Será que precisaremos viver a tragédia chinesa do século XIX para nos tornarmos uma potência no século XXIII?
José Arnon dos Santos Guerra*
James Clavell, em sua magnífica obra, tangencia a decrepitude da China no século XIX, expondo o vício generalizado da sua população em uma droga. Esse processo, que culminou na Guerra do Ópio, foi resultado de um processo de dominação planejado e executado pela Inglaterra, no esplendor da Era Vitoriana.
Ao ler TAI PAN, que trata das aventuras da conquista da Ásia pelos ingleses, somos apresentados aos estratagemas da diplomacia internaci- onal, que geralmente escapam à percepção do cidadão comum. Enquanto este luta diariamente para gerar o sustento de sua família e riqueza para a Nação, raramente consegue se deter com um olhar atento para o futuro dos seus filhos e do País.
Em certa passagem do livro e da história, o leitor se depara com o princípio da extraterritorialidade, mencionado e romantizado por Clavell, que revelou como a China se subordinou a interesses estrangeiros, permitindo sucessivas agressões à sua soberania, por meio de violações dissimuladas e aceitas por autoridades corrompidas, em meio à troca comer- cial do chá chinês pelo ópio da Caxemira.
Em síntese, os chineses, flagelados pelo vício, não souberam, não puderam e não conseguiram se defender das ameaças externas, que persis- tiram por um longo tempo. A ilha de Hong Kong, o melhor exemplo dessa fragilidade, só foi devolvida à China em 1997.
Sabe-se que a segurança de uma nação tem seus alicerces fortemente baseados nas riquezas individuais geradas pela sua gente, que, por sua vez, promove outros benefícios coletivos, como o fortalecimento da indústria de defesa e a exploração da terra sob a tutela dos nacionais.
Um país continental como o nosso, rico por natureza, não deixa dúvida quanto à necessidade de proteger o que produz e o que ainda não foi explorado. Contudo, para isso, o Brasil deve se defender de si mesmo, do ócio e do ópio, afastando-se do tipo de epidemia que afligiu a potência asiática no passado.
A liberdade é um dos bens imateriais mais preciosos de uma sociedade e deve ser defendida a todo custo; em excesso, é uma arma apontada para o coração dessa mesma sociedade, principalmente se não for bem compreendida pelo povo. O Estado deve ser cauteloso com as futuras gerações e proteger sua juventude com todas as suas forças.
Nesse contexto, como o Brasil deve lidar com suas Cracolândias, onde a condescendência excessiva leva milhares de pessoas à mais completa indigência?
Nesses ambientes degradados, as pessoas se multiplicam e morrem sob o silêncio de quem deveria cuidar delas. Em essência, é um lugar onde a liberdade excessiva aprisiona, ao franquear o vício que escraviza.
A resposta à pergunta anterior é simples, temos que banir todo tipo de droga, o que, do ponto de vista antropológico, é praticamente impossível. Portanto, medidas de controle sistêmico devem ser adotadas, tendo a educação como o carro-chefe desse processo.
O flagelo das drogas atingiu um nível perigoso, reflexo da perda da capacidade da sociedade de estranhá-lo e repudiá-lo. Hoje, as cracolândias acolhem tanto o filho do trabalhador simples, quanto a esposa do doutor e, aos poucos, drenam as energias de todos os estratos sociais da Nação.
Quem assistiu ao filme “Feito na América”, com Tom Cruise, viu os métodos inteligentes de uma poderosa organização para alcançar um objetivo específico, o qual exigiu até esforço militar. Quais são os interesses que se escondem por trás do narcotráfico no Brasil?
Nossos avós e os avós deles souberam se defender de ideias que ameaçavam seus costumes. Sim, sempre houve álcool em excesso e outros ví- cios, mas as portas nunca estiveram tão escancaradas para perigos difusos como agora.
Será que precisaremos viver a tragédia chinesa do século XIX para nos tornarmos uma potência no século XXIII?
