Chico Alves
Colunista do UOL
Ex-comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas publicou esta tarde no Twitter um texto em que desmente que as Forças Armadas estejam apoiando a ideia de um golpe para que os militares tomem o poder no Brasil. Referindo-se ao discurso do comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, lido ontem por ocasião do Dia do Soldado, Villas Bôas escreveu: “Aos que nos atribuem possíveis intenções de agir fora dos princípios da legalidade, legitimidade e estabilidade, nosso comandante disponibilizou uma didática fonte àqueles que, com boas intenções, desejam conhecer a alma do Exército”.
A seguir, ele reproduz parte da fala do atual comandante do Exército: “Soldado Brasileiro! Se, em algum momento, verdades transfiguradas, notícias infundadas e tendenciosas ou narrativas manipuladas tentarem manchar nossa honra, na vã esperança de desacreditar a grandeza de nossa nobre missão, lembrem-se de que a calúnia jamais maculou a glória de Caxias. O bravo Guerreiro demonstrou que seu coração de Pacificador era ainda maior que a formidável têmpera de sua espada invencível”.
Villas Bôas diz que o discurso de Freire Gomes “lavou a alma” dos integrantes da “Força Terrestre”, que “ao denegrir o Exército estão maculando a Nação Brasileira”.
— General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) August 26, 2022
A publicação do general ocorre em meio a ataques do presidente Jair Bolsonaro ao processo eleitoral, com uma campanha que tenta desacreditar as urnas eletrônicas sem apresentar nenhuma prova de fraude. O ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, é um dos aliados nessa empreitada, ao dizer que o sistema só estará seguro se adotar as medidas sugeridas pelas Forças Aramadas.
Por várias vezes o Tribunal Superior Eleitoral e especialistas civis reiteraram a segurança das urnas eletrônicas.
No dia 3 de abril de 2018, na véspera do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava preso na época, o general Villas Bôas publicou um tuíte que foi encarado como intimidação da caserna para que a corte não libertasse o petista.
“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, escreveu, então. E completou: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.
Após assumir a Presidência, no dia 2 de janeiro de 2019, Jair Bolsonaro dirigiu-se a Villas Bôas para agradecer. “O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, afirmou.
Acometido por uma disfunção degenerativa no neurônio motor, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Villas Bôas não consegue caminhar, se locomove em cadeira de rodas e tem dificuldade para falar.
UOL/montedo.com
Respostas de 14
Está me parecendo como tentativa de livrar o próprio nome de fatos do passado recente.
Típica operação “tirar o meu da reta”.
Em menos de dez linhas conseguiu expressar uma M. de conclusão.
Parabéns!
Como não general!
Sem o golpe eu tô ferrado.
Eu não fui incluindo na Reestruturação da carreira.
Preciso urgentemente do mito no Poder ano que vem.
Para aprovação da Lei 13.965/2023 para as Praças.
O sapo barbudo quer nos ver na ‘M’.
Clã Bolsonaro e Centrão militar forever and ever.
Mito só até 2096.
Imagino que já exista um protocolo de prisão a alguém de (alto) sarrafo que tente fraudar o sufrágio, o qual será conduzido pelo stm, para o julgamento e expirtação da vida pública, além de cortar seus ganhos através do erário? Se não existir é bom pensar nisso né?
Mas, em todas as rebeliões de causas justas na história deste país, os acastelados sempre foram poupados, que é uma tragédia, pois se querem mudar algo, tem que atingir os poderosos.
Sem “agir”, sem aumento
Agora eu tô ferrado, eu tô ferrado
Sugiro tomar conta de sua instituição, a qual ao invés de tratar somente sobre a utilidade pública sobre acometidos da ELA, procura perpetrar culto a própria imagem com subvenção pública. Não tô inventando e só checar o conteúdo do site do Instituto.
To ferrado, desculpe-me, saiu como resposta a seu comentário, mas foi sem querer, por celular as vezes tá esse bug. Perdão!
O Bolsonaro tá desesperado, pois sabe que, ao passar a faixa presidencial, será preso pois perderá a imunidade que o cargo lhe assegura. Não fosse a cumplicidade do Lira (presidente da câmara) que deveria ter colocado em votação o impeachement, Bolso-
naro não estaria mais tumultuando.Na minha modesta opinião o que gosta mesmo é
de semear ódio e discórdia o que é muito perigoso ainda mais agora com a proximi-
dade das eleições. Muito triste que, justamente no ano em que será comemorado o
Bicentenário de nossa independência, vivamos um clima de angústia como este. Feliz
mente nossas gloriosas Forças Armadas não apoiar algo nefasto como golpe.
Pena aS FFAA nao terem seguido seu modelo: ter opiniao nacional manifesta.
Em 2023 é Bolsonaro novamente.
Racionalização, lembram?
Fico na dúvida com a foto, se é um ato político ou uma forma de se livrarem do vínculo com a era PT onde ficaram quietos.
Planejam o golpe, eu não tenho dúvidas, mas negam pelo medo da retaliação das forças democráticas.
Afinal, pode acontecer que um deles “traia” e fique do lado da democracia, e os “traidos” vão para a cadeia. Arriscar é muito perigoso.
Agora, achar que essa cúpula esteja pesando no país, difícil heiiin?
Nem vidente, cartomante ou bola de cristal pode nos dizer o que irá acontecer no dia 7 de setembro ou até a data das eleições. Entretanto, uma coisa é certa: Considerando-se que a Constituição não está sendo respeitada, as Instituições não detêm mais a credibilidade de antes, os Três Poderes deixaram de ser harmônicos, a inaceitável atuação de Ministros do STF atuando como militantes político-ideológicos e finalmente o descrédito na lisura e na transparência do nosso processo eleitoral, chegaremos à conclusão que o momento exige medidas urgentes, haja vista que, o que ocorre hoje no país é mil vezes mais grave do que os fatos ocorridos nos anos 60 e que levaram a adoção do AI-5 em 1968.