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João Paulo Saconi
Ao fritar publicamente o general Silva e Luna, Jair Bolsonaro dá um cavalo de pau nas muitas falas que já proferiu de elogios ao presidente da Petrobras. O militar foi escolhido para comandar Itaipu, no início do governo, e, em abril do ano passado, indicado com louvores presidenciais para substituir Roberto Castello Branco à frente da petrolífera.
Em março de 2021, após demitir Castello Branco e indicar Silva e Luna, enquanto aguardava a aprovação do conselho da estatal, Bolsonaro defendeu que Silva e Luna preenchia todos os requisitos para o cargo:
— É um general, tem o seu valor, é uma pessoa que demonstrou seu valor na Itaipu.
Agora, irritado pela alta nos preços dos combustíveis, Bolsonaro tem o tratado como se o militar não tivesse tanto valor assim. Questionado nesta quarta-feira, 16, pela TV Ponta Negra, do Rio Grande do Norte, sobre a possibilidade de trocar o ocupante do cargo, respondeu sem titubear:
— Existe essa possibilidade (…) Todo mundo pode ser trocado.
Naquela mesma época, Bolsonaro também afirmou publicamente que Silva e Luna conduziu a hidrelétrica “de forma ímpar, combatendo desvios e colocando-a no rumo da prosperidade”.
Há um mês, no entanto, a metralhadora bolsonarista disparou contra o general:
— O presidente (ganha) mais de R$ 200 mil por mês e no final do ano ainda tem alguns salários de bonificação. Os caras têm que trabalhar. Têm que apresentar a solução e mostrar o que está acontecendo.
Ainda na tentativa de emplacar a substituição de Castello Branco, Bolsonaro prometeu, lá atrás: “Podem ter certeza que todos aqueles que dependem do produto da Petrobrás vão se surpreender positivamente com o seu trabalho (de Silva e Luna) quando ele lá assumir”. Nos últimos meses, é Bolsonaro quem não quer esconder que está surpreendido negativamente.
Lauro Jardim (O Globo)/montedo.com

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