Às vezes, o avanço é retrocesso! O inglês Edmund Burke destacou bem essa premissa em suas Reflexões sobre a Revolução Francesa: Um povo que não cultiva a memória de seus ancestrais não cuidará de seus descendentes.
Por isso, o tema deste artigo e tão relevante, afinal, a trajetória da nação brasileira pode não ser igual à da China, até porque, naquela época, não havia a tecnologia que há hoje, tampouco armas nucleares que dissuadem adversários antes que estes apelem pelos seus interesses.
Também não temos os efetivos das forças armadas chinesas, que sempre foram muito maiores do que os de seus oponentes, poder que lhes garantiu a sobrevivência diante dos múltiplos desafios, inclusive no século XX.
Não à toa Napoleão disse: “Se a China despertar, o mundo tremerá.”
Ela acordou! O mundo está tremendo e isso é a vida real, não é arte.
Está claro que os brasileiros precisam se afastar do mundo das drogas e se proteger, inclusive de seus próprios vícios.
* Cel Inf Veterano José Arnon dos Santos Guerra, ex-Comandante do C Fron RR/7º BIS e ex-Coordenador-Geral de Políticas para a Sociedade, na SENASP, entre 2019 e 2020.
Respostas de 57
O mundo como o conhecemos não dura nem mais 100 anos. O Brasil não precisa se preocupar
Só esqueceu que a China ser o que é hoje, ela passou o pós guerra por um processo de depuração interna com a sua Revolução Cultural conduzida por Mao. E um erro estratégico dos EUA, via Kissinger, que queria isolar a URSS.
Não podemos afrouxar o combate as drogas. A liberdade dada pela ausência de políticas publicas, ou a negligência das existentes levará nossos jovens a um caminho de trevas com difícil retorno. Obrigado pelo texto.
Ainda se faz necessário de políticas públicas efetivas na área da prevenção.
Olá, José! Você trouxe uma reflexão muito profunda sobre a história e os desafios sociais que o Brasil enfrenta, especialmente em relação ao uso de drogas e suas consequências.
A comparação com a China do século XIX é bastante pertinente, pois evidencia como a falta de controle e a vulnerabilidade podem levar a consequências devastadoras. A questão das Cracolândias e o modo como a sociedade lida com o vício é um tema complexo que envolve não apenas a proibição de substâncias, mas também um olhar atento à educação, à saúde mental e ao apoio social.
A ideia de que a liberdade excessiva pode se transformar em uma prisão é uma crítica poderosa. É fundamental que se busque um equilíbrio entre garantir direitos individuais e promover um ambiente saudável para todos. A educação, como você mencionou, é realmente o pilar para mudar essa realidade, ajudando as pessoas a entenderem os riscos e as consequências do uso de drogas.
E quanto ao narcotráfico, é um fenômeno que envolve interesses econômicos, políticos e sociais muito profundos. É preciso uma abordagem integrada que envolva segurança pública, políticas sociais e de saúde para combater esse problema.
Por fim, sua reflexão sobre a memória e o legado dos ancestrais é essencial. Conhecer nossa história pode nos ajudar a evitar repetir erros do passado. Vamos torcer para que o Brasil encontre caminhos mais saudáveis e sustentáveis para lidar com esses desafios!
Faço minhas suas palavras… parabéns pelo comentário!!
Você sabe mesmo o que foi a tal da “Revolução Cultural”?
Mao Tsé-Tung destruiu a China.
Procure saber sobre Deng Xiaoping. Esse, sim, revolucionou a China, tirando do atraso incomensurável através da introdução de mecanismos da Economia de Mercado via “zonas econômicas exclusivas”.
Mao destruiu e matou milhões de chineses.
Não dura mesmo, você disse a pura verdade
Nos centros da maiores cidades brasileiras vemos esta guerra silenciosa avançar. Compreender as ideologias políticas que estão por trás disto nos proporcionaria atingir os verdadeiros interesses do mundo econômico do narcotráfico. Excelente abordagem do tema… espero que não seja preciso séculos para encararmos o mal que as drogas causam ao destruir jovens, a economia, as famílias.
