Militar brasileira no Sudão relata os últimos dias de conflito no país

Major Gabriela - Sudão

A major Gabriela iniciou um trabalho pioneiro em missões da ONU no continente africano

Ricardo Fan
El Fasher (Sudão) – “Agora a gente vê milhares de refugiados procurando as fronteiras para fugir da violência”, este é o relato da única militar brasileira no Sudão, Major Gabriela Rocha Bernardes. Desde o último dia 15, o Sudão tornou-se palco de conflitos entre as forças armadas e grupos paramilitares numa grande disputa de poder. Os confrontos começaram dias antes da assinatura do acordo final para a transição política do Sudão dos militares do país para os civis.

A oficial do Exército Brasileiro iniciou um trabalho pioneiro a serviço de uma das mais recentes missões da ONU no continente africano. Desde o mês de junho de 2022, a militar atua como oficial de relatórios do Comitê Permanente de Cessar-fogo da Missão Integrada das Nações Unidas de Assistência à Transição no Sudão (UNITAMS), função que tem como objetivo monitorar e registrar os acordos e as negociações de cessar-fogo na região de Darfur, oeste sudanês.

Major Gabriela conta que é voluntária e foi preparada pelo Exército para representar o Brasil junto à ONU no processo de paz no Sudão. Porém, a situação dos últimos dias sofreu uma reviravolta. “Ninguém esperava a eclosão de tamanha violência”, explica a militar.

Segundo a Major, a orientação da ONU é para que seus integrantes mantenham-se em suas casas e aguardem outras instruções, e acrescenta que, praticamente, a única opção é a evacuação aérea. “Eu e cerca de 100 integrantes da ONU e de agências humanitárias estamos aguardando e acreditamos que isso está prestes a acontecer”.

Apesar da reviravolta no fim da missão, a militar demonstra o valor do Soldado de Caxias e entende que uma situação como a que vive nos últimos dias pode acontecer nesse tipo de missão. “Não é fácil, mas a gente consegue contribuir com a presença do nosso país junto à ONU e à comunidade internacional, que tanto precisa de paz, em particular neste momento que o mundo atravessa”, completa a Major.

defesanet/montedo.com

3 respostas

    1. Preparado pra guerra ngm está.
      80 anos que nao entramos em uma, e quando entramos, mandamos os r2 e os pms.

      A major é preparada para uma missao de paz, isso que esta na reportagem.

      Nao tem como ser preparado pra guerra sem saber interpretar um texto

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