Pelotão de ministros vai acompanhar apuração no TSE para rebater eventuais contestações de militares

TSE

Sete ministros da Corte eleitoral, reforçados pelo presidente do TCU, estarão de prontidão no dia das eleições para blindar tribunal de tentativas de descrédito das urnas eletrônicas

Weslley Galzo e Julia Affonso
BRASÍLIA – Todos os sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão acompanhar juntos, neste domingo, 2, a apuração dos votos das eleições dentro do prédio da Corte. É a primeira vez na história que isso ocorre. A estratégia do presidente do TSE, Alexandre de Moraes, é mostrar coesão do grupo diante da possibilidade de contestação dos resultados pelo presidente Jair Bolsonaro e pelas Forças Armadas.
Três dos integrantes do TSE são ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Moraes convidou, ainda, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e do Tribunal de Contas da União em exercício, Bruno Dantas, para se unir ao grupo. Os dois confirmaram presença. Com isso, o resultado final da apuração será anunciado com a presença e o aval de dois presidentes de poderes – do Legislativo e do Judiciário.
Outros ministros do STF também podem comparecer. O pelotão foi convocado por Moraes para legitimar o resultado e desqualificar qualquer tentativa de repetir no Brasil o tumulto que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro do ano passado, após a derrota de Donald Trump. Na ocasião, apoiadores de Trump foram estimulados por ele a invadir o Capitólio e impedir o anúncio do resultado do pleito.
O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se reuniram nesta quinta-feira, 29, com representantes de entidades internacionais que participarão da observação das eleições brasileiras neste ano.
Nas últimas semanas, Moraes acertou o apoio de diversas entidades da sociedade e da área do Judiciário ao resultado das urnas. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) já estão com discursos afinados com o tribunal. Ao Estadão, o presidente da ANPR, Ubiratan Cazetta, confirmou que é um dos que virão a público “defender a legitimidade dos resultados” assim que anunciados. O presidente da Ajufe, Nelson Alves, disse, por sua vez, que a contagem será respeitada “independentemente” dos nomes que serão eleitos.
Moraes tem mantido conversas diárias, especialmente com a ministra Rosa Weber. A recém-empossada presidente do Supremo pôs todo o aparato técnico de segurança e comunicação da Corte à disposição do TSE.
A Justiça Eleitoral ainda contará com centenas de observadores internacionais acompanhando em tempo real a apuração, o que deve conferir peso simbólico ao processo. Muitos deles estarão presencialmente na sede da Corte.
Nem todos os convidados vão comparecer à contagem de votos no TSE. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato à reeleição, passará o domingo em Alagoas, onde vota. Lira é apoiador de Bolsonaro, mas não endossa o discurso anti-urna.
Pacheco também tem feito manifestações favoráveis às urnas eletrônicas com frequência. Em uma das ocasiões, o presidente do Senado disse que não tinha “cabimento” levantar qualquer dúvida sobre as eleições no Brasil. Em agosto, o senador declarou que “as eleições existem para assegurar a legitimidade do poder político, pois o resultado das urnas é a resposta legítima da vontade popular”.

APURAÇÃO PARALELA
Como revelou o Estadão, os militares organizam um procedimento de “apuração paralela” em mais de 300 dispositivos de votação. Agentes da caserna estarão espalhados por todo o País, recolhendo boletins de urna (BUs), os documentos impressos com o resultado de cada seção eleitoral, para comparar com a informação final divulgada pelo TSE. A ação foi montada a pedido de Bolsonaro e há receio de que as Forças Armadas produzam um relatório questionando o resultado das eleições, em caso de derrota do presidente.
Numa reação aos militares, o TCU anunciou dois procedimentos de auditoria nas urnas eletrônicas. Nos bastidores do tribunal, as medidas são vistas como uma maneira de “fiscalizar” a apuração paralela das Forças Armadas. A Corte eleitoral inspecionará 4.161 dispositivos em todo o País, seguindo o mesmo rito dos militares, para contrapor o seu modelo científico ao da caserna. O oficialato, porém, não chegou nem mesmo a detalhar quais métodos de amostra adotou para fazer a checagem dos resultados.
Em encontro de entidades que compõem a Comissão de Transparência da Eleição (CTE), na última segunda-feira, 25, Moraes afirmou que o TCU desempenha papel relevante de “legitimar” o resultado das urnas. O relator do procedimento e presidente em exercício do TCU, Bruno Dantas, afirmou que o teste de 540 urnas somente deverá ser divulgado caso ocorra algum movimento de contestação aos sistemas da Justiça Eleitoral.
ESTADÃO/montedo.com

Respostas de 5

  1. Excelente, aos irresponsáveis os rigores da Lei.
    Os senhores da guerra de papel acreditaram estarem nos anos 60′ ou 70′.
    E, dependendo do assanhamento aloprado e imoral:
    – sofrerão processos ou voz de prisão.
    Fanfarrões aloprados investidos da boa credibilidade das FFAA.
    Irresponsabilidade é pouco.

    Nunca um jargão caiu tão bem como este:
    “Para os amigos os favores da Lei.
    Para os inimigos os rigores da Lei”.
    Tão antigo e tão atual.

    1. Na Venezuela, Argentina, Nicarágua, Bolívia, Colômbia, Cuba e afins também foi e tem sido assim, todos unidos, em nome da “justiça”, da legalidade e da democracia destruindo a vida dos povos.

  2. Preparem muito cafezinho, vinhos três certificados, lagostas e caviar, o olimpo estará reunido.
    E o que acontece se os semideuses discordarem entre si?
    Como acabou o olimpo na mitologia?

  3. Quailquer que seja o vencedor, o outro lado, o perdedor, sempre questionará(reclamará)do resultado,não os militares, e sim os partidos envolvidos na disputa. Se Lula perder a esquerda porá a boca no trombone dizendo que foi fraude; se Bolsonaro, as urnas não são confiáveis. Aliás, fraude em urna eletrônica é como enterro de anão, vc não vê, mas sabe que tem, sentencia o “filósofo-pinguço” de botequim.

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