Sem consenso, PEC dos militares será debatida em 25 de abril enquanto defensores buscam apoio

PEC DOS MILITARES

Medida busca transferir para a reserva não remunerada aqueles que não contarem com ao menos 35 anos de serviço
Bruna Lima, do R7, em Brasília

A PEC (proposta de emenda à Constituição) que restringe a participação de integrantes das Forças Armadas na política será debatida em uma sessão temática marcada para 25 de abril, conforme decisão do colégio de líderes desta quinta-feira (11). A matéria não possui consenso, por isso os defensores da medida aproveitam o período de discussão para angariar apoio e garantir a aprovação.

“Há discordância de outros senadores e lideranças, portanto não ficou definida e pacificada essa votação. Na minha opinião, [a PEC] tem que ser apreciada. É um tema que precisa ser debatido e esclarecido, até porque já causou problema dentro da estrutura do governo federal”, defendeu o líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), relembrando a participação de militares nos eventos que culminaram no 8 de Janeiro. “É importante se definir os limites da participação dos militares nos pleitos eleitorais”, completou o senador.

Por parte dos articuladores, não há predisposição para alterar radicalmente o texto para agradar os oposicionistas à medida. Segundo Alencar, a PEC já está “amadurecida” para a votação. O movimento é de convencimento da importância da proposta e contagem de votos, para saber se há maioria que garanta a aprovação. Por se tratar de PEC, é necessário o aval de três quintos dos deputados (308) e dos senadores (49).

A nova rodada de negociações não tem previsão para acabar e ocorre a passos lentos. Além dos senadores, figuras centrais do Executivo trabalham pela aprovação do texto, já que o movimento pela desmilitarização da política também é encabeçado pelo governo Lula. No início de março, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, esteve reunido com o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), parlamentar que lidera a oposição contra a matéria.

Múcio mantém conversas com os parlamentares desde o ano passado, o que resultou em uma reformulação da PEC, com regras menos radicais. Originalmente, o texto tratava de militares que ocupam cargos políticos, como ministro de Estado, mas essa parte foi retirada durante as negociações.

Desmilitarização da política
A PEC tem o objetivo de garantir a neutralidade política das Forças Armadas. O texto foi apresentado em setembro de 2023, cinco meses após a construção de acordo feito pelo ministro da Defesa junto aos comandantes da Aeronáutica, da Marinha e do Exército. Integrantes do governo avaliam que a PEC busca delinear a participação de militares na política.

O pano de fundo utilizado pelos interlocutores de Múcio é a militarização que o ex-presidente Jair Bolsonaro promoveu durante seu mandato. Diversos integrantes das Forças Armadas que assumiram cargos no governo Bolsonaro atualmente são alvos de investigações.

R7 

Respostas de 9

  1. Se eles querem um categoria de profissionais que já são esquecidos pelo poder político. Tais como não poder ocupar outro cargo publica mediante concurso. O mínimo que se tem de fazer é pagar muito bem para que não se crie esse tipo de movimento que somente ocorre por baixos salários.

  2. “Carta aos generais”:

    Oportunidade única para proporcionar a criação de uma nova “quota compulsória” para muitos militares, especialmente praças.

    Utilizem a assessoria parlamentar para influenciar os nossos parlamentares a permitirem nessa PEC que o militar com mais de 10 anos possa ir para a Reserva Remunerada proporcional, caso se condidate a algum cargo eletivo.

    Assim, permanecerá no EB apenas os militares “vocacionados”, como os senhores preferem e desejam.

    Tenho certeza que os “vocacionados” e “abnegados” não vão reclamar do acúmulo de funções/atribuições.

    Assinado: ebelp.

  3. Seja da ativa, reserva ou Reformado, se for político, deve ter sua entrada proibida na administração militar, com certeza vai levar o chorume da política Suja para dentro dos quartéis.

  4. Militar e so as forcas armadas. Os Polícias estaduais nao vao entrar no pacote tambem?
    Se nao pode candidatar-se para que votar entao. Militares cada vez mais 4 classe da sociedade

  5. simples: candidatou-se e ganhou vai para a Reserva Remunerada Proporcional e vai viver a vida politica. MAS, servidores Publicos se candidatam, Nao se elegem, voltam para o cargo Publico. Entao seriam direitos iguais para ambos: civis e Militares sao concursados, portanto, tem o mesmo caminho no Serviço Publico

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