Interventor aponta inação do Exército e omissão do comando da PM em 8/1

Invasão Planalto

Carla Araújo e Vinicius Nunes, do UOL, em Brasília

O relatório final da intervenção da Segurança Pública do Distrito Federal, elaborado pelo interventor Ricardo Cappelli, afirma que houve falha operacional dos comandantes das forças de segurança do Distrito Federal para coibir os atos golpistas de 8 de janeiro e também aponta diretamente a conivência de militares para com a manutenção do acampamento bolsonarista em frente ao QG do Exército, em Brasília.

O local seria um “centro de planejamento contra a democracia”, segundo Cappelli.

O texto lista todas as operações planejadas para a desmobilização do acampamento golpista até 9 de janeiro, dia seguinte à manifestação, e diz que os avanços foram interrompidos por “orientação do Exército Brasileiro”.

O local seria uma espécie de incubadora para o ato do dia 8. Na medida em que o acampamento foi se estruturando, diz o texto, observou-se que algumas medidas de segurança foram adotadas, como o uso de rádios-comunicadores, e a atuação de alguns membros em ações características de serviço de segurança privada.

“Desde o fim de 2022, ocorreram ações planejadas com o intuito de desmobilização do acampamento, porém foram canceladas por fatores alheios às forças de segurança do Distrito Federal, sendo algumas operações interrompidas já em andamento e com tropas da segurança pública no terreno, por orientação do Exército Brasileiro”, diz o relatório.

Leia a íntegra do relatório do interventor

Raio-x do acampamento golpista
O texto também monta um raio-x do acampamento golpista. Chama de “complexa e engenhosa organização” todo o aparato que os golpistas tiveram desde que iniciou-se a mobilização, em 31 de outubro. Havia, segundo o texto, cozinha, medicamentos, atendimento médico, geradores, acesso à internet, água quente, entre outros.

Havia apoio logístico com alimentos e água potável, além de doações recebidas por Pix e transferências bancárias. Em 11 de novembro, foram contabilizados 310 veículos no local.

Manifestantes com técnicas de confronto
O documento diz ainda que, até o momento, seis inquéritos policiais militares “foram instaurados para apurar a conduta e omissões dos comandantes, subcomandantes e outros policiais no episódio do dia 08 de janeiro”.

O interventor afirma também que as “ações realizadas pelos manifestantes durante o dia 08 foram planejadas e coordenadas, mostrando conhecimento dos locais invadidos e técnicas de confronto”. O relatório apresenta, inclusive, imagens que mostram o “movimento sincronizado para retirada dos gradis”.

Duas horas para providências policiais
O relatório afirma ainda que houve uma demora de pelo menos duas horas para providências policiais. Pelas imagens obtidas é possível verificar que a movimentação de manifestantes começa no acampamento localizado em frente ao QG do Exército Brasileiro “pouco depois das 13h e se desloca em direção à Esplanada dos Ministérios”.

“Por volta de 14h25 os manifestantes rompem a linha de revista existente no buraco do Tatuí, permitindo a entrada sem a realização de inspeção. No intervalo de tempo entre a saída do QG do Exército e o rompimento da linha de revista, foram identificadas pessoas portando rojões, gás de pimenta, pedras, estilingue e outros objetos que demonstram o intuito de praticar atos violentos”, diz o documento.

O interventor afirma ainda que “às 14h43, ocorre a aproximação da manifestação da linha de contenção na Avenida da Bandeiras pela N1, onde manifestantes que já se encontravam na Esplanada assumiram posição nos gradis localizados na extensão em frente ao Congresso Nacional, e em movimento sincronizado, puxaram os mesmos para a retaguarda, permitindo a quebra da barreira e avanço dos manifestantes para desmontar a próxima linha de gradis e prosseguir para o Congresso Nacional”.

