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JENIFFER GULARTE
Filiado há uma semana ao Podemos, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz afirma que só entrou na política porque acredita que o ex-juiz Sergio Moro pode ganhar as eleições. “Senão, não iria me expor”, disse. Santos Cruz rasga elogios ao presidenciável do partido ao mesmo tempo em que afaga o vice-presidente Hamilton Mourão, que já foi procurado pelo Podemos e ensaia uma candidatura ao governo do Rio em 2022 ou mesmo ao Senado.
Colegas de farda e amigos há quase cinco décadas, Santos Cruz e Mourão mantêm diálogo frequente, apesar de o general ter deixado o governo Bolsonaro, onde ocupou a Secretaria de Governo, em junho de 2019. Na época, foi submetido à fritura pela ala ideológica do Planalto e demitido pelo presidente. A Crusoé, Santos Cruz definiu Mourão como uma pessoa equilibrada, preparada e culta. “Qualquer partido gostaria de ter uma figura como ele”, pontuou.

O sr. acredita que uma candidatura da terceira via possa ser competitiva?
Só entrei porque acredito que o Sergio Moro vai ganhar. Se a gente trabalhar certo, se der o recado certo e se mostrar para a população que temos que parar com esses estelionatos eleitorais a cada eleição. Senão, não iria me expor. Me coloco à disposição para você depois vir me cobrar se eu me comportar de maneira diferente. Na filiação, Moro prometeu que uma das primeiras medidas seria acabar com a reeleição. Bolsonaro falou isso, mas no dia seguinte da eleição já começou com interesse pela reeleição. Na nossa cultura, reeleição se mostra algo muito ruim. Não pelo princípio, mas pela prática. Começa a governar pensando no próximo mandato, deforma toda conduta. A reeleição tem que acabar. E quando Moro for eleito, sem dúvida nenhuma, serei um dos que vou lembrá-lo: lembra do que a gente prometeu?

Não teme se decepcionar como aconteceu com Bolsonaro?
São duas pessoas completamente diferentes. Um tem medo de responsabilidade enorme, não assume uma responsabilidade. O outro foi a única pessoa que enfrentou, julgou e submeteu sua decisão a tribunais superiores, pessoas influentes, ricas, poderosas, numa estrutura de Justiça no Brasil que realmente quem tem poder e dinheiro, consegue protelar. Entre um que não tem coragem para nada, vive de um show, e o outro que teve coragem de dar esperança ao Brasil, de que é possível combater a corrupção, eu fico com Moro.

O sr. é apontado como a ponte entre o general Hamilton Mourão e o ex-juiz Sergio Moro. Tem conversado com o vice-presidente? Acredita que ele seria um quadro relevante para o Podemos?
Claro, sem dúvida nenhuma. É uma pessoa que tem cultura, que é equilibrada. Mourão é meu amigo, conheço ele há quase 50 anos. Posso dizer com tranquilidade que Mourão é uma pessoa preparada e equilibrada. Qualquer partido gostaria de ter uma figura como ele. Não preciso cortejar meus amigos. Com meus amigos falo de maneira franca, direta e tranquila. Mourão é reconhecidamente uma pessoa capaz. Não preciso tentar convencer um amigo do nível do Mourão de que outra pessoa (Sergio Moro) tem qualidades. Ele sabe que tem.

O sr. foi chamado de comunista por declarar apoio a Sergio Moro. Como responde a esse tipo de provocação?
A capacidade intelectual máxima dos extremistas é chamar alguém de comunista. É a única coisa que eles sabem fazer. Quando não tem argumento nenhum, chama de comunista. É gente medíocre. É outro problema sério nosso. Tem muita gente medíocre fazendo análise política. Nosso problema é de gente de baixo nível. Esse pessoal não é de direita. Estão destruindo a direita no Brasil. Bolsonaro é a destruição da direita no Brasil. Disseram que Moro é comunista, o que é algo inimaginável, numa tentativa de manipulação da opinião pública.

Aproximar Sergio Moro dos militares descontentes com Bolsonaro seria uma forma de apoiá-lo?
Não é função minha, não. Os militares em geral são todos eleitores, cada um tem sua liberdade individual de escolher o candidato que quiser. De votar em quem quiser. Como instituição, ela não se envolve politicamente e nem deve. Todos eles como cidadãos assistem televisão e terão suas opções. Tem de tudo, tem gente que é Bolsonaro, tem gente que é Moro. E os que não sabem ainda quem vão escolher.

O sr. acredita que Bolsonaro seguirá sendo o candidato favorito entre os militares em 2022?
Você tira pela sociedade em geral. Não vai. O militar é um cidadão comum, vai ao supermercado. Ele está vendo. Ele tem as opções eleitorais dele. Não é manipulado por plano institucional para votar em candidato. Pode ver pelo andamento social, a sociedade não quer mais saber desse show. Quer que os problemas reais sejam solucionados e o militar quer a mesma coisa.

Hoje o sr. se enxerga fazendo campanha em 2022?
Se eu for disputar alguma vaga, você tem que se aproximar dos eleitores. Ainda não está definido. O que pesa é a conversa com o partido. Entrei na política por duas razões: participar de maneira mais direta dos problemas nacionais e apoiar o doutor Sergio Moro. Sobre a minha eleição, ainda vou conversar com partido, se tem espaço para me colocar nesse planejamento. Minha vontade pessoal e política é o próximo presidente não ser Bolsonaro e nem o ex-presidente (Lula).
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CRUSOÉ/montedo.com

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