Escolha uma Página

Pessoas próximas a Hamilton Mourão apostam que o presidente Jair Bolsonaro pode escolher o general como candidato a vice novamente em 2022

Igor Gadelha
Apesar dos atritos entre os dois durante o primeiro mandato, aliados do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) ainda alimentam esperanças de que ele poderá ser candidato a vice de Jair Bolsonaro novamente em 2022.
Um dos argumentos é de que o general já provou ser fiel a Bolsonaro ao longo do primeiro mandato e de que o nome dele poderia agregar à chapa do presidente não só perante os militares como em outros setores.

Entenda a relação conturbada de Bolsonaro e Mourão
A relação de Hamilton Mourão e Bolsonaro sempre foi conturbada. O general, na verdade, não foi a primeira, segunda ou terceira opção do mandatário para vice-presidente. Ele foi, na verdade, o quinto nome “escolhido” após pressão política.
Pressão essa que, por sinal, explica o motivo pelo qual o “casamento” dos dois nunca andou bem. Prova disso é o fato de o presidente não cogitar continuar com o atual vice para a próxima corrida eleitoral.
Por ter posicionamentos muitas vezes divergentes dos de Bolsonaro, Mourão já foi chamado pelo presidente como “cunhado que ele tem que aturar”. Indo para o quarto ano do mandato presidencial, a distância entre o presidente e o vice está cada vez maior. Bolsonaro, inclusive, chegou a dizer que Mourão “atrapalha um pouco” o governo e que “vice bom é aquele que não aparece”.
Entre diversas provocações feitas a Mourão, Carlos Bolsonaro, filho número 2 do presidente, chegou a insinuar em um twitter postado em 2020 que o vice-presidente conspira para derrubar o pai dele.
No fim de 2020, Bolsonaro alfinetou Mourão afirmando que demitiria quem propusesse expropriação de terras como pena por crimes ambientais. O interessante é que a proposta era do Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidente.
Apesar das investidas negativas, Hamilton diz que “sente falta” de dialogar e de se reunir com o mandatário do país. “Não há conversas seguidas entre nós. As conversas são bem esporádicas. Faz falta até para eu entender o que eu preciso fazer”, disse o vice-presidente.

“Seguro impeachment”
De acordo com especialistas, Mourão poderia ajudar Bolsonaro a manter o convívio com os poderes, mas o presidente insiste em deixar o vice distante.
Aliados lembram que, ao demonstrar fidelidade e ser general da reserva, Mourão atende ao desejo de Bolsonaro de novamente escolher um candidato a vice que funcione como um “seguro impeachment”.
Auxiliares argumentam que Mourão agregaria mais eleitoralmente do que o atual ministro da Defesa, general Braga Netto, também citado como um possível vice que evitaria um impeachment de Bolsonaro.
Pessoas próximas a Mourão lembram que o próprio presidente ainda não descartou as chances de repetir a chapa de 2018. Citam que, em dezembro, Bolsonaro disse em entrevista que seu vice poderia “ser até o próprio Mourão”.
“Tem pessoas que querem ser vice, é normal. Vou escolher um vice sim, pode ser até o próprio Mourão, mas um vice que agregue, tenha conhecimento de Brasil, ajude”, disse Bolsonaro em entrevista a uma emissora afiliada do SBT.
Auxiliares ressaltam que, caso seja escolhido pelo presidente, Mourão não teria qualquer resistência de se filiar a uma sigla do Centrão para participar da disputa. Como mostrou a coluna, o PP já convidou o general.

Plano B de Mourão
Caso o presidente opte por outro nome para vice, aliados de Mourão apostam que o general será candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, estado onde nasceu e onde tem concentrado suas agendas.
METRÓPOLES/montedo.com

Skip to content