aéreo civis e militares costumam receber salários a partir de R$ 6.200 e R$ 6.375, respectivamente. Há uma grande discrepância, porém, quanto aos tipos de benefícios e descontos associados a esses vencimentos.
A estatal Nav Brasil confirmou a dificuldade de renovação de seu quadro de servidores. O último concurso público no setor ocorreu em 2011, com a última contratação deste processo realizada em 2018. São sete anos, portanto, sem que nenhum novo servidor civil.
“A Nav Brasil está em tratativas finais para a implementação de um Plano de Cargos e Salários (PCS) próprio, um documento fundamental para a solicitação de autorização do governo federal para a investidura de profissionais de carreira mediante concurso público”, disse a estatal.
O passo seguinte, segundo a Nav Brasil, será a realização de concurso público para a ampliação dos quadros de carreira, previsto para 2026. Paralelamente, a estatal declarou que está conduzindo um “processo seletivo simplificado para a contratação temporária de profissionais”, incluindo controladores de tráfego aéreo já capacitados.
A estatal afirmou que, em abril de 2025, a média paga aos seus controladores foi de R$ 10.977 e que o novo plano, quando aprovado, trará aumentos imediatos de até 20%. Sobre os trabalhos extras, afirmou que “não tem qualquer ingerência sobre as atividades que os empregados civis realizam em seus horários de descanso”, mas que estes devem “aproveitar ao máximo os períodos de folga/repouso para obter um sono adequado”.
A Nav Brasil é responsável pelo controle realizado em 43 aeroportos do país, incluindo alguns dos mais movimentados, como o de Guarulhos e Campinas, em São Paulo, e Santos Dumont e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
FOLHA – Edição: Montedo.com
Respostas de 22
Bicos não são exclusividade dos controladores de vôo não. Bicos já fazem partes de todos os militares das forças armadas.
Tem até Subtenente fazendo bico de uber, a inflação corroeu o salário
Enquanto isso:
Os Subtenente, Sargentos, Cabos, Taifeiros e Soldados, estão literalmente na M.
Para piorar, foi concedido uma miséria de 4,5% nos soldos que estavam a 6 anos sem reajuste.
*HISTORICO DAS PERDAS DOS MILITARES DAS FFAA (INPC)*
A inflação entre reajuste de 01/03/2012 e o reajuste de 01/09/2016 foi de 39,44%. Abatendo o reajuste médio de 25% (2016) em 04 (quatro) suaves parcelinhas que terminaram em 2019, perdemos *14,44%.*
*Perdas causadas de 01/09/2016 à 28/02/2025 são 50,345%*
*===> Soma das perdas: 14,44% + 50,34% = 64,78%*
*Fonte*:
https://www.debit.com.br/tabelas/indicadores-economicos.php
todo ano é a mesma historia: salarios baixos, carga horaria pesada, quase nenhum beneficio, nenhum poder de mobilização (aqueles que “ousaram” foram excluidos da Força Aerea). Emfim amigos, o mesmo problema com a Marinha e o Exercito. Constroem submarinos ultra modernos, avioes fantasticos, Armamento ultima geraçao e, pasmem, pagam a todos salarios sem vergonhas. Ai vem a comparaçao com ascentsoristas da Camara, Assessorres parlamentares, motorista do Judiciario etc etc. Isso porque nao comparam com profissoes mais tecnicas, se isso ocorrer, ai ficamos a anos luz da realidade. Adeus Forças Armadas
Eu mesmo faço bicos de eletricista e de motorista por aplicativos.
Tenho vários amigos que também fazem bicos, de garçons, UBER, segurança, tem até um TTC que faz de garcon em bares noturnos. Praça da ativa e reserva tem que se virar, enquanto a valorização da carreira não chega. Infelizmente essa é a realidade.
reportagem mentirosa. Choradeira infundada. S Ten BCT recebe liquido R$ 12600( na minha cidade mais Aux alimentação que chega ate 1500) ou seja perto de R$ 15000. Se estivessem no EB, montando latrina, eu daria razao.
Mentiroso. Mostra o contrachoque mentiroso!
Aparece cada um por aqui.
Nao defende os colegas e ainda fica babando o sistema.