Muito bom o artigo
Mas o Brasil só vsi ser porencia qdo o povo tomar vergonha na cara e parar de eleger um monte de vagabundos q vive só de dinheiro público .
Deixar o viés comunista e ser um país que realmente se preocupa com o povo e não com o poder.
Amo nosso país, aqui nasci e
por ti irei lutar sempre
Obrigado pelo artigo.
realmente. E agora eles estão colocando os filhos na política, para continuar o legado.
Retroceder para crescer, evoluir. Combater as drogas que vem casa vez mais matando nossa população e sociedade.
Resolver como amigo, se quem deveria dá exemplo de combate as drogras não o faz?
Hoje o inimigo é outro, no século XIX o embate era de Estado-nação conta Estado-nação. Hoje o que se observa são naco-estados atuando . Em algumas partes do mundo (Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Noruega, Suíça, Canadá e Austrália), locais estes, onde os problemas sociais são inexistentes, em relação ao Brasil, a liberação ou áreas para “livre” consumo, como querem alguns por aqui, só criou uma legião de zumbis. Resta saber o que se quer; a igualdade na prosperidade ou na miséria ?
A china para chegar onde chegou, passou por fome, guerras. Passou até pelo socialismo. Agora é um capitalismo camuflado
Certamente, o vício em drogas e agora também em bets é capaz de degradar toda uma nação.
Não podemos afrouxar o combate as drogas. A liberdade dada pela ausência de políticas publicas, ou a negligência das existentes levará nossos jovens a um caminho de trevas com difícil retorno. Obrigado pelo texto.
Olá, Cel Guerra! Parabéns pelo tema abordado em seu artigo. Acredito que não é necessário que o Brasil passe pela saga chinesa da guerra contra o ópio para se tornar uma grande potência. Países como Portugal e Suíça têm obtido resultados muito melhores ao tratar o problema das drogas com abordagens mais humanizadas e focadas na saúde pública.
Portugal, por exemplo, descriminalizou o uso de todas as drogas em 2001 e investiu em tratamento e reintegração social dos usuários. Como resultado, houve uma redução significativa nas taxas de overdose, infecção por HIV e criminalidade¹. Já a Suíça implementou programas de redução de danos, como a distribuição controlada de heroína para dependentes, o que também levou a uma diminuição nas mortes por overdose e na criminalidade associada ao tráfico².
Esses exemplos mostram que é possível alcançar resultados positivos sem recorrer a medidas extremas e violentas. O Brasil pode aprender com essas experiências e adotar políticas mais eficazes e humanas para lidar com o problema das drogas.
Parabéns pela análise profunda e perspicaz apresentada neste texto. As observações feitas demonstram uma compreensão notável das complexidades históricas e dos desafios contemporâneos enfrentados pelas nações. A comparação entre a experiência histórica da China e a situação atual do Brasil em relação às drogas é particularmente perspicaz e provocativa.
A ênfase na importância da educação, da memória cultural e da proteção da juventude como pilares fundamentais para o desenvolvimento e a segurança de uma nação é extremamente relevante. O texto não apenas identifica problemas, mas também sugere caminhos para reflexão e ação
Belíssimo texto!
Realmente a China acordou, não é a toa que aponta ser a patrocinadora de uma mudança no rumo monetário mundial através de soluções alternativas ao dolar. Assunto importante que será discutido na próxima Reunião dos BRICS agendada para 22OUT24 na Russia.
Dizem que tempos fáceis geram homens fracos. Esta frase é tão real, que percebemos isto nestas novas gerações. Que têm tudo, são tão livres, que acabam se aprisionando em sua própria liberdade, como o Senhor bem disse no artigo. Uma geração fraca, que precisa das drogas para se auto afirmarem na sociedade. Para encontrar um lugar de destaque, na ilusão de elas vão proporcionar a coragem pra enfrentar a vida como ela é.
