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O movimento de reaproximação capitaneado por Edson Fachin, presidente do TSE

Carolina Brígido-Caio Junqueira da CNN
As cúpulas das Forças Armadas e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deram início nesta semana a um movimento de reaproximação após tensionamentos entre ambos. Em encontro que reuniu o ministro da Defesa, Braga Netto, o presidente do TSE, Edson Fachin, e o vice-presidente da corte, Alexandre de Moraes, ocorrido na noite de quarta-feira na corte, os dois lados acertaram parcerias para a eleição deste ano e promoveram um distensionamento após uma série de ruídos.
O principal deles foi provocado por uma série de questionamentos que o Exército fez ao TSE sobre o processo eleitoral e, mais especificamente, a segurança e a vulnerabilidade das urnas. Desde o início do ano, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar as urnas, tendo por base esses questionamentos formalizados pela corte.
O encontro ocorreu a partir de um convite de Fachin a Braga Netto. O ministro tem dito a interlocutores estar preocupado com a segurança das eleições e especialmente com a possibilidade de ocorrer no Brasil um protesto nos mesmos moldes que ocorreu nos Estados Unidos, quando o ex-presidente Donald Trump foi derrotado nas urnas para Joe Biden. O fato gerou a invasão do Capitólio, o legislativo americano. Outros ministros do TSE também temem que isso aconteça no Brasil.
Reservadamente, ministros dizem que a democracia americana só foi resguardada porque o Congresso reagiu e as Forças Armadas não entraram na briga. Por isso o movimento de reaproximação capitaneado por Fachin. A intenção do TSE agora é garantir que os militares legitimem o resultado das eleições de outubro, seja ele qual for.
Do lado da Defesa, o sinal passado foi de que o interesse é de cooperar com o TSE durante as eleições. Há a avaliação de que o ex-presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, excedeu-se no tom das críticas e um incômodo pelo fato de ter havido a divulgação de que os questionamentos formalizados pelo Exército a respeito da urna eram sigilosos — o que o Exército contesta. A leitura é de que, sob Fachin, abriu-se uma nova oportunidade para um estreitamento na relação. Os militares defenderam que o trabalho feito foi técnico e sem qualquer viés político, a despeito das manifestações públicas do presidente críticas a urna eletrônica.
Ficou acertado que o Exército apresentará algumas propostas de aperfeiçoamento do sistema eleitoral para serem debatidas dentro do Comitê de Transparência Eleitoral. Segundo fontes da Defesa, uma das ideias é reforçar os testes de integridade da urna. Devem ser encaminhadas pelo menos seis propostas. A Defesa também encaminhará um documento com a avaliação que o TSE fez das respostas aos questionamentos.
CNN/montedo.com

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