Segundo o documento, de acordo com as informações da PMDF, somente às 15h o efetivo do Complexo Administrativo que se encontrava de sobreaviso desde o dia anterior, foi acionado para se deslocar à Academia de Polícia Militar de Brasília para mobilização e direcionamento para a Esplanada dos Ministérios.

“Houve, portanto, um intervalo de aproximadamente duas horas entre o início da manifestação e a tomada de providências operacionais de reforço para reprimir as ações em andamento”.

Para elaborar o documento, o interventor usou informações do Gabinete da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), pela Subsecretaria de Operações Integradas da SSP/DF (SOPI), da Subsecretaria de Inteligência da SSP/DF (SI), além de outros dados obtidos em outras fontes abertas.

Impasse com generais
Além da resistência do comandante do Exército na ocasião, general Júlio César de Arruda, em acabar com o acampamento e prender os manifestantes que estivessem no QG na noite do dia 8 de janeiro, o relatório diz que o interventor também teve dificuldades para efetuar prisões e que o general Dutra, também não acatou a ordem para o fim do acampamento naquela noite.

Arruda foi demitido do Comando do Exército dias depois e uma das razões também foi a de não acatar a ordem do ministro da Justiça, Flávio Dino, para encerrar o acampamento.

Segundo Capelli, ainda com manifestantes na Esplanada dos Ministérios, ele determinou que uma linha defensiva de policiais “avançasse a fim de empurrar os manifestantes para fora da Esplanada e efetuar o máximo de prisões possíveis”.

“Houve muita dificuldade para que a ordem fosse cumprida, a linha passou a avançar lentamente, dando tempo necessário para que parte dos vândalos deixasse o ambiente e outros voltassem para o acampamento dentro do Setor Militar Urbano”, diz.

O interventor relata que algumas prisões foram efetuadas na altura do Terminal Rodoviário e quando a linha de policiais chegou na entrada do Setor Militar Urbano ele determinou que “o comandante-geral da PMDF mobilizasse a tropa para efetuar as prisões no acampamento em frente ao QG do Exército, movimento que foi abortado pela intervenção do General Dutra, comandante militar do Planalto, que ponderou para que a ação acontecesse somente no dia seguinte pela manhã”.

UOL/montedo.com

9 respostas

  1. um idoso/criança deitado dentro de uma barraca, agora é perigo para a democracia ? Quem estava acampado e não participou do quebra-quebra e foi preso, é considerado criminoso também? essa prisão não foi arbitrária? baixando a poeira vai ser tanto processo por abuso de autoridade que essa turma do – Dino – Vai ficar de cuecas.

    1. Certamente o Sr deve ser da época do fundamental.

      Teoria da ubiquidade: local do crime. Se está no local do crime há quatro possibilidades: cometeu ou participou do crime, é cúmplice ou testemunha.

      1. Idoso com criança no acampamento: aliciamento de menores.
      2. Quem acampou e não foi quebrar o congresso: cúmplice (em teoria).
      3. prisão árbitra? Não, STF/TSE deu ordem e Tempo hábil para a desocupação do local.
      4. Lei de abuso de autoridade prevê benefício ao agente público, que não houve.

  2. Caso simples, acreditem. Basta identificar os responsáveis e puni-los. Só.
    Como os responsáveis são os chefes, zefini.
    Qual o Problema? o corporativismo Exército do e da PM.
    Se não tiver a proteção dos amigos medalhados de ambas corporações, tudo será resolvido como deve ser. a sociedade, enfim, terá a sua paz e a justiça que merece

  3. Não adianta prender somente os desmiolado patriotarios . Tem que emitir ordem de prisão internacional para aquele bandido que fugiu e trazer esse verme de volta para pagar pelos seus crimes de terrorismo e genocídio pois vai ser passado pano para terrorista DE NOVO igual na primeira vez com a explosão no quartel do exército. Até qdo iremos conviver com esse show de horrores??? Que país é esse??????

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para o conteúdo