Mas, ao final, se transformam em zumbis, acéfalos, que não têm a menor capacidade de pensarem e terem senso crítico de nada. Tenho medo de onde chegaremos. Parabéns pelo artigo, aprendo muito com o senhor.
Excelente artigo reumindo a Decradação da sociedade brasileira, que de polêmica a polêmica apenas têm nos transformado em vitimas dos países que tem a mínima estratégia de prosperar e cuidar da sua gente.
A continuar assim seremos novamente colonizados. Esta colonização atual não deu certo.
Não somos capazes de cuidar da nossa terra e do nosso povo.
Parabéns!!
Parabéns pelo artigo.
A sociedade está corrompida e degradada.
As drogas estão matando as pessoas. Além da perda de familiares, a sociedade paga um alto custo por problemas sociais gerados pelas drogas e outros vícios.
A deturpação do significado de liberdade pela sociedade é o motivo para as questões de vício hoje. E o ópio de hoje não são só as drogas das ruas, mas o celular, a Internet, e tudo aquilo que tira o poder do jovem de pensar de forma independente e pesar sobre o certo e errado. A liberdade imposta pela sociedade te cobra atitudes e pensamentos que estão longe de ser livres e que estão vinculados a uma aceitação.
Ótima reflexão para os dias de hoje que encontramos várias formas de vícios e de alienação da população quanto à educação. Apesar de mais acesso à informação que nossos jovens estão tendo, mais desinformação e perdas de princípios vão sendo repassadas e absorvidas por uma geração pouco preocupada com valores.
Gostei do artigo do Cel Inf Veterano José Arnon dos Santos Guerra porque abordou a problemática das Cracolândias no Brasil e o impacto das drogas na sociedade. Guerra critica a condescendência com as drogas, destacando a dificuldade de erradicá-las totalmente, sugerindo medidas de controle com a educação como foco principal. O autor também menciona o impacto generalizado das drogas em todas as classes sociais e usa referências históricas e culturais para sublinhar a importância de aprender com o passado. Mais um bom artigo Cel Guerra!
Essas reflexões destacam a importância de uma abordagem integrada e educativa para enfrentar o problema das drogas no Brasil.
Excelente posição Cel Guerra. Assim como o homem, as nações podem aprender com os erros cometidos pelas outras, ou aprender sofrendo as consequências. Esta última opção o homem sofre, já na nação o sofrimento é de toda população.
Vivemos no mundo de escolha. Mais. A Familia é a base de tudo politica onde coloca o povo como gado comprando o povo com emendas q faz as pessoas se vende pelo sistema do gorverno q nao investe em emprego pois e melhor ter o povo na mão
Eu fico muito preocupado quando não me sinto em condições de confiar em meu comandante
Creio que a pior coisa é quando sinto que o comandante é um inseguro, um politicão interesseiro, um mercenário.
Pra mim é o pior dos inimigos!
Esse é um assunto muito sério e preocupante. A mente humana está ficando mais fraca a cada dia, abrindo espaço para o ócio e o Vício.
A liberdade de consciência, a educação ética e moral, o reconhecimento do bem comum; todos esses fatores estão em desuso. O abuso de drogas e a indiferença no trato com “o outro” são sintomas visíveis de uma doença muito maior que assola nossa sociedade.
Prezado Cel Guerra,
Parabéns pelo texto.
Tema de suma relevância para reflexão na sociedade.
Sempre a busca da humanidade pelo dinheiro fácil e prazeres baratos. Apesar do texto relatar o caso de dois países, um muito antigo mas, na época, isolado e decadente, e outro em franca expansão comercial e sem limites éticos para a exploração de outros povos, o contexto é sempre atual. Uma novela que se repete. A questão das “drogas” precisa ser tratada de forma direta e racional pelos governantes e políticos, sobretudo para tirar o poder da mão de grupos criminosos que estão ameaçando a nossa sociedade como um todo.
Muito bom artigo! Concordo plenamente com a importância de adotar medidas firmes para controlar o uso de drogas, tanto as ilegais quanto as recreativas que já são permitidas, como o álcool e o cigarro, que podem prejudicar tanto a saúde quanto a sociedade.
