Herói da Segunda Guerra comemora 106 anos

Tenente Coronel Nestor e os filhos (Matheus Veloso/Metrópoles)

Tenente-coronel da 2ª Guerra Mundial faz 106 anos e revela longevidade
O tenente-coronel Nestor da Silva serviu no campo de batalha na 2ª Guerra Mundial na Itália, em 1944. O herói nacional completou 106 anos

Marina Ferreira, Claudia Meireles
“Inspiração”, “exemplo” e “herói nacional” são palavras comumente usadas para descrever Nestor da Silva, tenente-coronel da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que serviu no campo de batalha na Segunda Guerra Mundial na Itália, em 1944. Nessa quinta-feira (13/7), o oficial comemorou a chegada dos 106 anos com uma magnífica homenagem do Exército.

Nestor mostra a medalha mais importante (Matheus Veloso- Metrópole)

Casado com Niva da Silva, de 95 anos, o grande herói é pai de cinco filhos — Nestor Filho, Rita, Márcia, Simone e Cássio —, avô de 10 netos e tem oito bisnetos. Com uma vida de dedicação ao Exército, o tenente-coronel foi surpreendido com um tributo do Comando Militar do Planalto (CMP), liderado pelo comandante Ricardo Carmona, e da Banda de Música do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília (BPEP).

Familiares, amigos e integrantes do Exército se reuniram para parabenizar Nestor. Natural de Lagoa Santa, em Minas Gerais, o aniversariante desceu do apartamento em que mora, na Asa Sul, a fim de receber as condecorações. Ao lado dele, estava a todo momento a esposa, Niva. Por vezes, os dois ficaram de mãos dadas. O casal soma 74 anos de matrimônio.

Quando a banda tocou os hinos militares, o centenário cantou junto e soltou a voz. O episódio surpreendeu a todos, inclusive, o comandante Carmona, que fez um discurso comovente. “Quando temos em vida, um herói, um combatente, um exemplo de soldado, o coronel Nestor, isso nos serve de estímulo e de referência, eu não tenho palavras para agradecer o que o senhor fez pelo nosso país”.

“O seu ato de heroísmo faz com que nós, nos dias de hoje, superemos todas as dificuldades e os obstáculos, tendo no senhor um exemplo de vitória e de perseverança. Crianças, jovens e adultos têm no senhor aquilo que vemos em histórias de quadrinhos. Nós temos em vida. Parabéns pela sua vitalidade e sua saúde, em nome do Exército, em nome do nosso país, o meu muito obrigado.”
Ricardo Carmona, comandante do Comando Militar do Planalto (CMP)

Durante a homenagem, a Coluna Claudia Meireles teve a honra de conversar com Nestor da Silva. Esbanjando simpatia, o mineiro comentou se sentir feliz em celebrar 106 anos. “Eu fico esperando com toda boa vontade, com toda guerra e acho que a esperança é a última que morre, por isso, eu vou ter essa esperança”, expressa.

Questionado a respeito do seu segredo da longevidade, o tenente-coronel de 106 anos fez uma confissão aos risos: “É uma pinguinha”. Ele consome a bebida diariamente antes do almoço. “O dia que eu não tomo, fico triste. Tem de ser com um pouquinho de açúcar”, confidencia. Na hora da revelação, um dos netos do herói nacional, Bruno da Silva, estava ao lado e confirmou o hábito do avô.

Entre tantas histórias vivenciadas em sua trajetória ímpar, Nestor ama lembrar e discorrer da promoção que teve. Quando desembarcou na Itália para representar o Brasil na Segunda Guerra Mundial em 1944, ele estava como segundo-sargento. Um dos comandantes do pelotão saiu e o mineiro recebeu o convite para liderar o grupo.

“O general Mascarenhas de Morais me convocou. Ele disse: ‘Chamem o sargento Nestor’. Quando falaram que era o general Mascarenhas, eu fiquei nervoso. Na conversa, ele me deu os parabéns e comunicou que no dia seguinte ia assinar a minha promoção de segundo-sargento para segundo-tenente. Até hoje eu estou comemorando essa guerra”, partilha Nestor.

Nestor entrou para o Exército em 1938, como praça voluntário no então 10° Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte. De lá para cá, o tenente-coronel coleciona 17 medalhas. De todas, ele guarda um sentimento mais especial pela Cruz de Combate de Primeira Classe. “É a mais importante. É difícil ganhar essa medalha, porque é um destaque individual”, relata.

Resiliência
Exemplo de vitalidade, o mineiro há dois meses sofreu uma queda e fraturou o fêmur. Quem tratou o centenário foi o renomado médico Marcelo Ferrer. Nestor fez história mais uma vez ao se tornar o paciente mais longevo da trajetória do Instituto Ferrer de Ortopedia, na Asa Sul.

À coluna, Marcelo definiu o ilustre paciente como: “Uma inspiração de vida, vitória, perseverança e de cuidados com a saúde, porque uma pessoa chegar aos 106 anos tem de ter se cuidado bem. Um exemplo e até me emociono, pois serve como referência e como objetivo de que possamos chegar a essa idade também.”

O ortopedista testemunha que o resultado da operação no tenente-coronel foi impressionante, assim como a recuperação. “O senhor Nestor completando 106 anos, em uma situação muito boa, após uma fratura no fêmur, e já está andando”, enfatiza. Marcelo Ferrer alega que todo o hospital se encontra em festa pelo aniversário do lendário paciente. O médico deu uma escultura de Ares, deus da guerra.

Homenagens
Cássio da Silva veio diretamente de São Paulo para festejar os 106 anos do pai nessa quinta-feira (13/7). Anualmente, ele faz a ponte-aérea a fim de celebrar a vida do patriarca.

É uma pessoa que está desafiando a vida até agora, apesar de tudo o que acontece e aconteceu nos últimos anos com a saúde dele. Ele é uma pessoa muito forte. Todo ano eu estou aqui, moro em São Paulo. Não tem como não vir, porque é uma história de vida que não é para qualquer um. São poucas pessoas. E sorte a minha que ele é meu pai.
Cássio da Silva

Simone da Silva descreve o pai como “maravilhoso”, “carinhoso” e “amoroso”. Ela relembra com esmero das histórias de patriotismo de Nestor. “Uma pessoa que merece chegar aos mais de 100 anos, porque teve uma vida de dedicação ao Exército, de glórias e participou da Segunda Guerra Mundial. Ele me ensina até hoje e é um grande exemplo”, reforça.

Um dos 10 netos do grande herói nacional, Bruno Silva, visita o avô toda semana. “Ele sempre foi um cara agregador. Sempre pensou muito na família. É uma emoção ter essa homenagem do Exército para ele”, frisa. Segundo o familiar do centenário, as histórias da guerra são as mais legais, embora Nestor também tenha sido paraquedista do Exército e colaborador da Funai após se aposentar.

METRÓPOLES

4 respostas

  1. Tive o orgulho de servir com intão Cap Nestor na época na Brigada Aeroterrestre em 69 e 70. Era cabo Pára quedista, recem formado, e trabalhava na 1 Seção do QG da Brigada, sempre via o Cap Nestor , com papelada na mão indo nas seçoes, pois ele também servia no QG da Brigada na época,tempo bom que não volta mais, deixou saudade, nos meu 28 anos de Brigada, Sgt QE Gomes – Aux de prec e Pqdt, tenho Orgulho de pertencer ao Verde Oliva, Deus Seja Louvado

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