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General destaca que urnas ‘são usadas há 26 anos’ e defende servidores do TSE
Após declinar convite para a direção da corte eleitoral, o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva afirmou que “os quadros do TSE são bons, concursados, de carreira”, além de “dedicados e competentes”

Maria Cristina Fernandes, Valor — São Paulo
“O sistema atual foi aprovado em lei. Tentaram mudar, mas o Congresso não apoiou. É assim na democracia. As urnas estão sendo usadas há 26 anos e o atual presidente foi eleito com esse sistema”. É assim que o ex-ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, define o sistema de votação eletrônica do país.
O general declinou do convite para assumir a direção-geral do TSE no momento em que o presidente Jair Bolsonaro recrudesceu sua investida contra as urnas eletrônicas no país. O ministro Edson Fachin, que assumirá a Presidência do TSE na próxima terça-feira, disse que a justiça pode estar sob ataque de hackers graças à omissão de países como a Rússia na adoção de controles adequados.
No mesmo dia, Bolsonaro chamou os ministros da Corte de “adolescentes” e cobrou um posicionamento das Forças Armadas ao relatório de 704 páginas do TSE em resposta às perguntas encaminhadas pelos militares.
Azevedo, porém, atribui sua saída a problemas de saúde e nega que recrudescimento tenha contribuído para a decisão. “Comecei a frequentar reuniões em janeiro e vi que os quadros do TSE são bons, concursados, de carreira. São dedicados e competentes e vi que podia cuidar de minha saúde”, diz.

“O sistema foi aprovado em lei. Tentaram mudar, mas o Congresso não apoiou. É assim na democracia. As urnas eletrônicas estão sendo usadas há 26 anos e [Bolsonaro] foi eleito com esse sistema” General Fernando Azevedo e Silva

Fernando Azevedo e Silva diz não ter lido o relatório de 704 páginas do TSE em resposta aos questionamentos do Comando de Defesa Cibernética das Forças Armadas – “Mas o presidente que está saindo [Luis Roberto Barroso] nomeou uma comissão que será capaz de zelar pela transparência do processo”.
Segundo Azevedo e Silva, os exames que detectaram focos de isquemia e placas de gordura em seu organismo são posteriores ao aceite que havia dado ao convite, em dezembro do ano passado. “Tenho uma veia hereditária de cardiopatas. Minha mãe morreu aos 67 anos. Sempre me protegi com a prática de esportes, mas estou com 67 anos. A família foi contra”, explica.
Seria a segunda passagem de Azevedo e Silva pela Corte eleitoral. Nas eleições de 2018 foi assessor do então presidente do TSE, Dias Toffoli, primeiro cargo civil que ocupou depois de passar para a reserva. Com a posse do presidente Jair Bolsonaro, foi convidado para ocupar a Defesa. O general permaneceu no cargo até março do ano passado, em meio às pressões do presidente para a adesão das Forças Armadas à escalada de suas manifestações antidemocráticas.
Sua saída, que levou ao cargo o ex-ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, levou à inédita demissão coletiva dos comandantes das três Forças.
VALOR/montedo.com

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