Acredito que a educação deve ser o foco principal nesse combate, ajudando as pessoas, especialmente os jovens, a entenderem os riscos e a se manterem longe dos vícios. Além disso, é essencial que políticas públicas eficazes sejam implementadas para incentivar a recuperação e garantir um controle mais rigoroso, a fim de promover um futuro mais seguro e com crescimento social.
O Brasil, com todos os seus recursos e potencial, deve proteger sua população desses perigos para garantir um desenvolvimento saudável e real. Devemos também aprender com os erros do passado, como aconteceu com a China no século XIX, e evitar cair nas mesmas armadilhas.
Cel. boa tarde! Gostaria de provocar um pouco.
Por vezes, vejo a indústria (farmacêutica e outras também) adotando a sistemática de “viciar” a humanidade e ampliar sua riqueza.
Nós precisamos de tudo que consumimos em todos os níveis (alimento, remédio, conforto etc.)?
Podemos ser “felizes” presenciando a miséria de outros homens/mulheres?
Se a resposta for não, temos que iniciar mudanças. Sim, pela educação (em casa, na rua, no bairro etc.). Provocar reflexões para mudanças de comportamento.
Esse espaço que você utiliza muito bem é um excelente exemplo de como provocar mudanças.
Mais uma vez, obrigado.
Interessante o tema e o paralelo realizado através de momentos tão distintos da história. A crise chinesa não foi provocada apenas pelo vício em ópio, mas também por corrupção, revoltas sociais e pressões políticas internas e externas, o que de certa forma, dentro de cada realidade temporal, estabelece semelhanças com a situação do Brasil.
Os problemas com o vício tem raízes profundas, e se desdobram nos mais variados problemas socioeconômicos, que vão desde a falta de educação escolar até a escassez de oportunidades de trabalho.
É necessário aprender com os exemplos. A história da China serve como alerta, e ao mesmo tempo nos estimula saber que os problemas críticos de uma nação podem ser superados e uma sociedade inteira ser reerguida.
As pessoas agem come se fossem um tatu preferem se esconder ao encarar a realidade
Excelente matéria abordando um tema tão presente na nossa sociedade.
Comandante Guerreiro, parabéns,muito elucidativa sua publicação.
Excelente texto. Esclarecedor e necessário para entendermos o contexto em que vivemos. Parabéns ao autor!
Cel. Guerra,
Parabéns por dispertar este assunto de extrema importância à nossa sociedade que apesar de não tão jovem assim, carece de bons exemplos e de educação para vencer o nefasto mundo das drogas. Abraço
a questão das drogas em nosso pais não é novidade, esse problema existe a décadas e esta cada dia pior. vejo o caso como um problema além da questão de segurança, pois reflete em todas as áreas da nossa sociedade, como uma doença que se alastra, um câncer que que dia a dia afeta outros órgãos internos. ouso dizer que temos um grave problema de saúde publica, negligenciado por políticas ineficazes. e como doença és, deve ser tratada com remédio necessário, de forma a acabar com o problema, caso contrário, sucumbirá. mas para isso os “médicos”, os gestores da coisa pública devem ter coragem e agirem de forma incisiva, senão, esse problema com uso de drogas, com o tráfico apenas continuará a aumentar seus números, tirando cada vez mais pessoas de uma vida produtiva, fragilizando famílias, logo, enfraquecendo a nação.
Parabéns pela escolha e condução de tema sempre atual e tão relevante. Não faltam ao inimigo os mais diversos meios para conseguir seu intento, se for de seu interesse a conquista de um povo, não importando o sofrimento alheio. Cabe ao Estado, como nação politicamente organizada, a defesa de seu território, seu povo e sua soberania, empregando todos os esforços para esse fim. Não bastassem as drogas tradicionais, ilícitas ou não, que tanto mal causam no aspecto físico, outro tipo se apresenta: as plataformas de apostas esportivas – 30% delas são estrangeiras. Disfarçadas de diversão, levam um grande número de indivíduos a gastarem seu dinheiro numa tentativa infrutífera de auferirem algum lucro, situação que pode levar a uma desagregação familiar, consequência de um desajuste financeiro, particularmente entre os mais carentes. É preciso empenho, muito mais que boas intenções, para resolver todos esses problemas e salvar o país.
