Governo defende que militar que disputar eleição não volte à ativa

VOTO MILITAR

RIO DE JANEIRO (Reuters) – O ministro da Defesa, José Múcio, e o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, defenderam nesta terça-feira em entrevista à Reuters que militares das Forças Armadas que se candidatem a eleições não possam mais voltar para a ativa.

Proposta nessa direção já foi encaminhado pela Defesa para análise da Casa Civil e depois será enviada ao Congresso Nacional para debate e votação.

A ideia inicial seria que o militar que se candidatar a um cargo eletivo teria que seguir para a reserva.

“Só tem eleição no ano que vem, vai dar pra gente discutir“, disse Múcio à Reuters. “É algo que todo mundo está querendo.”

Múcio espera que as novas regras já estejam aprovadas para as eleições municipais de 2024.

Estima-se que na eleição de 2022, mais de mil militares se candidataram a cargos eletivos.

“Quando ele (militar) vai (se candidatar) é por que não está mais acreditando no que está fazendo e não quer mais a vida militar“, disse Múcio.

O objetivo do governo é deixar para trás a politização das Forças Armadas, algo comum no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Múcio avaliou que os militares quando voltam à ativa após uma candidatura voltam com um mentalidade mais politizada.

“Quando ele vai, perde e volta, volta com a cabeça na política e pensando na próxima eleição. Começa a fazer movimento interno, grupos e começa a tirar o espírito da hierarquia e disciplina. Não volta mais militar“, argumentou o ministro.

Apesar da proposta, Múcio garantiu que as relações com as Forças Armadas são “ótimas“. O governo Bolsonaro, que é capitão da reserva, foi marcado pela identificação com os militares.

“A relação nunca foi tão boa. É um ambiente pacífico e de parceiros. Se ajudam e o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) tem prestigiado e diria que está tudo ótimo e há harmonia absoluta“, ressaltou o ministro.

O comandante da Marinha fez coro às palavras de Múcio ao afirmar que as relações entre o Executivo e as Forças Armadas são saudáveis e positivas no novo governo.

Olsen concorda também que militares que se candidatam a cargos eletivos não deveriam voltar à ativa após a participação no pleito.

“Quando ingressamos na Força fazemos um juramento que é se dedicar inteiramente às Forças Armadas. É lícito de cada um como conduzir a sua vida, mas se há uma opção na política, seja em outro segmento, não vejo compatível exercer as duas. A Força requer comprometimento e dedicação”, disse Olsen. “Entendo que se dedicado à atividade política não cabe voltar.“

Olsen considera estranho se falar em compatibilizar a carreira militar com a participação política.

“Me parece não ser compatível alguém que concorre ao processo eleitoral, não obtido sucesso, que regresse para a Força. Defesa é algo peculiar, que envolve valores, abnegação, é algo particular“, concluiu Olsen.

REUTERS/montedo.com

7 respostas

  1. A matéria fala em “militar se candidatar” e não em sair da vida militar para ser candidato, o que já ocorre, com a diferença que não seria necessário ser eleito para passar para a reserva. Eleitores podem ser eleitos. Haverá na verdade um estímulo às candidaturas como forma de antecipar a inatividade dos militares com mais de 10 anos de serviço.

  2. Vou além, por que já não nos proíbem de votar? Afinal, não somos cidadãos, somos qualquer outra coisa, menos cidadãos. Não temos direito algum, apenas obrigações. A profissão militar não é sacerdócio, troco o meu tempo por salário. Se pelo menos nos pagassem bem para abrir mão destes direitos, nem isso fazem. Uma palhaçada.

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