Os salarios estao muito defadados e necessitam recomposisao.
De major ate general pode ficar congelado, eles estao muito bem.
Por outro lado, os militates sem altos estudos estao sem sofrendo com a inflacao e elevado custo dos alimentos e moradia.
Corrijam os salarios dos soldados e sargentos.
Tá ruim pede pra sair. Simples.
Esta ruim Não, esta Péssimo! Não vou pedir para sair, sou concursado. Encarei dois anos em uma escola de Formação para sargento. Quando fiz o concurso a classe era mais valorizada, Não vivia na Miséria como atualmente. Gosto da vida militar, mas reclamo e muito do meu salario porque Não temos o mesmo tratamento como as demais carreiras do funcionalismo.
Este come coco e vive no mundo da lua, só pode.
Uso Uber com frequência e, pasmem, a maioria são militares do Exército e da Aeronáutica. Quase não acreditei. Sempre inventava uma desculpa e pedia pra ver como era a identidade das FAs. Só para ter certeza se eram militares. Pior que eram!
– Triste uma situação dessa!
O assunto seguia: “tenho colégio dos filhos pra pagar, livros , material escolar, lanche diário deles, aluguel, energia elétrica, água, supermercado , gás…etc
Alguns deles mostram o contracheque e fiquei espantado com o valor líquido que recebiam. Muitos tinham empréstimos em POUPEX e outras consignatárias.
Sou QAO e estou fazendo limpeza de piscina
Tem CAP QAO fazendo tele lanche. Tem eletricista, mas a maioria UBER. Aeroporto de Porto Alegre tem 5 QAO e um Ten de AMAN fazendo UBER. São meus colegas de aplicativo sou conhecido o juruna do onix. Precisando to na área
Bem vindos a nossa realidade, no Exército tá dificil, meu inquilino (Sargento) não pode me pagar o aluguel esse mês, as contas dele não fecharam, e acarretou que ai as minhas não fecharam também, vai virar um efeito dominó essa parada ai! Major reclamando do salário, imagina para nós, as praças!
Já tenho medo de ir ao supermercado comprar comida e não ter saldo no cartão de crédito, e ai faz o que? posso arranchar meus filhos e minha esposa?
Em Natal-RN um Sargento foi despejado
Complicado, pior ainda trabalhar honestamente, e o vizinho “militar”.sem noção achar que estamos envolvidos com facção.
Com um uber e mais um carro que alugo estou tirando liwuido com general de brigada. Também tenho uma Van escolar e uma vamos de turismo. Vale muito sair deixar de ser oficial e sargento para ser autônomo. Ainda tenho o salário de QAO.
5 mil é um Ótimo salário. Mais de 80% da população ganha menos que isso. Não tá feliz? Pede pra sair. um balconista não ganha nem 2 mil e não vive reclamando igual essa gente.
Essa gente abre mão de tudo, da sua cidade, cria seus filhos longe da família, esposa não consegue emprego por ser esposa de militar, essa gente fez concurso e fez escola de formação militar, essa gente constitucionalmente é uma classe especial de servidor, é militar e não se compara ao civil, essa gente trabalha fácil mais de 100 horas por semana, minha ferramenta de trabalho é um fuzil. Essa gente n~çao ganha adicional noturno, não ganha adicional de insalubridade, não ganha periculosidade, essa gente não tem direitos básicos, Essa gente existe para que babacas iguais a você possa escrever merda na internet.
Você deve achar certo um balconista ganhar 2 mil enquanto um deputado que nem os 5 dias de semana trabalha ganha mais de 50.
O concurso e a carreira está ai aberto para o balconista, alias, já fui balconista também, somos parcela da sociedade, parem de nos tratar como inimigos.
Parabéns pela resposta!
Anonimo das 09:53 – Comparação imbecil em dizer que Mais de 80% da população ganha menos que 5 mil e comparar salário de militar com balconista. Salario de militar é carreira de funcionalismo federal. Você tem que fazer a Comparação dos Salários pagos pelo governo federal, como por exemplo a PM-DF que é paga pela União. Se Você esta feliz e satisfeito é um problema seu, mas a maioria Não esta.