Ruben Barcellos *
O que se vê?
Uma lagoa espelhada de nuvens, um pé de salso da terceira idade numa ilha, pavilhões alinhados ao fundo e um céu profundamente azul que se reflete na calmaria da água.
O que não se vê?
Determinação, coragem, altruísmo, amor extremado ao Exército, à Bandeira, à Pátria.
O que se vê?
Homens que vestem uniformes iguais, comem da mesma comida e dormem sob o mesmo teto; não raras vezes sob um teto que Deus encheu de estrelas e onde a lua cheia reina por 8 noites. Não raras vezes o teto se abre pra relâmpagos, trovões e temporais: esses mesmos homens, ainda assim, estarão lá.
O que não se vê?
A Instituição que se propõe a servir, a qualquer preço, sob o juramento intransferível de sacrificar a própria vida.
O que se vê?
O cumprimento fiel de ordens, a aceitação das regras do jogo, a responsabilidade de ser e estar onde o serviço determina.
O que não se vê?
A camaradagem, a lealdade, as amizades forjadas em exaustivos exercícios de campo, de guarda, de vigilância e civismo.
O que se vê?
A cadência firme, as mochilas com o estritamente necessário, o armamento pronto para o uso, o treinamento apurado por profissionais competentes.
O que não se vê?
O estudo constante, as horas mortas da madrugada em que muitos protegem o sono de outros tantos que dormem; a cadeia de comando definindo a esfera de atribuições de cada um.
O que se vê?
A velha caserna que abrigou sonhos e projetos de vida; os velhos alojamentos que acolheram o cansaço de muitas gerações; as velhas garagens que guardaram as viaturas mantidas com zelo; os velhos passeios que reconhecem os passos dos que trilham o caminho certo.
O que não se vê?
O que se vê?
Uma foto conta muitas histórias. Basta ouvir a voz do vento.
Ou a voz da saudade. Tanto faz, as histórias são as mesmas.
Foto postada pelo Tenente Lima, do 3º. R C Mec.
PS:
Me perguntaram: por que escreves tanto sobre esse Quartel?
Respondo: se tu tivesse servido aí por 26 anos; se teus filhos tivessem tirado fotos, pequenos, agarrados no canhão do Minuano; se eles tivessem tirado serviço nas mesmas guaritas e comido no mesmo Rancho e marchado na mesma cadência e levantado ao mesmo toque de alvorada do Pelica; dormido nos mesmos alojamentos e feito as mesmas marchas a pé e terem tomado vacina na mesma enfermaria e “levado choque” do mesmo RDE e se fardado sob o mesmo RUE e se tivessem tirado guarda sob o mesmo RISG…escreverias sobre o quê?
Respondo: se meus melhores amigos os fiz lá dentro e se esta amizade dura até hoje e se lamento que não estejam todos por aqui porque foram chamados pra cumprirem missões no Céu Verde Oliva e se nos mijamos de rir ao contar velhas e rotas histórias…por que não escreveria?
Nunca me respondem.
Sacodem a cabeça e sorriem.
Isso me basta.
* Lenda viva do MEC (3º R C Mec-Bagé)
Respostas de 15
Excelente, mais esse tempo já passou, estamos em outros ventos, ou se pode dizer, tempestades.
Estamos em outros tempos? Como assim, cara pálida? Os valores citados na crônica são o patriotismo, a disciplina, o respeito, a responsabilidade, o zelo, a amizade forjada no dia a dia da caserna. Outros tempos? Já passou? Não pra mim. Não pra muita gente. Tu poderias citar quais são os valores desse tempo atual. Por favor, faça isso.
Pois é Montedo!
Estávamos, hoje, eu, Sd Olavo/1984 e o então Aluno Elton do CFS/89, irmão do Cabo Brião, numa pousada em Porto de Galinhas-PE, recordando suas felizes experiências no MEC (3º R C Mec-Bagé).
Concidentemente, Olavo e Elton, lembrando da amizade e orgulho do então S Ten Barcellos, hoje, Ten R1 Barcellos, da sua excelência com os vocábulos, comprovada nesse emocionante: – “O que se vê?, “Ruben Barcellos.
