José Casado
“Uma das coisas que me impressionaram é que acho que ele [Bolsonaro] realmente acredita em tudo o que diz. Ele não parece estar deliberadamente fingindo, ou estar tentando vender uma ideia que sabe ser falsa. Acho que ele e as pessoas ao seu redor acreditam genuinamente na narrativa que estão apresentando. Eles estão encarando a questão do sistema eleitoral como uma questão de fé. E evidências não são relevantes em questões de fé.
A visão deles é de que estão tão corretos e são tão perfeitos que a única razão pela qual podem não ser amplamente aceitos é porque eles estão sendo prejudicados, alguém está trapaceando. Isso é uma questão importante para entender o que está acontecendo. E acho que isso provavelmente se aplica bem a Bolsonaro e às pessoas em torno dele em toda uma gama de políticas públicas (…)
Se os generais entrarem nessa questão e fizerem o que Bolsonaro quer, pode haver problemas. Eles precisam lembrar que sua capacidade de proteger o Brasil, sua capacidade de se envolver nas parcerias internacionais para manter o que é necessário para a soberania militar do Brasil é de fato altamente dependente das relações internacionais. Se os militares intervierem, a primeira coisa que você verá é um colapso repentino da cooperação, especialmente com os Estados Unidos. E por mais que os brasileiros não queiram admitir publicamente, isso é algo muito importante. Também veremos um provável colapso do programa de compra de caças, pois a Suécia também não vai tolerar isso. Acordos para compra de armas, negociação para que o Brasil tenha submarinos nucleares. Tudo vai ser interrompido. O treinamento conjunto, as missões conjuntas, as consultas conjuntas, tudo isso vai desaparecer muito rapidamente.
Então imagino que haja uma enorme gama de parceiros militares importantes em todo o mundo, incluindo argentinos, chilenos, peruanos, colombianos e até paraguaios deixando claro que o governo não pode fazer isso. O presidente pode falar o que quiser, mas, em última análise, na hora de agir, isso vai ter um peso muito grande (…)
Bolsonaro está desesperado por aprovação externa do que ele quer fazer. Não consigo pensar em nenhum outro presidente brasileiro que teria uma reunião daquele tipo [quando convocou delegações estrangeiras ao Palácio da Alvorada para descreditar o país que governa].”
(Sean Burges, professor na Universidade de Carleton, Canadá, e autor do livro “Brazil in the world”, a Daniel Buarque, da revista Interesse Nacional)
Veja/montedo.com
Respostas de 15
“… evidências não são relevantes em questões de fé.
A visão deles é de que estão tão corretos e são tão perfeitos que a única razão pela qual podem não ser amplamente aceitos é porque eles estão sendo prejudicados, alguém está trapaceando.”
Exatamente o que eu penso, mas nunca soube colocar em palavras tão coerentes. A arrogância supera qualquer lógica no caso do presidente. Infelizmente, a alternativa que se destaca não foge muito a essa questão tb, mas em um diferente espectro: enquanto um acusa o sistema eleitoral sem nenhuma prova, o outro tem a cara de pau de se declarar inocente com excesso de provas. Pobre Brasil.
Mas em relação ao sistema eleitoral, não se pode provar que houve/haverá fraude. Tb não se pode provar que não…
Amigo, para de fazer ginastica mental e acorda para realidade! Ela é dura e cruel mas infelizmente é assim no mundo todo, a, eu estou falando da vida caso vc seja meio atrasado em matéria de raciocinar e pensar q pelo jeito vc apresenta ser devido ao seu comentário (09:04).
Meu, acorda! O cara (esse tal mito) foi eleito por três décadas, 30 anos caso vc não saiba o q seja 3 décadas! Por esta mesma urna q ele insiste em dizer q não funciona! A maioria dos candidatos q ele indicou ao eleitor para votar foram eleitos! Eu mesmo votei nele e em um candidato q ele indicou e os dois foram eleitos! Olha quantos candidatos a governo ele pediu para o eleitor votar, mesmo q fosse voto útil como em SP (Bolsodória), a maioria foi eleita! SC, RJ, RO, RR, MT, PR, GO, MG. 15 governadores declaram apoio ao tal mito em 2018 no segundo turno. E é a urna q é o problema!?…. Me faça um favor vai!
E outra, se o pinguço nove dedos fosse candidato em 2018 o tal mito tinha perdido. Graças ao Excelentíssimo senhor General Villas Bôas a petralhada não votou ao poder com o recado q ele mandou para os togados.
