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Guedes ‘enterra’ reajuste e diz que governo ‘não conseguiu dar aumento’ a servidores
Ministro destacou que funcionalismo federal está dando contribuição extraordinária ao país e que entenderam que receberam alguma compensação à frente

Paulo Guedes, ministro da Economia | Evaristo Sá / AFP

Fernanda Trisotto e Julia Noia — Brasília e Rio
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo federal não conseguiu dar reajuste aos servidores, mas, em contrapartida, reduziu impostos para todos os brasileiros. Ele fez a afirmação ao criticar governadores, a quem acusou de estarem com os cofres cheios e de não quererem colaborar com o Brasil.
— O governo federal não conseguiu dar o aumento de salários para o funcionalismo, mas reduziu os impostos para 200 milhões de brasileiros — afirmou o ministro durante evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Ele fez um paralelo com a situação dos estados: disse que estão com R$ 180 bilhões em caixa, fruto de um aumento de arrecadação “brutal”, e que precisam ajudar a população, em vez de ajudar apenas aos próprios servidores. Enquanto o governo federal sofre com a pressão de diversas categorias que pedem por recomposição salarial, vários governadores concederam reajustes nesse ano eleitoral.
No funcionalismo federal, o presidente Jair Bolsonaro havia prometido, ainda em 2021, aumento para três categorias (policiais federais, policiais rodoviários federais e agentes do departamento penitenciário), o que desagradou os demais servidores. Algumas categorias, como os funcionários do Banco Central e INSS, chegaram a fazer greve.
O governo chegou a estudar a possibilidade de um reajuste linear de 5% para todas as categorias ou um incremento no vale-alimentação, mas o presidente Bolsonaro praticamente descartou essas possibilidades. Guedes engrossou esse discurso nesta quinta-feira:
— O funcionalismo federal está contribuindo extraordinariamente com o Brasil. Eles estão entendendo que logo ali à frente vai ter aumento para todo mundo. Nós vamos fazer a reforma administrativa, nós vamos fazer a reclassificação de cargos que eles querem. A reforma administrativa tá pronta com melhorias para todos eles, mas agora estamos em guerra, ainda, então o presidente está fazendo esse sacrifício para o governo federal baixar os impostos e repassar esse recursos para 200 milhões de brasileiros.

Representantes de servidores prometem manter pressão
Entidades que representam servidores federais prometem mobilização por aumento de salários, mesmo com a afirmação de Guedes de que não será possível conceder reajuste ao funcionalismo neste ano. Por causa do ano eleitoral, o governo só tem até 30 de junho para conceder aumento.
O presidente do sindicato dos funcionários do Banco Central (Sinal), Fabio Faiad, afirmou que a categoria manterá o movimento grevista iniciado em abril, que tem afetado atribuições da autoridade monetária. Ele reagiu à reagiu à declaração de Guedes:
— Não aceitamos, isso é um absurdo. A negociação com servidores é um direito. O governo federal já foi denunciado na OIT (Organização Internacional do Trabalho) justamente por atacar a liberdade sindical. Vamos exigir a mesa de negociação.
Luiz Henrique Blume, representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), diz que essa decisão do governo pode desencadear novas paralisações no setor de educação, que tem atualmente técnicos e professores de 12 institutos federais e a Universidade Federal do Pará em greve. Ele criticou a indecisão do governo:
— Essas posições do governo vão e voltam. Primeiro, falaram em aumento só para policiais, depois, o aumento (linear) de 5%. O governo não tem norte, não tem projeto político. A gente sabe que pode ser mais um blefe, e isso significa que a gente tem que aumentar a pressão sobre o governo.
O Globo/montedo.com

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