Equipe da Jovem Pan é hostilizada por bolsonaristas e sai de protesto escoltada pelo Exército

Equipe de jornalistas da Jovem Pan é hostilizada por manifestantes. Foto: Wilton Junior/Estadão

Repórter fazia relato ao vivo na TV quando foi interrompido por manifestantes pró-golpe por dizer que eles defendiam uma ‘intervenção militar’

Felipe Frazão
BRASÍLIA – Uma equipe de reportagem do Grupo Jovem Pan foi hostilizada nesta terça-feira, dia 15, por militantes bolsonaristas e teve que ser escoltada por militares para longe de um protesto de viés antidemocrático em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Os jornalistas cobriam a manifestação a favor de uma intervenção das Forças Armadas no poder.
Os profissionais de imprensa estavam identificados, com crachá da Jovem Pan e acompanhavam de perto a concentração do grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), que rejeita a vitória eleitoral e a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles pretendem impedir o petista de ser empossado.
Militantes intervencionistas reagiram quando o repórter relatava ao vivo no Jornal da Manhã, da TV Jovem Pan News, que havia um clamor por um golpe militar nas faixas e palavras de ordem do protesto. A emissora de rádio e televisão faz ampla cobertura dos protestos, com entradas dos repórteres, ao longo do dia.
“Existe um chamamento para que haja então uma intervenção militar ou intervenção federal, é o que dizem os manifestantes a todo momento, para que possa ter exatamente isso”, afirmou o repórter, quando o grupo atrás dele começou a reagir negativamente. “Não, não”, gritaram.
No momento, a Jovem Pan exibia na tela a imagem do repórter e uma tarja sobre os atos: “Brasília recebe manifestações contra resultado do pleito. Manifestantes também criticam a censura e a suposta ‘ditadura do judiciário’”.
O episódio ocorreu pela manhã, em frente ao QG, perto do acampamento de militantes de direita pró-golpe. O jornalista foi cercado por bolsonaristas, que criticaram o relato do repórter, diziam que ele deveria “falar a verdade” e o filmavam. “Mentiroso”, gritou um homem. “Vergonha o repórter da Jovem Pan”. Sob vaias, o jornalista não reagiu.
Cinco militares da Polícia do Exército cercaram os profissionais de imprensa e pediram que os manifestantes se afastassem para que a equipe da Pan deixasse o local.
A base de apoiadores de Bolsonaro se identificava com a emissora, que tem programas e comentaristas simpáticos ao presidente. Bolsonaro recomendava a programação da Pan. Seus militantes fizeram campanha em defesa da emissora durante as eleições, quando foi punida pela Justiça Eleitoral, e alegou estar sob censura.
O ataque dos bolsonaristas à imprensa repercutiu entre políticos.
“Quem diria. Até a Jovem Pan foi hostilizada por bolsonaristas na porta do quartel em Brasília. O repórter saiu escoltado pelos soldados do Exército”, reagiu a deputada Joice Hasselmann (PSDB-SP).


ESTADÃO/montedo.com

Respostas de 18

  1. Só pode estar errado o pessoal diz que é um protesto democrático? Essas coisas só a esquerda faz, acredito que o pessoal não fez isso,mais com a Jovem Pan que virou um puxadinho do presidente.

  2. Protesto ordeiro e democrático? Tenho lá minhas dúvidas. Eles estão ensandecidos, pois estão atacando até a rádio do atual presidente.

  3. No “bunda-lê-lê” geral em toda a esfera política, os que eram pro Bolsonaro,(a Jovem Pam é uma), bem como os meios sociais, já estão em cima do muro e com um pé pisando o chão lulista. Em tempo pre “comuna-petista” ninguém quer ser censurado ou cair em desgraça com o novo sistema(que não é novo), pois para os que estão empre à venda , é melhor sempre está orbitando em torno do poder de plantão. Cosntestem-me!

  4. Reivindicar golpe militar ostensivamente é crime. Nesse caso, verifico que o exercício dos militares para manter a ordem não está sendo profissional, não estão honrando as instituições militares.
    Para quem tem dúvidas se o que esses sem noção estão fazendo é crime, seguem os esclarecimentos legais.
    Crimes em atos antidemocráticos previstos no CÓDIGO PENAL:

    -Artigo 286: Incitar, publicamente, a prática de crime
    Pena: detenção, de três a seis meses, ou multa.
    A mesma pena será aplicada para quem incita, publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade.

    Artigo 288: associarem-se três ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes
    Pena: reclusão, de um a três anos
    A pena aumentará até a metade se a associação for armada ou se houver a participação de criança ou adolescente.
    Abolição violenta do Estado Democrático de Direito

    -Artigo 359-L: tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais.
    Pena: reclusão, quatro a oito anos, além da pena correspondente à violência.

    1. Abolir o Estado Democrático de Direito a conta gotas pode? Com prevaricação do Congresso Nacional, PGR. e MPF, todos pagos pelos impostos do Povo?

      Atente para isso:

      Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou DIRETAMENTE, nos termos desta Constituição.

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