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Lucas Valença
Do UOL, em Brasília

O Podemos acaba de filiar o ex-ministro da Secretaria de Governo, o general Santos Cruz, amigo próximo do também ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) Sergio Moro, que é pré-candidato à presidência da República.
Ao discursar, Santos Cruz afirmou que “não se pode criminalizar a política” e que é preciso combater o “fanatismo e o extremismo” na política, que, segundo ele, só levam à “violência”.
Em crítica à atual gestão, o general também criticou o uso de fake news nos processos eleitorais e afirmou que o Podemos não pode “baixar o nível” de sua campanha por conta de um suposto “salvador da pátria” que estaria se apresentando à população.
“O presidente tem de ser o governante de todos os brasileiros, inclusive daqueles que não votaram nele. O presidente nosso precisa ser liberal na economia, mas não pode fechar os olhos para as causas sociais”, afirmou.
Apresentado como “o próximo presidente da República” pela deputada Renata Abreu (SP), Sérgio Moro usou a palavra para atacar a PEC dos Precatórios, aprovada pela Câmara e que está sendo analisada pelo Senado.
Segundo Moro, é preciso impedir “retrocessos”, que estariam sendo pautados no Congresso, e defender os “fundamentos do plano real” para evitar “colocar em risco o emprego e a capacidade de compra da população”.
Para Moro, Santos Cruz “não está representando as Forças Armadas”, mas carrega consigo uma “carreira militar e civil em prol do país”.
A filiação do militar, porém, é entendida no Podemos como uma forma de fortalecer a relação do ex-juiz responsável pelos processos da Lava Jato de Curitiba com os militares considerados mais “moderados”.
Desde o início da atual gestão, parte da cúpula das Forças Armadas tem apoiado e integrado o governo Bolsonaro. Há o entendimento no partido de Moro, porém, que a ida de um general quatro estrelas poderá enfraquecer a influência bolsonarista entre os militares.
Aos jornalistas, Renata Abreu disse que a adesão de Santos Cruz facilita a adesão de outros militares ao projeto eleitoral do partido.
Segundo a parlamentar, lideranças do Podemos já têm conversado com alguns militares da reserva.
A adesão de Cruz ao projeto também é entendido como uma maneira de fortalecer o discurso de campanha, já que a união de um ex-juiz, responsável pela prisão de dezenas de políticos, e um militar reforçaria “os valores da legenda”.
Recentemente, o vice-presidente Hamilton Mourão saiu em defesa da candidatura de Moro ao afirmar que o ex-ministro é “o único da 3ª via” que teria capacidade de se cacifar para um eventual segundo turno e que o ex-juiz teria “luz própria”.
“Vai depender de ele conseguir empolgar a massa. Ele empolga uma parcela esclarecida da população, mas hoje quem empolga massa são só duas pessoas: Bolsonaro e Lula”, afirmou em entrevista ao UOL.
Santos Cruz foi o terceiro ministro de Jair Bolsonaro a deixar o cargo após um conflito com o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente.
O evento de filiação também contou com a presença de presidentes estaduais da legenda, que discutem estratégias para a campanha de 2022.
UOL/montedo.com

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