Força Aérea marcou para o dia 23 a passagem de comando para o brigadeiro escolhido por petista; Marinha e Exército estudam fazer o mesmo em outras datas
Marcelo Godoy
Os comandantes das Forças Armadas planejam passar seus cargos para os oficiais-generais indicados pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva já em dezembro. A ideia é que o petista tome posse em 1.º de janeiro já com os comandantes de sua gestão. A Força Aérea tem até data marcada para a cerimônia de transmissão de cargo: dia 23 de dezembro. As demais Forças pretendem fazer o mesmo em datas diferentes.
Assim, a passagem de bastão de um governo para o outro começaria pelas Forças Armadas. Oficiais-generais ouvidos pelo Estadão consideram que não haveria problema nem mesmo legal, pois dizem acreditar que o presidente Jair Bolsonaro não se oporia a publicar os decretos para nomear os escolhidos por Lula. Na transição, o plano dos generais causou estranheza. É que os comandantes tomariam posse antes mesmo do ministro da Defesa, que deve ser um civil.
A medida evitaria quaisquer constrangimentos aos atuais comandantes, caso haja alguma ação ou protesto contra a posse do presidente eleito. Dentro das três Forças se nega a ideia de que a decisão seja uma forma de os atuais comandantes não terem de se submeter, ainda que por alguns dias, ao governo Lula. Acredita-se que a nova gestão deve “olhar para frente” e deixar o atual ambiente conturbado para trás, priorizando a modernização das Forças Armadas, sem envolvê-las na política partidária, como tem tentado o atual chefe do Executivo.
Foi só no 11.º dia da gestão de Bolsonaro que houve a passagem de comando do general Eduardo Villas Bôas para o general Edson Leal Pujol, o primeiro dos três generais que comandaram o Exército durante o atual governo. Foi o último dos comandantes militares a tomar posse no início do atual governo. O primeiro foi o brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez, em 4 de janeiro. O segundo foi o almirante Ilques Barbosa Júnior, em 9 de janeiro. Todos foram empossados depois de o general Fernando Azevedo e Silva assumir como ministro da Defesa.
Transição
Os comandantes das Forças já informaram ao senador Jaques Wagner (PT-BA) que aguardam apenas a designação dos responsáveis pela transição na área da Defesa para iniciar o processo. Os nomes do Grupo Técnico no governo de transição devem ser divulgados oficialmente ainda nesta quinta ou sexta-feira. A equipe de transição fez contatos com ex-comandantes de cada uma das Forças sobre a disposição de eles participarem do processo. Inclusive com aqueles demitidos por Bolsonaro, como mostrou o Estadão, a exemplo do general Edson Leal Pujol, do Exército, e do ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva.
Os comandantes das Forças Armadas em 2011, durante o governo Dilma, quando foi criada a Comissão da Verdade: almirante Julio Soares de Moura Neto, general Enzo Martins Peri, e o brigadeiro Juniti Saito, além do então chefe do Estado Maior, José Carlos De Nardi. Do grupo, apenas Saito ainda não confirmou se participa da equipe de transição do novo governo Lula.
Os comandantes das Forças Armadas em 2011, durante o governo Dilma, quando foi criada a Comissão da Verdade: almirante Julio Soares de Moura Neto, general Enzo Martins Peri, e o brigadeiro Juniti Saito, além do então chefe do Estado Maior, José Carlos De Nardi. Do grupo, apenas Saito ainda não confirmou se participa da equipe de transição do novo governo Lula. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Os nomes foram revelados ontem pelo Valor e confirmados pelo Estadão. Entre eles estão os generais Enzo Peri, que comandou o Exército de 2007 a 2015 e o general José Carlos de Nardi, que foi chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas – este último aceitou nesta quarta-feira, 23, o convite. Na Marinha, o almirante Júlio Soares de Moura Neto, que a comandou de 2007 a 2015. No caso da Marinha, pretende-se ainda um nome que esteja vinculado à área da energia nuclear, assim como na FAB a transição procura um brigadeiro ligado à área de ciência e tecnologia.
A transição convidou ainda o tenente-brigadeiro Juniti Saito, que comandou a FAB de 2007 a 2015, mas sua participação ainda não era certa para compor o grupo, assim como foram sondados para participar da equipe os professores Manuel Domingos Neto, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed), e Adriana Marques, coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Escolhas
Entre conselheiros do presidente eleito existe a ideia de que a escolha dos novos comandantes recaia sobre os três oficiais mais antigos de cada Força. No caso do Exército, o nome mais provável para o cargo é o do general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, atual comandante militar do Sudeste. Tomás foi ajudante de ordens dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, de quem se tornou amigo. Foi ainda chefe de gabinete do general Eduardo Villas Bôas.
No caso da Aeronáutica, a escolha recairia em Marcelo Kanitz Damasceno, atual chefe do Estado-Maior da FAB. Além do senador Jaques Wagner, os ex-ministros da Defesa Celso Amorim e Nelson Jobim têm servido de intermediários entre o novo governo e os militares. Leia mais.
ESTADÃO/montedo.com
Respostas de 4
Quanto mistério pra uma rotina tão extraordinário.
Isso porque nunca participaremos de qualquer conflito bélico.
Inacreditável o quarto de importância se dá pra esses moços.
País com milhões de problemas urgentes.
E grupo de transição e Bolsonaro nesse embuste e elicubracao total.
País sem vergonha
O povo tem o que merece. O depois apenas DEUS sabe, mas já temos uma ideia de como será.
Já estou até vendo os futuros desenquadrados ex-Cmt da MB e FAB, fiéis ajudantes-de-ordens de luxo do ‘mito’, os ‘twitteiros-minions’ na sana de atacar os Poderes com seus possantes desfiles de ‘tanques’ esfumaçantes, na reserva:
– bravíssimos atacando o governo comunista petralha.
– os mais novos leões das redes sociais.
Impossível escolher o mais raso funcionário público das FFAA acima.
Conta outra!!!