Tentei fazer uma conexão e nada pude conectar, exceto se essa Cracolândia fosse de proporções astronômica junto daquele pequeno pedaço em ramos no RJ, porque do resto não existe conexão alguma. Alguns líderes com parcos conhecimentos levam a alguns a segui-lo com algumas poucas palavras e é assim em todos os lugares. A droga foi introduzida na China daquela época como meio de subjugar o país pela Inglaterra o mercantilismo mundial a época tinha esse traço, enquanto uns traficavam pessoas outro viviam de escambo. A droga é um problema de saúde pública mundial hoje – não só do Brasil -. Agora faço uma conexão com o texto. O Brasil começou com as drogas quando após abolição da escravatura se colocou uma população imensa – algumas cidades tinham mais negros do que outra cor de pele – sem trabalho e essa população se colocou a marginalidade dos demais. Cada história tem a sua peculiaridade e por mais que se tente fazer conexões, não se consegue.
Parabéns, Cel! Gostei do modo como o tema foi abordado. De fato, pode-se perceber, no texto, como essa problemática acerca do narcotráfico afeta as sociedades como um todo, e como está inserida em nosso meio. Cabe destacar a sutileza ao relacionar a importante questão da soberania e segurança nacional ao “mundo das drogas”.
Esse texto traz muitas reflexões! Somos vítimas da insegurança, da criminalidade… Como será o futuro dos nossos filhos, netos…?
Excelente artigo, de fato a soberania nacional e o combate as drogas/organizações criminosas são questões diretamente relacionadas. A solução passa por mudanças em diversas camadas estatais. Todavia, enquanto existir, de um lado, a permissividade social e legal para o uso de drogas (o que faz aumentar o consumo) e, de outro, a repressão severa ao tráfico de drogas, dificilmente teremos como solucionar o problema. Isto porque a lei da oferta e da procura é inexorável…. se alguém quer comprar, vai aparecer alguém querendo vender. O consumo de drogas continua previsto como crime (em que pese a decisão recente do STF), a lei não prevê punição/prisão, mas também não é legalmente liberado. Ademais, defender a liberação das drogas é um discurso vago e irresponsável, uma vez que não diz quais drogas serão liberadas, e.g., a heroína consta deste conceito de “drogas”, é para liberar também? Seja qual for a droga, a liberação sem os devidos estudos científicos acerca dos impactos na saúde, especialmente dos jovens, é também uma irresponsabilidade. Para decidir o que é melhor será preciso um diálogo honesto, livre de questões morais, religiosas ou ideológicas, fundado tão somente em dados científicos e no bom senso.
Uma aula de História e atualidade no mesmo artigo. A Solução passa pelo Investimento em Segurança Pública, lei de Execuções penais que Realmente funcionem e uma Educação de qualidade. Parabéns por abordar um tema tão Relevante, coronel… E Parabéns pelo dia do professor, me considero um dos alunos dos seus Ensinamentos da caserna e da vida. SELVA!
Peço licença ao Nobre Coronel para traçar um paralelo com a preocupante questão das drogas nas terras yanomamis. A entrada de substâncias ilícitas, trazidas por garimpeiros, tem gerado um cenário alarmante, viciando indígenas e trazendo miséria para essa população.
Historicamente, os Yanomamis viveram em harmonia com a natureza, preservando suas tradições e modos de vida. Contudo, a invasão de suas terras por garimpeiros, em busca de ouro, não só promoveu a exploração mineral, mas também trouxe consigo o vício e a degradação social. O crack e a maconha, por exemplo, rapidamente se espalharam entre os jovens, transformando suas vidas e suas comunidades.
