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Entre os títulos, há menções aos ex-presidentes Dilma e Temer, além do atual ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira; Planalto já havia tomado medida similar

Lucas Mathias — Rio de Janeiro
O canal no YouTube do Exército Brasileiro tornou privados, de sexta-feira até o último domingo, 22 vídeos que até então estavam livres da restrição. A mudança foi identificada por meio de levantamento da Novelo Data. Com isso, esses conteúdos ficam “escondidos” — ou seja, não foram excluídos, mas só podem ser assistidos para quem tem o acesso permitido. Em nota, o Exército afirma que a medida é temporária e foi tomada para “evitar eventuais interpretações equivocadas em relação à legislação/jurisprudência eleitoral”.
Na última semana, o governo federal já havia tomado medida similar ao anunciar a criação de contas “provisórias” em plataformas como Twitter, Instagram e Facebook para postagens durante o período eleitoral. Com isso, os convencionais perfis oficiais do governo foram desativados e só serão restabelecidos após o fim das eleições. A medida foi tomada para evitar riscos à candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL), com o argumento de que conteúdos antigos poderiam eventualmente viralizar, voltando a circular nas redes como se fossem novas.
Dentre os vídeos tornados ocultos pelo canal do Exército Brasileiro, estão informações sobre cerimônias e solenidades realizadas pela instituição, com a presença de Bolsonaro, destaques do dia a dia e das atividades realizadas pelos militares, assim como títulos que mencionam os ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.
Há também vídeo sobre a visita do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, ao 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, em Brasília, da passagem de comando do Exército do General Leal Pujol para o General Paulo Sérgio (atual ministro da Defesa), além das operações e exercícios conjuntos da instituição na semana de 5 a 11 de setembro de 2021. Como os vídeos foram ocultados, no entanto, não é possível analisar o conteúdo.
O Exército afirmou, em nota, que as publicações de suas mídias sociais “seguem a legislação vigente” e ressaltou que, “embora não existam quaisquer matérias de cunho político-partidário, alguns vídeos foram temporariamente ocultados e serão restabelecidos logo após o período de defeso eleitoral”. A medida, segundo a instituição, “foi meramente preventiva e visou evitar eventuais interpretações equivocadas em relação à legislação/jurisprudência eleitoral”.
A legislação eleitoral veda a veiculação de ações, programas, obras e serviços que apresentem caráter politicamente promocional, nos três meses que antecedem as eleições. Conteúdos como filmes, fotos e vinhetas que caracterizem publicidade institucional não podem ser veiculados nos meios digitais dos órgãos públicos.
O assunto tem sido alvo de preocupação especialmente do Planalto. Na terça-feira, em reunião ministerial, o presidente Jair Bolsonaro pediu o engajamento de ministros para divulgar ações do governo que o ajudem na campanha pela reeleição. Integrantes do primeiro escalão foram orientados pelo núcleo da campanha a exaltarem os feitos do governo em discursos, nas redes sociais, em eventos e na imprensa, mas com a preocupação de não desrespeitar a legislação eleitoral.
Sonar-A Escuta das Redes(O Globo)/montedo.com

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