Escolha uma Página

“Você pode não estar interessado em guerra,mas a guerra está interessada em você”. (Leon Trotsky)

Otávio Santana do Rêgo Barros*
Essa semana, acompanhei um seminário online sobre o tema: Guerra na Ucrânia: Impactos na geopolítica global e no Brasil, coordenado pelo INSTITUTO PARA REFORMA DAS RELAÇÕES ENTRE ESTADO E EMPRESA (IRREE)
– Não pretendo fazer uma resenha sobre o que foi discutido nas duas horas, sob pena de modificar o pensamento cristalino dos participantes, mas trazer complementos e despertar o interesse para o tema defesa, lembrando a frase de abertura do artigo:
– “Você pode não estar interessado na guerra, mas a guerra está interessada em você”.
O imobilismo dos órgãos multilaterais alquebrados pela transmutação das ideias de igualdade, liberdade e fraternidade, quando defrontado com potências nucleares e seus interesses vitais, ficou ainda mais evidente com o desencadear dessa guerra entre Rússia e Ucrânia.
O mundo, ainda sob os efeitos da pandemia do coronavírus, com crescimento dos preços de combustíveis, fertilizantes e grãos, se depara com inflação mundial disseminada e um rearranjo das forças geopolíticas com polos de poder nos Estados Unidos, na Europa Ocidental, na Rússia, na China e na Índia.
Nosso país, apartado dessas contendas que matam e destroem e desses núcleos de poder, por questões ideológicas, ambientais ou econômicas, procura equilibrar-se como potência regional e ator coadjuvante das grandes peças do cenário internacional.
Com 8.500.000 km2 de território, fronteiras terrestres e marinhas que somam quase 25.000 Km de extensão, águas oceânicas que infundem cobiça, riquezas minerais incalculáveis, reserva de água doce preservada, o Brasil parece ainda resguardado dessas arengas do hemisfério Norte. Parece apenas!
Pacífico por opção, o país vem se colocando diante do dilema entre investir em segurança e defesa nacionais ou priorizar as demandas de gastos sociais a fim de obter crescimento da paz e bem-estar da população.
Dilema juvenil, do meu ponto de vista, uma vez que desenvolvimento em todas as suas vertentes nunca esteve separado de segurança física e emocional de um povo.
A globalização das cadeias produtivas, panaceia dos anos 1990 a 2010, assumiu-se como um dos fatores de esgarçamento das relações entre países e parece retroceder algumas casas, obrigando novas posturas econômicas, doravante mais nacionalistas, principalmente naquelas áreas ligadas à ciência e tecnologia.
Nacionalismos são indutores imperativos de forças armadas mais capacitadas e mais poderosas. É aqui que precisaremos, como sociedade organizada, estabelecer um alto político-estratégico para avaliação das nossas condições de defesa e determinar o rumo que devemos seguir para alcançar nossos objetivos nacionais.
A principal pergunta: as Forças Armadas brasileiras estão aptas a defender nossos interesses?
Outras se seguem: seu perfil de conscrição se mostra adequado para a conjuntura nacional e mundial? Seu desdobramento é compatível com a proteção das fronteiras e das riquezas naturais? A Indústria de Defesa Nacional atende aos desafios tecnológicos da guerra moderna? O orçamento é previsível e compatível com todos esses desafios? Quão distantes devem permanecer os militares dos embates político-partidários?
Cada um desses pontos de interesse precisa ser aprofundado, lançando luzes para as soluções mais adequadas ao estofo que pretendemos como nação soberana, detentora de capacidade de dissuasão, embora pacífica.
O mundo mudou e continuará mudando. Somente uma postura de expectativa ativa poderá nos proteger dessas mudanças. É a sociedade o comandante dessas forças de defesa. Decida comandante!
Paz e bem!
*General de Divisão do Exército
METRÓPOLES/montedo.com

Skip to content