Esse vício não é apenas uma questão de saúde pública, mas um ataque direto à cultura e à estrutura social yanomami. O impacto se estende além do consumo, pois a presença dos garimpeiros gera violência e desrespeito pelas terras sagradas, enquanto a degradação ambiental compromete o sustento da população.
Assim como na história da China, a falta de uma resposta efetiva pode levar a uma tragédia ainda maior. É crucial que o Estado e a sociedade civil se mobilizem para enfrentar essa crise, promovendo a educação e o fortalecimento da identidade cultural yanomami. Somente assim será possível recuperar a dignidade e a saúde de um povo que tem o direito de viver livre e soberano em suas terras.
Selva
Bom dia Coronel.
Excelente artigo que nos faz pensar sobre os “verdadeiros interesses” envolvidos (internacionais e nacionais).
Segue uma matéria relacionada publicada na internet.
Publicado em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-criminalidade-no-brasil-causas-consequencias-e-desafios/1979133466
Causas da Criminalidade
A criminalidade no Brasil pode ser atribuída a uma série de fatores, incluindo:
1. Desigualdade Social: A desigualdade econômica é um dos principais motores da criminalidade. A falta de acesso a oportunidades e recursos leva muitos indivíduos à criminalidade como uma forma de sobrevivência.
2. Educação Deficiente: A falta de acesso à educação de qualidade contribui para a perpetuação da criminalidade. A educação desempenha um papel fundamental na prevenção do envolvimento em atividades criminosas.
3. Drogas e Tráfico: O tráfico de drogas é uma importante fonte de criminalidade no Brasil. A dependência química e o envolvimento com o tráfico têm efeitos devastadores na segurança pública.
Consequências da Criminalidade
As consequências da criminalidade são profundas e incluem:
1. Violência: Crimes violentos, como homicídios e assaltos, têm impactos devastadores nas vítimas e suas famílias.
2. Impacto Econômico: A criminalidade afeta a economia, prejudicando o desenvolvimento e aumentando os custos de segurança pública.
3. Desconfiança na Justiça: A impunidade e a ineficiência do sistema de justiça podem minar a confiança da população nas instituições.
Desafios no Combate à Criminalidade
O combate à criminalidade no Brasil enfrenta desafios significativos, incluindo:
1. Reforma do Sistema Prisional: A superlotação e as condições precárias das prisões precisam de reformas para ressocializar os infratores.
2. Prevenção: Investimentos em programas de prevenção, educação e inclusão social são cruciais para reduzir as causas da criminalidade.
3. Policiamento Eficaz: Melhorar a eficiência e a capacitação das forças policiais é essencial para combater a criminalidade de forma eficaz.
A relação entre violência, criminalidade e economia é um tema de grande relevância, explorado por diversos estudos acadêmicos. A pesquisa acadêmica revela que a economia desempenha um papel significativo na compreensão da criminalidade.
Um estudo citado por Gary Becker em seu artigo seminal “Crime and Punishment: An Economic Approach” estabeleceu um marco na abordagem dos determinantes da criminalidade. Esse estudo argumenta que as decisões individuais de se envolver em atividades criminosas são influenciadas por considerações econômicas, como o custo-benefício percebido.
Além disso, a relação entre segurança pública e violência também é um tópico de discussão. A eficácia das políticas de segurança pública e sua capacidade de lidar com eventos e fenômenos ligados à violência são temas de análise.
Portanto, a compreensão da criminalidade e da violência requer uma análise multidisciplinar que leve em consideração fatores econômicos, sociais e políticos. O estudo desses temas contribui para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes na prevenção e combate à criminalidade.
Em conclusão, a criminalidade no Brasil é um problema multifacetado com raízes profundas na desigualdade, falta de oportunidades e outros fatores socioeconômicos. Abordar esse problema requer uma abordagem abrangente que inclua a prevenção, a reforma do sistema prisional e o fortalecimento das instituições de segurança pública.
As explicações acima são do “senso comum”, são da abordagem costumeira (imprensa, ONG, judiciário, sistema educacional, etc).
