Exército transfere vila militar e reduz desmatamento com Escola de Sargentos

PROJETO ESA

General descartou o risco de Pernambuco perder o empreendimento para outro estado

A partir deste ano, o Exército começa a avançar com o projeto, que tem previsto investimento de R$ 1,7 bilhão.

Às vésperas da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Exército anunciou nova mudança no projeto da Escola de Sargentos. O gerente do Subprograma de Implantação da Escola, general Joarez Alves Pereira Júnior, do Comando Militar do Nordeste, afirmou vila militar será transferida para uma área adjacente, fora do campo e da Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe. Com isso, o desmatamento da Mata Atlântica cai de 180 hectares, como apresentado no projeto original, para 90 hectares.

General Joarez Alves Pereira Júnior, comandante militar do Nordeste, e Ana Luiza Ferreira, secretária de Meio Ambiente de Pernambuco, em entrevista coletiva no Recife — Foto: Pedro Alves/g1

O anuncio foi feito em coletiva de imprensa, na tarde desta quarta-feira (17). “Os 90 hectares vêm de uma proposta trabalhada com o Fórum Socioambiental feita ao Ministério da Defesa”, afirmou.

No entanto, os representantes do fórum não puderem participar da coletiva, porque foram impedidos de entrar. Ainda assim, Herbet Tejo, presidente do fórum, disse que a redução anunciada pelo Exército estaria de acordo com o que a entidade defende, embora tenha criticado o impedimento de acesso ao local. “Fazemos parte do Grupo de Trabalho criado pelo Governo do Estado para discutir o projeto”, reclamou.

Exército descarta mudanças
O general Joarez descartou o risco de Pernambuco perder o empreendimento para outro estado diante das modificações. “Estamos fazendo tudo aquilo que é previsto, que é necessário e legal para a implantação da escola. Todos os nossos estudos indicam a viabilidade dela ser implantada aqui”, garantiu.

Em dezembro, o Movimento Econômico publicou uma reportagem especial sobre a Escola de Sargentos, mostrando seus impactos positivos e negativos sobre o Pernambuco, inclusive o que estava em jogo diante de 130 hectares de desmatamento de Mata Atlântica madura. A reportagem também mostrou a importância da presença do Exército, que ocupa a área desde os anos 40, para a preservação do local. Dias depois o Exército decidiu reduzir, novamente, a área a ser desmatada.

O impacto positivo é econômico e ele se estende sobre Abreu e Lima e Paudalho, onde será instalada, e também aos vizinhos municípios de Araçoiaba, Camaragibe e Tracunhaém. A renda proveniente dos salários dos militares fará com que R$ 211 milhões a mais circulem anualmente nestas localidades, que carecem de força econômica para gerar renda e melhorar as condições de vida da sua população.

O problema é que o local escolhido para construção, o Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC), está situado numa área densamente ocupada pela Mata Atlântica. Trata-se da maior reserva florestal que há ao Norte do Rio São Francisco e uma das maiores do país. O projeto da ESA vinha gerando polêmica porque, previa desmatar 130 hectares na Área de Preservação Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, o que equivale a 130 campos de futebol (originalmente eram 180 hectares, mas a área foi reduzida por pressão da sociedade civil).

Na reportagem, o Movimento Econômico ouviu quatro diferentes atores envolvidos no processo: Exército, o Fórum Socioambiental de Aldeia, o Governo de Pernambuco e a Academia. Cada um coloca seu ponto de vista. O link de acesso ao conteúdo está no fim desta matéria.

Na reportagem, o general Nilton José Batista Moreno JR, gestor de Projetos Estratégicos do Comando Militar do Nordeste, informa que partir deste ano, ESA, que tem previsto investimento de R$ 1,7 bilhão, começa a dar avanços significativos. Segundo ele, os próximos passos são a elaboração dos anteprojetos para licitação das áreas a serem construídas, bem como o plano de compensação ambiental. As licitações para as obras devem ocorrer em 2025.

Movimento Econômico

27 respostas

  1. Nossas Forças Armadas só vivem de aparências, formaturas e apresentação pessoal. Deveriam acabar com todos os PNRs, que só causam despesas, não comporta todos os milicos, mas as aparências e ostentação é o que importa.
    Deveriam pagar salários atrativos isso sim.
    O resto é Enxugar gelo.

    1. Está dando esta ideia porque está na reserva, fala sério, PNR é a salvação do praça. Vou ficar no pNR até ir para reserva, daqui ninguém me tira.

  2. Se fosse uma empresa privada já teriam utilizado outra alternativa.

    Qual o custo dessa confusão para os cofres públicos?

    Qual o custo para mudar para outra cidade?

  3. Essa galera é contra o desmatamento de uma área que era cana de açúcar e agora está com mata regenerada não original. Estão ativos também no Pará onde dezenas de balsas estão escoando milhares de M³ de madeira todos os dias? Seus habitats foram construídos em savanas? Nas areias de Recife? Não havia florestas onde residem? Seus terrenos. sítios ou chácaras estão arborizados com o percentual obrigatório pela lei ambiental? Só queria saber!

  4. Com tantos canaviais ao redor o que importa é desmatar. Ali, Fábrica da Heineken no meio da plantação, Itaipava e Ambev idem. Jeep também do mesmo modo.

    Instituição de visionários vixe!!…impossível conseguir doação de uns hectares de cana.

    Especulação imobiliária isso sim

  5. Devo dizer que o exército brasileiro não tem relevância mundial,o Brasil não vive em guerra, então o mais barato seria forma esse povo na Venezuela,para os cofres públicos seria uma redução considerável.

  6. Num outro projeto , na cidade de Santa Maria/RS, tudo seria ótimo para o exército, já tinha o local , projetos e contingente para a obra, sem nenhum impacto ambiental. Foi uma decisão política e não foi técnica. Os Generais foram movidos politicamente.

  7. O Estado de Pernambuco demonstra claramente estar no contra-fluxo de uma agenda ambiental comprometida com a crise climática, conservação da Biodiversidade e Preservação dos estoques de carbono, que o desmatamento vai causar ao bioma mata Atlântica com a Construção da Escola dos sargentos – ESA, na Região Metropolitana do Recife.

  8. Olha tem em Ponta Grossa a fazenda do Embrapa.Area extensa não tem que desmatar area nenhuma.Com aeroporto e proximo a Curitiba com inumeras conexões de voos.

  9. Espero que seja instalado a esa pois vai ajudar a muito jovem seguir um careira de honra, determinação 🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷tmj

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