Governo Lula pode mandar tropas para fronteira com a Guiana ou fazer diplomacia de gogó

LULA e MADURO

Os sinais que Maduro deu até agora são de que deve ser levado a sério
FRANCISCO LEALI

Quando um país vizinho vem a público para ameaçar outro de invasão, nomeia interventor da terra que não lhe pertence e até divulga mapa já como se a anexação estivesse garantida, os demais podem assistir passivamente ou escolher mandar recados brandos ou duros. Se o ditador Nicolas Maduro deseja transformar em solo venezuelano o que hoje a cartografia diz que é da Guiana, o governo brasileiro, o “grande irmão” ao lado, passa a ter papel definidor no que pode ser uma ameaça real ou apenas um factoide vindo de Caracas.

Os sinais que Maduro deu até agora são de que deve ser levado a sério. O governo da Guiana pelo menos já levou. Recorreu aos Estados Unidos. Os dois países anunciaram uma coincidente operação de militar conjunta explicada, para quem quiser crer, como ação “de rotina”.

Do lado brasileiro, o presidente Lula mandou recados públicos de que não cabe guerra no continente. Mas poupou Maduro da crítica dura de que a América do Sul não vai aceitar invasão e quem a patrocinar estará contra todos. Não é do feitio do petista comprar briga com aliados. Muito menos queimar pontes antes da hora. Pelo andar das coisas há quem defenda que ainda é possível acionar a diplomacia para evitar o pior.

Pode ser, entretanto, que só o gogó e rodadas de conversas não resolvam. Se um líder está disposto a fabricar um conflito armado em tempos de aparente paz, só palavras podem não dissuadi-lo.

Nesse cenário de risco bélico, a cartilha da caserna prega que é preciso planejar, antever os conflitos e traçar cenários indicando forças a serem mobilizadas em caso de necessidade. Os arquivos do Exército guardam registros de preparações do gênero.

Nos anos 60/70, quando a Argentina ainda era vista com desconfiança entre os militares, a Força brasileira produzia documentos sobre o hipotético poderio bélico do vizinho ao Sul. Mais tarde, para eventuais riscos de conflitos na região, o Exército também manteve ativos planos de deslocamento de tropas a partir do Sudeste em direção à fronteira. Os documentos ficaram guardados com carimbo de ultrassecreto até virem a público quando o sigilo caducou.

Os registros confirmam que é função militar antever riscos e se preparar para eles, ainda que sejam só potência e não concretude. Agora que temos Maduro a querer trazer os delírios para o campo do real, as Forças Armadas podem oferecer a Lula alertas e até mesmo planos de contingência. Se o presidente quererá já autorizar eventuais deslocamentos de tropas e apetrechos mais para perto da Guiana, esse é um gesto que pode até escalar a crise. Mas haverá quem considere que isso também serviria para deixar claro de que lado o Brasil ficaria se a Venezuela, de fato, ultrapassar seus limites.

O movimento militar, mais do que uma declaração de que o País quer intrometer-se militarmente na região, pode ser em caráter preventivo. E, como no discurso oficial de Guiana e EUA, o governo brasileiro sempre poderá alegar que se enviou aviões militares com carregamento extra para a região Norte o fez por “rotina”.

ESTADÃO

6 respostas

    1. As duas, nobre “# disse”, de GOGÓ e de GORÓ. Entre Ucrânia e Russia ele disse que a guerra poderia ser resolvida numa mesa de cerveja.

  1. Esse encantador de serpentes, vivia esgoelando que iria resolver a guerra entre Rússia e Ucrânia.

    Recentemente, foi a vez do conflito Israel x Hamas. E lá foi ele de novo, em busca do Prêmio Nobel da Paz, dizer que iria acabar com o conflito conversando numa mesa com os contendores.

    Mas eis que do lado do seu quintal, ele não dá nenhum pito na decisão do seu Amigo venezuelano em anexar parte de outro país.

    Ora, se é o papa da conversa, de acabar com guerras, por que ainda não foi falar com seu amigo ditador para refrear essa decisão que pode iniciar mais um conflito?

    Respondo: porque és um completo hipócrita, charlatão, mero conversador para agradar a plateia.

    E ainda tem plateia que o aplaude.

    É como dizem: só existe malandro, porque existem otários.

  2. Quando leis e tratados são ignorados, o caos se instala. Esta seria a oportunidade do Brasil ser protagonista na América do Sul, era para o Exército Brasileiro estar em exercício conjunto com a Guiana e a FAB e MB patrulhando e colaborando na defesa do nosso vizinho ao Norte. Um protagonismo desses colocaria nossas Forças Armadas em outro patamar, mesmo não se concretizando um conflito armado. Agora, os soldados americanos estão no nosso quintal protegendo a Guiana de um ditador comunista e ao mesmo tempo aumentando sua influência na América do Sul, enquanto nossos soldados pintam meio-fio e lutam bravamente na guerra contra o mosquito da dengue. Como diria Boris Casoy, “isto é uma vergonha!”

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