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Ex-presidente classificou militares como “mais responsáveis que Bolsonaro” e defendeu que Defesa anuncie que não irá interferir nas urnas

Da CNN*
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (27) acreditar que as Forças Armadas não aceitarão um golpe no país e que as declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o sistema eleitoral brasileiro não contam com o apoio dos militares da ativa e do Alto Comando do Exército.
“Como é que a gente pode pensar em golpe? Eu não acredito em golpe, não acredito que Forças Armadas aceitem isso, que a sociedade brasileira permita. Esse cidadão [Bolsonaro], se ele começar a brincar com a democracia, ele vai pagar um preço muito caro”, afirmou o petista em entrevista ao portal UOL.
O ex-presidente lembrou ter convivido com os militares no período em que governou o país e disse não ter “queixa do comportamento das Forças Armadas, nem da Marinha, nem do Exército nem da Aeronáutica”. “Eu mantive oito anos de convivência da forma mais digna possível, eles nunca me criaram um único problema, eles ajudaram naquilo que era possível ajudar”, afirmou. Segundo ele, os militares “são mais responsáveis” do que o presidente.
O petista citou ainda medidas de seu governo que beneficiaram os militares, como a garantia de almoço e cursos de formação para os soldados. “Compramos inclusive farda nova e coturno para as Forças Armadas”, disse. Segundo ele, ao assumir a Presidência, em 2003, os aviões da Aeronáutica estavam aos frangalhos e eram chamados de sucatas.
O ex-presidente prometeu escolher um civil para o cargo de ministro da Defesa caso seja eleito em outubro e disse que os próprios comandantes das Forças Armadas preferem que a função não seja ocupada por um militar.
“Eu, quando era presidente, conversei várias vezes com meus comandantes, e eles diziam: presidente, não é prudente colocar um militar no Ministério da Defesa. Porque não é possível uma força mandar na outra. Se coloca o Exército, a Marinha e a Aeronáutica ficam chateadas”, afirmou.
Ele também defendeu que os militares não discutam questões ligadas ao processo eleitoral e às urnas eletrônicas, como vem sendo feito no governo Bolsonaro, e anunciem isso à sociedade.
“Era preciso que fizessem um discurso para dizer em alto e bom som que as Forças Armadas não tinham que ficar dando palpite sobre urnas. Urna é uma questão da sociedade civil, do Congresso Nacional, dos partidos e da Justiça Eleitoral. Não é possível que, com a quantidade de responsabilidade que temos que ter com tráfico de armas nas fronteiras, com drogas nas fronteiras, a gente ter um ministro da Defesa preocupado com urna eletrônica porque o presidente tá preocupado. Tá errado”, afirmou.
A CNN entrou em contato com o Planalto para comentar as falas do ex-presidente e aguarda uma resposta.
*Publicado por Estevão Bertoni e Marcello Sapio, com informações de Malu Patrício

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