Escolha uma Página

Vice-almirante tornou-se herói nacional ao comandar força-tarefa e organizar uma campanha atrasada e com irregularidades.

Portugal comemora a liderança mundial em vacinação contra a Covid: 82% já receberam as duas doses, o número de infecções e internações cai a cada dia e, desde segunda-feira, a população pode circular ao ar livre sem máscaras. O êxito desta empreitada é creditado a um militar — o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, que há sete meses assumiu o comando da força-tarefa da imunização e pôs ordem num processo confuso, atrasado e cheio de irregularidades.
O “almirante das vacinas”, como ele é conhecido, virou herói nacional e recebe aplausos espontâneos em público. Como czar da vacinação, está sempre de uniforme camuflado, o qual promete dispensar “quando vencer a guerra contra a Covid”. Sua meta é de que 85% dos portugueses estejam vacinados até o fim da próxima semana.
Apesar do sucesso da campanha, ele mantém a cautela e o estilo direto e sem rodeios com que conquistou os portugueses: “Não estou preocupado se somos o primeiro ou o segundo lugar no mundo, mas se essa taxa é suficiente para alcançarmos a imunidade de rebanho”, declarou nesta quarta-feira.
Nascido há 60 anos em Moçambique, Gouveia e Melo atribui as qualidades ao treinamento militar, sobretudo à capacidade de reagir rapidamente e com foco em situações de estresse.
Condecorado recentemente pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis, o vice-almirante não se deixa seduzir pela popularidade repentina. “Apareci com naturalidade e desaparecerei com naturalidade.”
Aos que alimentam especulações de que poderia enveredar para uma carreira política — quem sabe a campanha para a Presidência, em 2026 –, ele é categórico e didático. “Sou militar e, por isso, seria um péssimo político. Acho que devemos separar o que é militar do que é político, porque são campos de atuação completamente diferentes”, conforme resumiu no fim do mês passado à agência Lusa.
O novo herói português enfrentou dissabores e a atuação barulhenta de uma minoria de manifestantes antivacina. Foi insultado, mas não fugiu deles. Mais uma vez foi direto: “O obscurantismo continua no século XXI, mas já ficou claro que o que mata é o vírus e não a vacina.” A maioria dos portugueses acatou o seu exemplo.
G1/montedo.com

Skip to content