Caravanas golpistas selaram quebra de confiança entre ministro e comandante do Exército

General Arruda sabre de Caxias

Os bastidores da véspera do dia 8/1, quando José Múcio Monteiro foi informado de que cerca de 100 ônibus com radicais estavam chegando em Brasília.O dia era 7 de janeiro. Num restaurante português na Asa Sul, bairro central em Brasília, o ministro da Defesa recém nomeado, José Múcio Monteiro, almoçava com sua mulher e um amigo. Na mesa ao lado, outro integrante do governo Lula, o chanceler Mauro Vieira, também degustava sua refeição.
A conversa começou amena, sem grandes preocupações, mas foi mudando no curso do tempo. Em coisa de duas horas, a descontração deu lugar à consternação, preocupação e, em última instância, profunda desconfiança.
É que Múcio, na véspera do fatídico 8 de janeiro, fora avisado de que cerca de 100 ônibus com militantes bolsonaristas radicais estava se dirigindo a Brasília, para se somar a golpistas que estavam acampados em frente ao quarte general do Exército.
A conjuntura era especialmente delicada para o ministro, que na primeira reunião ampla com colegas do governo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia replicado a versão que ouvira do então comandante do Exército, general Arruda: a de que o acampamento estava se desfazendo por si só, e que portando não era preciso de intervenção das forças de segurança.
A posição adotada pelo ministro na ocasião fez barulho e gerou críticas quase de imediato. Múcio foi acusado dentro do próprio governo de excesso de comedimento na lida com os golpistas, mas segurou as críticas ladeado nas informações que havia recebido do comandante do Exército.
Múcio recebeu, durante seu almoço em um restaurante português na capital federal, a informação de que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) havia detectado um volume incomum de ônibus fretados com destino a Brasília.
O ministro não escondeu sua frustração por não ter sido alertado pelos militares. Ainda durante o almoço, protestou: “Sinto-me traído”.
Múcio viu no movimento a mais clara quebra de confiança entre ele e o comando do Exéricito. Mais: passou, já ali, a debater quando ordenaria o desmanche do acampamento golpista, se segunda-feira (9) de dia ou de noite.
O problema é que antes da segunda veio o domingo, dia 8 de janeiro. Aquele dia terminou com os ministros da Defesa, Múcio, e da Justiça, Flávio Dino, discutindo ásperamente dentro de um Palácio do Planalto revirado e vandalizado pelos golpistas.
O acampamento foi desfeito com ordem da Justiça na manhã seguinte.
Hoje, a Polícia Federal avança sobre 53 suspeitos de terem bancado, direta ou indiretamente, a caravana golpista que abriu os olhos do ministro da Defesa para a incerteza dos diagnósticos que recebia das Forças até ali. Menos de 15 dias depois, o general Arruda deixou o comando do Exército, e Múcio indicou outro nome, um legalista, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, para o posto.
g1

Uma resposta

  1. Mais narrativas revisionistas para responsabilizar alguns bodes. Há vídeos de pessoas, dentro da quebradeira, especialmente a Ana Priscila Azevedo, que fez a convocação para a invasão, pedindo o PIX e bradando: _Missão dada, missão cumprida!
    Quem lhe deu a missão? Pedia o PIX a quem? Por quê não foi convocada à CPMI?

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