Montedo, peço desculpa pelo modo q me expressei! Tudo bem vc e sua equipe decidir por não publicar meu comentário. Mas Burric#@ e idiotiss#@ pra min tem limites e já não esta dando mais ver esse limite ser extrapolado.
Calma, estressadinho! Apenas expus que o sistema NÃO É AUDITÁVEL, conforme apurou a Polícia Federal em 2016. Só lembrando, o próprio TSE quis implantar a impressão do voto em 2017. Se tens memória curta, ou dificuldade cognitiva, o YouTube está aí pra te ajudar. Guarde seus cachorros.
Trecho do texto opinativo: “Eles estão encarando a questão do sistema eleitoral como uma questão de fé. E evidências não são relevantes em questões de fé.”.
Comento: essa afirmação se amolda perfeitamente para aqueles que tem fé, sem evidências, na lisura do software embarcado nas urnas, assim como tem fé na maneira como é feita a contagem e consolidação dos votos numa “nuvem” administrada por uma empresa privada (Oracle) cuja sede fica noutro país. Fé num sistema que dizem que não é fraudável justamente por não possuir mecanismo algum de auditagem portanto, saber se a contabilização foi certa ou errada. Fé num sistema rejeitado por países econômica e culturalmente mais avançados – vide França e Portugal com seus sistemas ainda de voto por cédula – e que até 2018 era visto por vários políticos como sendo passível de desconfiança por não permitir auditagem, p.ex. Simone Tebet, Ciro Gomes, Lula, João Amoêdo, Brizola, Requião. Fé num sistema que até 2018 contava com a concordância de Ministros do STF que participaram de eventos de lançamento e apresentação de urna com impressora acoplada para imprimir comprovante de voto para permitir, por amostragem, a auditagem dos votos eletrônicos comparando-os com os impressos em cada urna.
Enfim… os crentes na lisura sem evidências. Fé baseada na premissa de que se nada foi provado até agora, então é porque nada de errado aconteceu até agora e não poderá acontecer no futuro. Tipo deixar a porta de casa destrancada acreditando que as trancas são desnecessárias só porque até o momento ninguém invadiu a casa sem a permissão do dono.
Atentem-se para o fato do que esse é um texto de opinião publicado na Veja, não uma sequência de argumentos baseada em fatos concretos. Opinião vocês sabem como é… cada um tem a sua.
Eu só não entendo uma coisa, se o sistema eleitoral é tão confiável assim, por que não fazem logo o diabos que esse homem quer? não seria mais fácil fazer esse tal voto impresso e com isso humilhá-lo publicamente? com sua derrota vergonhosa? não?…
tendeu tudo…
Simples.
O mundo não é um quartel.
No mundo civil impera o princípio da legalidade.
A não ser que haja lei, ninguém é obrigado a fazer o que o presidente ou militar quer.
ah tá. acontece que foi aprovado no Congresso Nacional a impressão do voto. Porque será que esse trambolho chamado TSE não quer a auditagem.. somente otário acredita nessas urnas.. A reeleição da DILMANTA que o diga
Montedo sendo montedo.
Compartilhou uma matéria já publicada, qual problema disso?
Sempre.
O argumento é completamente ERRADO, deve ser um esquerdista. A mídia e esses “comentaristas” esquecem que a reunião com embaixadores foi uma resposta ao que o fachin de M. fez anteriormente. Convocou uma reunião para dizer que o PR é uma ameaça a democracia e contou um monte de MENTIRAS, assim como o frufru barroso andou fazendo no exterior , denegrindo a imagem do Brasil. Bolsonaro apenas elencou fatos. Como os relatórios da PF de 2016 e 2018 sobre a impossibilidade de se auditar a urna eletrônica, bem como comprovou que o sistema foi invadido. Alguém já se perguntou por que mudaram de ideia tanto o stf quanto o congresso, sobre a impressão do voto, cuja impressora já existe e já poderia ser usada nesta eleição. Porém, há sim um cheiro de golpe no ar: primeiro limpam a barra do luladrão, depois começam a perseguir o PR e seus simpatizantes, se recusam a dar transparência a um sistema que não permite a checagem. Será bom mesmo começarmos a equipar e armar pois o golpe é real.
É aquela história: “mentira repetida inúmeras vezes acaba sendo vista como verdade”.
Esse senhor, quando deputado federal, no ano de 1993, era um defensor ferrenho da urna eletrônica, então a começar a ser implantada no ano seguinte. Foi eleito deputado para diversos mandatos pela urna eletrônica.
E agora, do nada, cria essa celeuma toda.
Em 2023 é Bolsonaro outra vez!