Marinha abre inquérito após denúncia de racismo contra recruta em BH

racismo

Militar foi xingado de “macaco”, “preto”, “macumbeiro”, “primata”

Pedro Vilas Boas
Do UOL, em São Paulo
A Marinha abriu um inquérito para investigar a denúncia de um recruta da Capitania Fluvial de Minas Gerais, em Belo Horizonte, que afirma ter sido vítima de racismo por colegas de farda.

O que aconteceu
O recruta, de 19 anos, prestou depoimento na manhã desta quinta-feira (15). A informação foi passada ao UOL pelo advogado dele, Gilberto Silva.

A Polícia Civil de Minas Gerais esclareceu que o caso foi repassado para a Marinha. “Por se tratar, em tese, de crime militar, as investigações ficarão a cargo da Corregedoria da Corporação, cujo órgão é competente para apurar os fatos conforme previsão legal”, diz a PCMG.

Gilberto disse que o depoimento do recruta, que prefere não se identificar, durou cerca de 3h40min. As provas apresentadas se concentram principalmente em prints, áudios e vídeos do grupo de WhatsApp em que ele teria sido alvo das ofensas.

“Ele está bem abalado ainda, chorando muito”, afirmou o advogado. Segundo Gilberto, o recruta “tem crises de ansiedade e choro”.

O recruta segue com as atividades na Capitania Fluvial de Minas Gerais, de acordo com o advogado.

Relembre o caso
Os ataques começaram em novembro do ano passado. O recruta foi transferido da unidade no bairro Belvedere para outra unidade na avenida Raja Gabaglia. “Quando foi transferido, perguntou para o superior o que faria na nova unidade. O superior respondeu: ‘ser escravo'”, disse ao UOL o advogado Gilberto Silva.

Logo as ofensas também foram disseminadas entre os colegas em um grupo de WhatsApp. “Nesse grupo, ele é xingado de macaco, preto, macumbeiro, primata. Falam que é para ele receber banana, chibatada”, afirma o advogado, que também é presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-MG, Subseção Lagoa Santa.

À época, a Marinha lamentou o episódio e disse que seriam realizados os procedimentos para apurar o caso. “A MB [Marinha do Brasil] lamenta o ocorrido e reafirma o seu compromisso com a ética e com o respeito à dignidade da pessoa humana e reitera seu firme posicionamento contra condutas que afetam a honra e o pundonor militar”.

UOL

3 respostas

    1. Exato, da mesma laia de quem diz que ajudante geral não tem valor, da mesma laia de quem desfila em escola de samba patrocinada por crime organizado, da mesma laia de quem corta recursos da saúde, educação, segurança, defesa para financiar publicidade de campanha política…

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