Recruta da Marinha denuncia racismo na instituição: ‘primata, escravo’

racismo

Recruta de 19 anos estaria sendo humilhado por superiores e colegas pela cor da pele
Isabela Abalen
Belo Horizonte – A Marinha do Brasil está investigando um caso de racismo, injúria racial e preconceito religioso dentro da instituição, na unidade de Belo Horizonte, na avenida Raja Gabáglia. É o caso de um recruta de 19 anos que contou estar sendo humilhado por superiores e colegas pela cor da pele. O rapaz foi chamado de diversas formas pejorativas, como “escravo”, “primata” e “macaco”. Ele também foi ridicularizado como “macumbeiro”. A Marinha lamentou a denúncia e disse que colabora com a investigação.

De acordo com o advogado criminalista Gilberto Silva, que está intercedendo em defesa da vítima, o recruta da Marinha entrou para a instituição no ano passado e, após alguns meses na unidade do Belvedere, foi transferido para a Raja Gabáglia, onde teriam iniciado as discriminações. Assim que chegou, o rapaz perguntou a um sargento superior a sua função, o qual respondeu: “na Raja, a vítima seria escrava”.

Em um grupo de Whatsapp, que a vítima fazia parte, colegas da Marinha o hostilizavam abertamente. O grupo deveria servir para comunicar atividades da rotina na instituição, mas, em prints e áudios compartilhados, o recruta foi chamado de “primata”, “macaco” e “macumbeiro”. Em uma das mensagens, o uso pejorativo de “escravo” voltou a ocorrer: “a única coisa que vai concordar é ele implantar a chibata em você, guerreiro”, escreveu um agente.

“O rapaz está muito abalado. Está com medo de ser prejudicado na carreira, já que ainda é um recruta. Medo de ser desligado ou não passar do estágio probatório. Mas, mesmo assim, preferiu buscar a Justiça, porque o sofrimento tem sido grande. Ele não quer que isso continue a acontecer com outros”, afirmou o advogado Gilberto Silva.

Um boletim de ocorrência foi registrado nessa quarta-feira (30 de janeiro) e apresentado na delegacia da Polícia Civil. Agora, o recruta aguarda o início da investigação para dar seu depoimento e auxiliar na investigação.“Como foram ofensas feitas diretamente à pessoa dele, no local de trabalho e via mensagem, os investigadores vão conseguir identificar os envolvidos. A intenção é denunciar dentro da esfera criminal e cível, pela gravidade da discriminação”, explicou Silva.

O que diz a Marinha do Brasil?
“A Marinha do Brasil (MB), por intermédio da Capitania Fluvial de Minas Gerais, informa que tomou conhecimento, nesta quarta-feira (31), sobre o caso em lide. A Força permanece à disposição dos órgãos responsáveis para colaborar com as investigações e ressalta que serão realizados todos os procedimentos necessários à apuração dos fatos.

A MB lamenta o ocorrido e reafirma o seu compromisso com a ética e com o respeito à dignidade da pessoa humana e reitera seu firme posicionamento contra condutas que afetam a honra e o pundonor militar.”

O que diz a Polícia Civil?
“A Polícia Civil esclarece que, por se tratar, em tese, de crime militar, as investigações ficarão a cargo da Corregedoria da corporação, cujo orgão é competente para apurar os fatos conforme previsão legal”.

O TEMPO

8 respostas

  1. Lamentável! Já por diversas vezes, já repreendi os mais modernos e já testemunhei contra mais antigos do que eu. Na MB isso acontece mesmo, diferente das outras Forças.

  2. Horrível, isso acontece não somente na MB e sim em todas as FAs, o que mais chama atenção é que no relatório dos processos do STM não consta nem um processo de crime de racismo para julgamento, será porque? Mas agora terá um.
    A turma do racismo na FAs têm sempre uma lábia Boa, se dissem arrependidos Mas são recorrentes, prontos para praticar o próximo racismo

    Meus parabéns ao guerreiro ñ caiu nessa.

  3. Típico Fruto de quem acredita piamente que Praça tem que ser e ser tratado como serviçal ou cidadão de classe inferior. Acreditam que possuem descendência inglesa, todavia desconhecem que a MB se originou de mercenários e toda sorte de párias ingleses navegantes que aqui migraram. Conheçam a história. A única Força genuinamente brasileira é o EB, pois ate a FAB veio dos States.

      1. Não posso colocar link aqui, mas pesquisa no google Acadêmico ou no google simples as palavras: marinha brasileira de mercenários e então saciará sua sede de conhecimento e vera o que disse. Quando estudava conhecimentos navais para o QOAA, mas Não somente em literatura militar, abri o leque no assunto, sem se doutrinar nos parcos conhecimentos.

    1. Isso de origem remota é assunto pífio. A FA surgiu na Segunda guerra, o Esquadrão tinha poucos pilotos, mas trabalharam mais qie os americanos, para compensar em número de missões.
      Isso de origem estrangeira é conversa fiada.

      1. Ele está certo, a FAB começou lá em 1916 com a Aviação Naval e depois com a do EB, cuja fundição ordenada por getúlio em 1941, acabou por gerar a FAB nos termos de hoje.

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