Marinha se recusa a antecipar troca de comando e gera impasse com futuro governo Lula

Desde os 10 anos de idade no ambiente da Marinha, Garnier disse que a mudança na Defesa foi surpresa. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Troca militar gera atrito mesmo após ação de ministro de Lula, e Marinha tem impasse
Comandante da Marinha não recebe Múcio, e Defesa informa data de passagem de cargo diferente da prevista por almirantes

Cézar Feitoza, Marianna Holanda e Victoria Azevedo
BRASÍLIA – A cinco dias da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda pairam dúvidas sobre as trocas nos comandos das Forças Armadas, mesmo após os esforços de conciliação do futuro ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
O principal entrave está na Marinha. Apesar de interlocutores no Ministério da Defesa dizerem que a troca no comando ocorreria nesta quarta (28) ou quinta-feira (29), auxiliares do comandante da Força, Almir Garnier, afirmam que a realização de uma cerimônia às pressas, antes da posse do petista, não é uma possibilidade.
Como a Folha mostrou, Garnier era um entusiasta da possibilidade de antecipar a troca na chefia. O Alto Comando da Marinha, no entanto, avaliou na última quinta (22) que a medida poderia causar ruídos e decidiu que o melhor cenário seria o comandante deixar o cargo após a posse de Lula.
Mesmo com o entendimento fechado durante a reunião do Conselho de Almirantes, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, apresentou a Múcio as datas de 28 e 29 de dezembro como as previstas para a troca no comando da Marinha.
Diante disso, integrantes da alta cúpula da Marinha falam em “interferência” da Defesa. O episódio resgata ainda uma disputa entre as Forças que não é de hoje, com uma prevalência do Exército sobre as demais pelo fato de um general estar no comando do Ministério da Defesa.
Auxiliares de Garnier reforçam que a Marinha é independente para tomar suas decisões e dizem que ela seguirá a tradição de troca de comando após a posse. A Força é a mais antiga e a mais tradicional, dizem.
Múcio foi anunciado como futuro ministro da Defesa em 9 de dezembro e assumiu o desafio de abrir interlocução com as Forças Armadas e desarticular a antecipação da passagem dos comandos —visto pela equipe de transição como uma insubordinação dos atuais comandantes.
Como estratégia, o futuro ministro da Defesa anunciou que escolheria os oficiais-generais mais antigos de cada Força como comandantes, o que reduz a interferência do governo nas cúpulas de Exército, Marinha e Aeronáutica.
Com os primeiros movimentos, Múcio conseguiu marcar reuniões com os comandantes Freire Gomes (Exército) e Baptista Júnior (Aeronáutica), além do atual ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
O único que não se reuniu com Múcio foi o comandante da Marinha, Almir Garnier.
Interlocutores do futuro ministro dizem que o militar tem se mostrado resistente a tentativas de aproximação, diante da derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele foi o único a criar empecilhos para a transição, dizem pessoas ligadas ao novo governo.
FOLHA/montedo.com

Respostas de 13

  1. As ameaças internas estão a todo rumo. Já são fatos consumados, tomada de poder pelo judiciário em um teatro de provocações pelos partidos políticos, pela democracia deles e pela ordem institucional corporativista com salários reajustados em cascata, 40 para eles, 0,5 para todos: é o socialismo.

    Não há ações permitidas contra o crime nas favelas onde os CPX se fortalecem como força auxiliar da esquerda. E as ameaças externas serão respeitadas com a abertura das fronteiras, passagem livre, sem combate, sem confronto.

  2. Esse aí, dos três Comandantes, é o mais bozonarista dentre eles, se pudesse já tinha empreendido um golpe há tempos. Ainda bem que Deus não dá asas a cobras.

  3. Esse senhor foi o pior Comandante da Marinha que se teve notícia, o que teve de péssimo, teve de excelente bajulador. Chegou a fazer um vídeo, antes das eleições, no qual afirmava categoricamente que os militares não contemplados na reforma (especialmente os da RRM) – a MB não tinha qualquer curso antes da reforma – teriam suas situações revistas administrativamente, com a clara intenção de cooptar votos do pessoal da RRM e suas famílias e conhecidos, dando uma de cabo eleitoral do bozonaro. Nunca vi na história naval e nem na minha trajetória uma pessoa assim. Não se trata de Lorde, apenas um mero serviçal e que os anais da história naval assim o circunscreva.

    1. Na minha opinião foi o melhor comandante que a mb já teve, ele é bem tropa, não é lorde que nem os outros. E você sabe muito bem que a tropa se amarrou nele também, você é o primeiro que eu vejo o criticando.

      1. Camarada, esse Máximus Polígonos sempre reflete nos outros aquilo que ele é. Se perguntar a ele como se planta bananeira ele vai colocar as mãos no chão. É isso que ele sabe fazer.

      2. Anônimo no 28 de dezembro de 2022 a partir do 18:03: “Na minha opinião foi o melhor comandante que a mb já teve…”, bem respeito sua opinião e diferentemente do que afirmei, não foi minha opinião apenas, como os dados citados por mim demonstram, ele foi, continua e até jan/23 o pior, simples assim. Mas respeito sua opinião.

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