Custo para repatriar brasileiros com aviões da FAB é três vezes maior que com aviões comerciais

REPATRIADOS DO LÍBANO DESEMBARCAM DE AVIÃO DA FAB

Três mil brasileiros que moram no Líbano pediram a repatriação por causa dos conflitos
Fernando Valduga

O governo federal pagou mais R$ 80 milhões com o programa de repatriação dos brasileiros que moram no Líbano. Até o momento, cinco voos com aeronaves KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB) foram enviados para Beirute, capital libanesa, para a missão Raízes do Cedro, que visa trazer cidadãos que moram em regiões que estão sob ataque de Israel.

O governo federal concluiu, na última segunda-feira (14/10), o quinto voo de repatriação de brasileiros que vivem no Líbano. O país árabe é cenário de um conflito deflagrado entre as Forças de Defesa de Israel (IDF, sigla em inglês) e o grupo armado Hezbollah. Até o momento, a “Operação Raízes do Cedro” – iniciativa do Ministério das Relações Exteriores (MRE) em parceria com o Ministério da Defesa (MD) – já salvou 1.105 pessoas e 13 animais de estimação. O avião chegou à capital libanesa, Beirute, repleto de donativos: 1,4 mil cestas básicas e 6,9 mil caixas de medicamentos diversos arrecadados pela Associação Unidos pelo Líbano.

Sobre os custos para realizar os voos, o governo brasileiro editou na sexta-feira (11/10) a Medida Provisória (MP) 1.264/2024 que abriu um crédito de R$ 80 milhões para o comando da Aeronáutica, via Ministério da Defesa, garantir a logística de transporte e apoio humanitário.

No total, cerca de 3 mil brasileiros aguardam para ser repatriados. Assim, a operação, paga pelo Ministério da Defesa, está custando três vezes mais do que se o governo federal comprasse passagens em voos comerciais. Um sexto voo está previsto para esta semana.

A conta foi feita pelo site Poder360, que calculou os custos das passagens de Beirute para São Paulo, com valores de R$ 7.253 cada, multiplicado por 3 mil, que é a quantidade de pessoas a serem repatriadas. Enquanto o governo disponibilizou R$ 80.401.340 para a missão, as passagens em voos comerciais custariam R$ 21.758.000.

O texto prevê que os recursos serão empregados em transporte aéreo logístico de pessoas, animais domésticos e materiais e apoio humanitário na região conflagrada no Oriente Médio. De acordo com o governo, a urgência se justifica pela necessidade de resposta rápida e efetiva para proteger e preservar a vida de cidadãos brasileiros, que precisam ser retirados do local de conflito porque ainda há possibilidade de novos ataques.

“Em relação ao quesito imprevisibilidade, deve-se ao inesperado início do conflito, com o ataque contra o Líbano conforme amplamente veiculado pela imprensa mundial, sem permitir a repatriação planejada dos brasileiros de maneira gradual, além de poder haver uma escalada dos enfrentamentos nos próximos dias”, justifica o Executivo.

Os recursos, segundo o governo, são necessários para garantir o custo logístico da aeronave KC-30 nos deslocamentos dos cidadãos repatriados, incluindo peças e suprimentos de aviação; despesas com a aquisição de bens de consumo, de óleo e combustível de aviação; pagamento de diárias e tarifas aeroportuárias; custos das aditâncias (representação do adido militar) e das bases aéreas no apoio a tripulações e cidadãos; e contratação de serviços e demais atividades.

O dinheiro usado no crédito extraordinário virá do superávit financeiro apurado no balanço patrimonial de 2023, relativo a recursos livres da União. Como os voos comerciais partindo de Beirute estão restritos devido ao conflito, a comparação serve apenas como referência. Uma possibilidade que poderia ser avaliada é realizar o voo até um país na Europa, onde o KC-30 está fazendo escala técnica, e de lá usar voos comerciais para trazer o pessoal para o Brasil.

O Poder360 procurou o Planalto por meio de e-mail e aplicativo de mensagens para questionar se o governo considerou a compra de passagens em voos comerciais para repatriar os brasileiros – e, assim, reduzir os custos da operação–, e se sim, qual foi a razão para descartar esta opção. Por último, se ainda considera a compra de passagens em voos comerciais a fim de economizar o dinheiro público.

cavok – Edição: Montedo.com

Respostas de 7

  1. Infelizmente, para colocar esse povo todo ao mesmo tempo não dá pela aviação normal e por isso pediram atenção da Embaixada/Consulado. Para mim e demais contribuintes, acredito, todos que foram repatriados devem pagar os custos da viagem, assim esperamos, visto que ao deixarem o país o fizeram por interesse particular.

      1. Perfeito seu comentário.

        Assim que findar esse conflito a maioria vai voltar pra lá.

        Depois vem fazer cena emocional, chorando, deseperados para o governo buscá-los.

        E o mais engraçado é a típica cena da chegada empunhando a Bandeira do Brasil. Até parece que amam o país.

      2. “Essas pessoas que foram repatriadas trabalharam duro pelo país e contribuíram de várias maneiras. O patriotismo não é definido apenas por onde alguém nasceu, mas pelas ações e pelo comprometimento em fazer do nosso país um lugar melhor. Elas são tão patriotas quanto qualquer outro e merecem respeito e apoio, não ódio. Afinal, o Brasil é um país construído por imigrantes, e sua diversidade é uma das nossas maiores riquezas.”

        Essa adição reforça a ideia de que a identidade nacional é formada por uma mistura de culturas e histórias.

    1. O dia que o povo achar que somos apenas “despesas”, as FFAA acabam…..

      Relatório mentiroso esse…coisa de esquerdista….É o que eles querem….

      Na guerra da propaganda estamos perdendo de lavada…..

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