A resposta pronta da cúpula militar à crítica de Barroso sobre ‘papelão’ no TSE

(crédito: Carlos Moura/SCO/STF - 29/5/19)

“Ele se esquece de quem botou a gente nessa história foi ele”, diz militar

Rafael Moraes Moura

Brasília – As declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, sobre as Forças Armadas, a quem acusou de terem feito um “papelão” no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao longo da campanha política de 2022, não caíram bem no Exército.

Em palestra na PUC-SP no último dia 4, Barroso também disse que os militares foram “manipulados” e “arremessados na política por más lideranças”, ao fazer referência a uma comissão de transparência do TSE que contou com a participação de oficiais das Forças Armadas durante a última eleição presidencial.

Na cúpula do Exército, que já anda tensa com os desdobramentos da investigação da Polícia Federal sobre a trama golpista para impedir a posse de Lula, oficiais dizem a quem pergunta – e a quem não pergunta também – que quem “mandou mal” na história foi o próprio Barroso, ao chamar os militares para compor a comissão. “Ele se esquece de quem botou a gente nessa história foi ele”, disse reservadamente à equipe da coluna um general.

Barroso presidiu o TSE de maio de 2020 a fevereiro de 2022, período no qual a Corte Eleitoral passou a contar com as Forças Armadas em uma comissão de transparência, criada para ampliar a fiscalização de todas as etapas do processo eleitoral. O grupo foi instituído em setembro de 2021, e os militares de fato foram convidados a fazer parte por Barroso.

Além dos militares, havia também representantes da OAB, Polícia Federal, Congresso Nacional, especialistas e entidades da sociedade civil.

Desde então, a discussão sobre a conveniência de colocar os militares para discutir transparência e confiabilidade das urnas vai e volta, com argumentos pró e contra, e uma ala de críticos afirma que Barroso nunca deveria ter convidado oficiais para a tarefa.

Em sua defesa, Barroso costuma repetir que a decisão foi tomada ainda em 2019 durante a presidência de Rosa Weber, quando uma resolução foi aprovada por unanimidade prevendo a participação das Forças Armadas no processo de fiscalização e auditoria do processo eleitoral.

Conforme a eleição foi se aproximando, porém, a comissão se tornou o epicentro de uma crise que opôs o governo Bolsonaro e os militares de um lado, e Barroso, o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF) de outro.

Desde o início dos trabalhos, os militares fustigaram o TSE com perguntas e suspeitas infundadas. Na opinião dos próprios ministros da Corte, a comissão acabou sendo usada pelo governo Bolsonaro como mais uma trincheira da guerra contra as urnas eletrônicas.

O general Heber Garcia Portella, representante das Forças Armadas na comissão, enviou ao TSE uma enxurrada de questionamentos sobre questões técnicas e operacionais das urnas.

Na época em que a presença dos militares foi vista como um “tiro no pé” do tribunal, Barroso costumava dizer que partiu da presunção de que Portella e os demais integrantes do grupo agiriam de boa-fé.

Se algum dos membros da comissão se comportou mal, ele costuma dizer, a culpa não é de quem nomeou – e sim de quem não cumpriu a sua missão.

Para Barroso, era natural chamar as Forças Armadas para colaborar nos trabalhos da comissão, já que elas auxiliaram o tribunal na concepção da urna e ajudam a cada dois anos na distribuição logística dos aparelhos.

Dado o trauma com a experiência, porém, o TSE excluiu as Forças Armadas do rol de entidades fiscalizadoras em setembro do ano passado, já sob o comando de Alexandre de Moraes.

“Não se mostrou necessário, razoável e eficiente a participação das Forças Armadas no rol de entidades fiscalizadoras do sistema eletrônico de votação e na comissão de transparência eleitoral”, disse Moraes na ocasião, usando termos mais diplomáticos que os de Barroso.

Malu Gaspar (O GLOBO)

9 respostas

  1. Excelente, Comentário A Partir De 08:11, Imagine Ser O Inelegível Em Meados De 2019 Juntamente Com Seus Generais tivessem um cuidado especial com o povo brasileiro dando toda atenção devida ser apresentando usando Marcaras, Luvas, roupões especiais e epis afins, acompanhando as famílias em velórios buscando agilizar aquisição de vacinas utilizando nosso exercito na distribuição de alimentos remoção de pessoas infectadas, isso poderia ter acontecido logo Após A OMC Declarar O SARS-COVID-19 Uma Pandemia Global, NADA DISSO!! Deu-se inicio a coisa mais maluca desde a inauguração do Brasil republica, negando vacina, debochando dos doentes, de jet-ski para cima e para baixo, fazendo churrasco com picanha de 1700 o kg, querendo ganhar 1 dólar em cada dose de vacina que não existia na ocasião, por fim para coroar tudo isso não foi em nem um velório de mais de 700 mil brasileiros que ser foram na pandemia, mas foi para o velório da rainha Inglaterra pagar mico.

    A mesma coisa aconteceu com a indicação do ministério da defesa a comissão no tse, logo após a indicação deu-se inicio por parte do ministério da defesa algumas explicações estranhas e até mesmo pouco inteligentes a respeito das urnas eletrônica.

    Sobre tudo, perderam uma ótima oportunidade de fazer um bom serviço a história hj seria outra, de fato.

    fiz o L e farei o L novamente em 2026, o choro é livre!!!

  2. Foram convidados sim por ele! E tiveram um péssimo comportamento! Não adianta querer esconder o Sol com a peneira! Tá Brabinho Excelentíssimo senhor General?!…
    Vcs q afundaram o nome é a imagem do EB é das FA na lama! Não foi a PF, não foi o TSE e não foi o STF! Foram vcs!

    1. Um empresário contrata um funcionário que promete ser bom.
      O funcionário faz só lambança, é sonso e desonesto.
      Depois de demitido ainda quer culpar o patrão por tê-lo contratado kkkkkkkkk

  3. O comportamento inadequado do Exército esta explicito nas Declarações Do presidente da República e na do ministro da Defesa general Paulo Sérgio. Esperava-se que uma Instituição de Estado, Apolítica, que gozava ate Então de grande Confiança por parte da População Brasileira e com quadros Respeitáveis se comportasse a altura da Missão que foi Imbuída. Ao Invés disso, reuniram-se com um hacker que nao possui Formação Universitária, que ja havia cometido crimes para pegar bizu para questionar as urnas. Então o que tem que ser feito e colocar o rabo entre as pernas, e pedir Desculpas/perdão a sociedade brasileira Que e quem Paga os Salários das FA.

  4. Será que as FFAA vão emitir uma notinha interna para enganar recrutas a ser ser lida em formatura?
    A cada dia que passa , vem uma humilhação atrás da outra.

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