Boate Kiss: tragédia chega ao banco dos réus. Entre os 242 mortos, doze eram militares das Forças Armadas

boate kiss

27 de janeiro de 2013
Lembro-me muito bem do amanhecer ensolarado daquele domingo. Estava em viagem de férias com a família, à beira da Lagoa dos Patos. Foi quando começaram a chegar as primeiras informações do incêndio que havia ocorrido de madrugada, numa boate em Santa Maria. Inicialmente, falava-se em 30, 40 mortos, números que já eram suficientemente assustadores. Mas o que foi sendo divulgados durante aquele dia – juntamente com histórias de sofrimento, desespero e heroísmo – teve o condão de comover o País inteiro. Ao final, a estatística aterradora apontou para 242 mortes. As vítimas eram jovens à procura de diversão em uma noite de verão.

A longa espera por justiça
Após quase nove anos, o incêndio, que além dos mortos provocou ferimentos em outras 636 pessoas, pelo incêndio e pela inalação de fumaça tóxica serão sentenciadas pelo Tribunal do Júri que começa nesta quarta-feira (1º), em Porto Alegre.
O massacre deixou marcas profundas sobretudo em Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul, cidade de veia universitária e polo militar em que ocorreram os fatos. Famílias, turmas de amigos e uma comunidade foram feridas de morte e o lento processo de cicatrização, a pesarosa virada de uma página, poderá vir com a sentença aos réus Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, sócios da Kiss, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, da banda Gurizada Fandangueira.

O subtenente Sérgio Silva perdeu um filho na tragédia. Ele presidiu a Associação das Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Ao fundo, painel fotográfico com os mortos.

Doze militares das Forças Armadas morreram no sinistro
FAB
Sargento Luiz Carlos Ludin de Oliveira e soldados Giovani Krauchemberg Simões, Leandro Nunes da Silva, Rodrigo Dellinghausen Bairros Costa e Rhuan Scherer de Andrade.

Exército
Capitã Médica Daniela Dias de Matos, 1º Tenente Leonardo Machado de Lacerda, 2º Tenente Brady Adrian Silveira, 3° Sargento Diego Silvestre, Cabo Lucas Leite Teixeira e soldados Leonardo de Lima Machado e Luciano Taglia Pietra Espiridião.

Sepultamento do soldado Leonardo de Lima Machado, uma das vítimas da tragédia (Estadão)

Documentário

Com informações do arquivo do blog e GZH

Respostas de 4

  1. Na minha opinião os responsáveis são os 3 primeiros colocados pois coadunaram para o funcionamento irregular da boate nesse prédio:

    1_ Quem deu o laudo de regularidade contra incêndios e conferiu os mecanismos de prevenção e proteção?

    2_ Quem concedeu, durante quantos anos, a autorização para funcionamento, o alvará?

    3_ Quem são os proprietários que contactaram ou foram contactados, que buscaram autorização e foram autorizados a funcionar com uma boate nesse prédio?

    4_ No caso em foco o incêndio começou com a pirotecnia da banda mas poderia ter sido, por hipótese, em um curto circuito também e os efeitos poderiam ser os mesmos.

  2. Como um país como deste pode dar certo.
    O julgamento após nove anos desse doloroso desastre humano.
    Toda solidariedade e paz as famílias desses jovens que partiram tão cedo.

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