O artigo do senhor aborda o problema sob o posto de vista geoestratégico fugindo do senso comum
Todos sabemos/imaginamos os interesses envolvidos.
Narcotráfico é força poderosa que deve ser combatida, influencia tudo, até a política, e as drogas acabam afetando pessoas de todas as classes. A Cracolândia é só um sintoma de como a sociedade brasileira está falhando em lidar com esse problema.
Excelentes reflexões. A educação e uma ação mais contundente do Estado seriam um bom caminho, mas no Brasil nenhum nem outro são empregados para o combate às drogas.
Excelente análise e discussão em altíssimo nível de complexidade e interdependência.
Parabéns Cel Guerra! Mais uma vez nos enriquecendo com temas históricos muito interessantes, que nos remetem às nossas próprias mazelas nacionais… infelizmente, o maior vício de uma pseudo intelectualidade brasileira é o apreço pela corrupção exacerbada que corrompe todas as principais estruturas capazes de fazer frente ao combate a todos os males da Nação! Vide a intenção de liberação de quantidades “insignificantes” de drogas, por um dos pilares da Democracia Brasileira ( pelo menos na teoria)… Todos nós precisamos nos conscientizar e nos unir pelo futuro de nossos filhos, e o nosso, que está cada dia mais sombrio! “Semper Fidelis” ! Fraterno abraço! Alfredo Bottino
O texto traz uma excelente visão quando faz o paralelo entre o passado da China com a atualidade do Brasil, que hoje vive um afrouxamento das normas relacionadas as drogas. Relacionando a possibilidade de mudanças se forem adotadas políticas públicas condizentes que trarão benefícios para a sociedade. Medidas essas que devem ser apoiadas por todos os setores da sociedade, principalmente pelos Órgãos do Poder Judiciário, e como bem foi relatado, devem ser adotadas “medidas de controle sistêmico” corroboradas pela “educação como o carro-chefe”.
Pois é, Nobre Comandante Cel. Guerra, seria motivo de graça, se não fosse a triste realidade, para não parafrasear “seria cômico se não fosse verdade”… Mas temos uma guerra para interna em nosso Brasil, de várias nações; Temos que reconquistar nosso território, pois senão logo perderemos nossa Bandeira, nossos Brasões e olha que quase estamos perdendo nosso Hino Nacional Brasileiro, logo estarão batizando de Hine Nacional Brasileire… Triste! Mas é verdade.
Temos batalhas para travarmos dentro de nossa própria casa, para nos tornarmos uma potência internacional: Batalhas políticas, ideológicas, de combate à corrupção, ao narcotráfico, às facções criminosas (criminosos que são verdadeiros laranjas), pois dizem que comandam tudo de dentro das prisões, qualquer um sabe que os verdadeiros mandantes destas facções estão bem soltos, ostentando luxo, poder e detentores de altos escalões, em todas as esferas da ordem pública.
Não temos que nos defender quanto às ameaças externas, como no caso dos Chineses, nosso problema são as ameaças, internas, que já não são ameaças, são fatos consumados de destruição em massa do povo brasileiro; seguindo um caminho que é preocupante, talvez pior que nossos vizinhos Argentinos e agora os Venezuelanos, eivados de pobreza, endividamento, analfabetos funcionais e dominados por cabrestos de miseráveis esmolas que recebem do governo, às custas de altos impostos e empobrecimento dos trabalhadores assalariados que preferem a cada dia seguir no mercado informal e vivendo às custas de auxílios do governo, que cria mais e mais parasitas que custam muito caro para o povo trabalhador e pagador de impostos, diga-se de passagem, o país que mais arrecada impostos; o quinto constitucional, que era o inferno dos produtores no período imperial, agora seria nosso sonho de vida, enquanto pagavam um quinto de impostos naquela época, hoje se bem somado, imposto sobre imposto, já chega na casa dos 50%, ou seja meio a meio para o governo.
Então, nobre Coronel, A arte imita a vida: O Brasil, século XXI imita a morte.