Do então 2º Sgt Montedo, Sargenteante do CFS Cavalaria/89-3º R C Mec-Bagé/RS.
Do então Sgt Mendonça e muitos outros grandes graduados da Arma ligeira daquele período.
Me relataram que numa solenidade, o Cmt determinou um determinado toque de clarim ao feroz Pelica.
O folclórico corneteiro não lembrava, e o que fez o Pelica:
– pediu ao Cmt que o ‘assoviasse’, a fim de refrescá-lo a memória.
– Rssssssssss.
E de quantas vezes foram pra cônsul até a pleura noutro lado do MEC nas instruções para os “NN”, nos cursos de Sd-Cb-‘Sgt temporário’, e CFS Cav (frio pra “Kar…”, Rsssss, excelente).
Como dizer que esses tempos passaram, negativo, nunca passarão!
Estão presentes e vivos nas mentes e corações desse verdadeiros Soldados de Bagé e Cavalaria, do lendário e centenário “Regimento Forte de Santa Tecla”.
Vida longa ao Blog e beiçudo Redator.
Infantaria.
P.S.:
– sim, em Porto, e saiu um baita ‘churras’ da fronteira.
Barbaridade! Rssssss
ERRO: noutro “lado” do MEC.
Correção: noutro ‘lago’ do MEC.
Sensacional Ten R1 Ruben Barcellos.
Ten R1Barcellos e Ricardo Montedo (ex-integrantes do MEC – 3º R C Mec-Bagé), coincidentemente, estou recebendo a visita em Porto de Galinhas-PE de dois grandes amigos do MEC.
Ambos serviram com os senhores no Regimento Forte de Santa Tecla.
Incorporaram como Soldados, e concluíram o CFS Cavalaria nos anos 80′ nessa centenária e lendária Unidade da Arma ligeira.
Ao lermos sua sábia, emocionante, honesta e fiel narração do:
– “O que se vê e O que não se vê?
Ambos, orgulhosos, relataram-me excelentes experiências com os ‘então’ STen Barcellos, Sgt Mendonça e 2º Sgt Montedo (Sargenteante do CFS Cav).
Vida longa e um grande abraço Sr. Ten R1Barcellos.
Infantaria.
Que imagem, um retrato fiel.
Diz muito como a ‘rica’ e oportuna mensagem do Sr Lenda viva do MEC, Ten Barcellos.
Uma ‘Ordem do Dia’ do Regimento Forte de Santa Tecla.
Saudades da caserna e orgulho.
Acho muito interessante qdo o autor se autointitula “lenda viva”. É muita modéstia…
Quem denominou o autor como “lenda viva”, fui eu, editor do blog, que o conheço. O sinal * indica referência do editor ao autor, na maioria dos textos assinados. Aprecie a leitura.
Ricardo Montedo,
Não se esqueça de quando voltar a Bagé de visitar os cavalarianos Olavo e Elton, irmão do Brião, no Remate Banhado Grande.
Visitarem o MEC e vai sair um baita churras.
Seu Lenda morta a partir do 01h40.
Vosso problema não é apenas interpretação de texto.
Que desagradável.
Resposta ao Lenda morta: quem omite o nome num comentário já revela o nível de omissão onde se encontra. Foi tão inoportuno quanto desatencioso o teu comentário. O Montedo, apesar de ter te esclarecido que a nota é ele, ainda assim, não foste capaz de reconhecer tua infelicidade a comentar. Que pena, o Blog do Montedo merece público mais relevante.
26 anos s transferir no dia hoje, vala.
Anônimo a partir do 12:56, boa tarde.
Acho que seu final de semana ainda não acabou.
Decifra aí pra gente esse comentário secreto:
– “26 anos s transferir no dia hoje, vala.”.
Diabo é isso?
Rsssssssssssssss
Anônimo de 26 anos s
Vc tomou umas não foi.
Umas dúzias kkkkkkkkk