Ônibus do Exército, depoimentos em salas separadas e 50 delegados: como a PF ouviu militares sobre atos golpistas

Exército forneceu dois ônibus e um caminhão para levar militares prestarem depoimento na PF sobre os atos de 8 de janeiro Ton Molina/Fotoarena

Oitivas ocorreram na Academia Nacional da PF, mesmo local para onde mais de 1.500 pessoas foram levadas no dia seguinte às manifestações golpistas na Praça dos Três Poderes

Eduardo Gonçalves

BRASÍLIA – Oitenta e nove militares do Exército foram chamados para prestar depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira sobre os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro. Desses, 81 foram ouvidos por cerca de oito horas em duas rodadas de oitivas na Academia Nacional da PF — o mesmo local para onde mais de 1.500 pessoas foram levadas presas no dia seguinte aos atos golpistas.

A PF montou um esquema especial para realizar as oitivas simultaneamente — 50 delegados foram escalados. Pela programação definida pela corporação, 49 militares seriam ouvidos pela manhã, a partir das 8h, e os outros 40 a partir das 14h. No final, oito deles não compareceram.

A maioria deles se dirigiu à PF sem advogado. E alguns foram prestar depoimento usando a farda militar. O Exército também forneceu dois ônibus e um caminhão para levar alguns dos inquiridos.

Entre os militares de alta patente que depuseram hoje, estão os generais Gustavo Dutra, Carlos Feitosa Rodrigues e Carlos José Assumpção.

Dutra era o ex-chefe do Comando Militar do Planalto, responsável pela área em que foi montado o acampamento golpista na frente do Quartel General, em Brasília. Ele foi remanejado para um posto na subchefia do Estado-Maior em meio a desconfianças do governo Lula.

Rodrigues era secretário de segurança do e coordenação presidencial do GSI; e Assumpção era ex-secretário executivo do GSI. O Gabinete de Segurança Institucional era responsável pela segurança do Palácio do Planalto, que foi invadido pelos manifestantes golpistas.

Segundo nota do Exército, eles prestaram depoimento na condição de testemunhas no âmbito do inquérito 4923, que apura as circunstâncias que levaram aos ataques às sedes dos Três Poderes. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em depoimento à PF, comandantes da Polícia Militar do DF relataram que o Exército impediu a prisão dos acampados na noite do dia 8 de janeiro e adiou ações anteriores para desmontar o acampamento. As afirmações foram dadas pelos coronéis Fábio Augusto e Jorge Naime, que são investigados pela PF.

O Globo/montedo.com

3 respostas

  1. Efeito negativos da politização de parcela significativa da ativa das FFAA.
    Mais uma pra conta de capitão desajustado e dos novos marajás da República:
    – Heleno, Braga Netto e Ramos.
    Que para minha felicidade deveriam serem conduzidos a depor “debaixo de vara”.
    (ex-ministro Celso de Mello/STF)
    Tempo, Senhor Absoluto Da Razão.

    1. Bem eles não queriam Estado de exceção? Então, não deveriam ser conduzidos “sob vara” e sim “sob cassetete”. 😅

  2. esqueceram que o Exército tem Comandante e tudo que é feito passa pelo crivo do comando e os acampamentos “patrióticos” foram em todo o Brasil.

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