Pesquisadores da UFRJ defendem desarmamento e políticas públicas como meios mais eficientes de reduzir homicídios
Com 10% dos homicídios no mundo, segundo dados mais recentes da ONU, o Brasil ainda precisa descobrir o que funciona de fato para reduzir os assassinatos. Entre as pesquisas existentes, a limitação do porte de armas de fogo tem efeito positivo na redução, ao contrário da entrega voluntária de armas.
Já as investigações de homicídios e leis como a Maria da Penha, contra violência de gênero e feminicídio são promissoras, enquanto programas de prevenção, de forma isolada, não funcionam no curto prazo.
É o que aponta um estudo conduzido pelos pesquisadores Ignacio Cano, Emiliano Rugido e Doriam Borges, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), divulgado nesta terça-feira (8). A “Revisão Sistemática das Avaliações de Impacto dos Programas de Redução de Homicídios em América Latina e o Caribe” analisou 65 dessas avaliações sobre diferentes iniciativas para indicar o que funciona ou não.
Segundo Cano, professor da Uerj e pesquisador associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram consideradas as análises de curto prazo, porque ainda faltam avaliações de longos períodos sobre o tema no país.
De acordo com as avaliações, as iniciativas foram divididas entre as que funcionam (quando há evidências de redução de homicídios); as promissoras (com alguma evidência de diminuição, embora escassa ou não determinante); e as que não funcionam ou são contraproducentes as últimas geram mais mortes.
Um exemplo do que funciona, segundo as avaliações reunidas na pesquisa, é a política de UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) do Rio de Janeiro. Cano aponta que a redução de homicídios registrada após a implementação da política não é uma receita geral, mas um resultado específico do projeto.
Já os casos contraproducentes são representados, por exemplo, pela utilização das forças militares para atividades policiais, com os exemplos de Cali, na Colômbia, e a militarização do combate ao tráfico no México durante o governo de Felipe Calderón, de 2006 a 2012.
Cada uma das iniciativas foi objeto de apenas uma análise, segundo a pesquisa, o que também revela, para Cano, a falta de avaliações para políticas de redução de homicídios na região, especialmente no Brasil, considerado um laboratório de estudos de segurança pelo tamanho do território e dos problemas. “Nós somos a região mais violenta do mundo e temos poucos programas para reduzir o homicídio. Então isso reflete a falta de prioridade que as sociedades latino-americanas concedem ao tema”.
No Brasil, diz ele, o governo Dilma Rousseff (PT) foi o que chegou mais perto de lançar um plano de redução de homicídios, tarefa não concluída. A prioridade na América Latina, diz ele, tende a ficar, de forma geral, com ações contra drogas e o narcotráfico.
Outro caso considerado contraproducente na redução de homicídios é ir atrás de chefes do crime organizado, por meio de prisão ou de morte. Duas avaliações sobre o México durante o governo Calderón apontaram aumento das mortes por causa da disputa e da reorganização de poder.
Embora estratégias de prevenção social não apontem, sozinhas, uma melhora na redução de homicídios, a combinação entre esses programas e a intervenção policial em áreas de alta incidência de homicídios é indicada como promissora, com redução de homicídios ou ao menos de tendência. São citados o Fica Vivo!, de Minas Gerais, o Pacto pela Vida, de Pernambuco, o Estado Presente, no Espírito Santo, e programas de prevenção comunitária implementados em El Salvador, Guatemala, Honduras e Panamá. (LUCAS LACERDA/FOLHAPRESS)
O Tempo – Edição: Montedo.com
Respostas de 12
O que dá certo é ter um presidente como Bukele (El Salvador)….Um camarada com sangue nos olhos contra a bandidagem…O resto é conversa
Desde que você, andando na rua, não seja parado pelas ‘ autoridades’, confundido com um delinquente, jogado a uma cela, torturado e depois, após descoberta a falha, ser devolvido à sociedade com um simples pedido de desculpas. É o que tem acontecido por lá.
Efeitos colaterais, se realmente for verdade……acerta sua cadencia, mocorongo!
A quantidade de homicídios está diretamente relacionada à qualidade de vida da população. Preços elevados, maus exemplos provenientes do governo e a insuficiência ou escassez de meios dissuasivos são fatores que contribuem mais para os homicídios do que as próprias armas. É importante lembrar que armas e facas não matam; são as pessoas que cometem os atos. Em geral, quando temos governos mais permissivos com o crime organizado, é natural que os homicidas se sintam mais motivados a praticar seus crimes, devido à ausência de temor quanto à punição. Como esse estudo não considerou tal questão, é possível afirmar que está ideologicamente enviesada.
Para acabar com a violência, o que deve ser feito é liberar geral. todo mundo fumando maconha e cheirando/fumando cocaína e crack.
inclusive, deixa o médico fumar umzinho antes de realizar uma cirurgia nestes teóricos e, também, o piloto de avisão tem que ter o direito de fumar crack durante o voo fretado destes universitários e teóricos da ONU.
Se a PM, não consegue, por que o Exército conseguiria diminuir a criminalidade???
Resposta: criminalidade é uma questão do Poder Legislativo, depois,do Judiciário, só então entraria o Executivo com suas Polícias.
Ora, até chegar no Exército, alguns não estão fazendo sua parte.
Outro detalhe que está passando desapercebido é o lento mas certo caminho da extinção das PM, substituídas pelas “Polícias” políticas. Todos querem um Exército pra chamar de seu, mas por sua grandeza, história e valores, com o Exército não é fácil, na função policial, “pequenas Polícias” é diferente. Já fomos o país do futuro.
Olha a fonte das pesquisas
Quanto choro.
Realmente é função de exercito?
O crime compensa?
A lei é cumprida como está escrita?
Os direitos realmente são iguais para todos?
O CO (crime organizado) realmente é organizado e leva crer que tem tentáculos em todas esferas do judiciário, legislativo, executivo, ministério publico e a imprensa.
Então por onde iniciar a limpeza para diminuir a criminalidade?
Nem Como vigia de quartel reduzimos contravenções internamente.
sera mesmo?
” Ora, até chegar no Exército, alguns não estão fazendo sua parte.”
Falou tudo, as Forças Armadas não tem treinamento de polícia, a doutrina é totalmente diferente, é so ver a atuação nas Fronteiras, no Garimpo quando em conjunto com outros órgãos o resultado é muito satisfatório.
Forças Armadas não foram criadas para resolver problemas dos outros.
Ao visualizar o recruta, nas vilas militares, portando somente um cacetete para se defender, se vê o amadorismo.