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Inquérito Policial Militar tem 40 dias para investigar o que aconteceu durante procedimento que matou três pessoas

JENIFFER GULARTE
Em um Inquérito Policial Militar (IPM), o Exercito vai investigar o que aconteceu na detonação de explosivos que matou três pessoas no começo da tarde de quinta-feira (8), em Guaporé, na Serra. O IPM terá 40 dias para elucidar a causa das mortes — neste período, o próprio Exército, que não antecipa detalhes da apuração, fará perícia técnica e ouvirá testemunhas. Os artefatos foram apreendidos na manhã do mesmo dia durante operação da Polícia Civil que apurou a posse de explosivos sem autorização em uma cidade próxima. Após a ação policial, o material foi levado pelo Exército até a pedreira Britagem Mig Britas para detonação.
As vítimas são o funcionário da Mig Britas, Irineu Ghiggi, de 60 anos, o 1º sargento Roberto Czremeta, do 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, e o 3º sargento Diego Piedade de Souza, do 3º Batalhão de Comunicações. Outros cinco militares ficaram feridos, mas já tiveram alta hospitalar. A Polícia Civil não irá investigar o caso por tratar-se de um incidente que aconteceu com material de controle do Exército. O delegado de Guaporé, Tiago Lopes de Albuquerque, explica que a polícia deu o primeiro auxílio no local e que vai reunir todas as informações disponíveis e encaminhar ao Exército.

O CASO
O local onde ocorreu a detonação, a Britagem MigBritas, está localizado em Linha Três de Maio, interior de Guaporé, em uma área afastada da zona urbana, atrás do Autódromo Internacional de Guaporé. A empresa, que não era alvo da operação da Polícia Civil, teve a área requisitada pelo Exército por ser o local mais próximo com área viável para a detonação dos explosivos.
Por possuírem treinamento específico, foram os militares que conduziram e executaram toda a ação de preparação e detonação do material e solicitaram o acompanhamento de um funcionário no momento. Segundo a empresa, Irineu, que integrava os quadros da companhia há mais de duas décadas, permaneceu com eles durante a ação. O funcionário foi sepultado na tarde desta sexta-feira em Guaporé. Em nota, a Mig Britas afirmou que Irineu “era um profissional de excelência reconhecida e deixa uma lacuna irreparável para a Britagem Mig Britas.” O homem deixa esposa e dois filhos.
Desde o final da tarde de quinta-feira (9), o Instituto-Geral de Pericias (IGP) está no local. Só foi possível iniciar os trabalhos, preservando a segurança e garantindo a luminosidade necessária, após a detonação dos explosivos que restaram. O objetivo da perícia é identificar quais artefatos causaram o acidente e determinar o raio de projeção dos estilhaços. O laudo será o concluído em 30 dias pela equipe da 2ª Coordenadoria Regional de Perícias.

Operação que apreendeu explosivos
Na manhã de quinta, a Polícia Civil apreendeu de 730 kg de explosivos em uma empresa de terraplanagem localizada em uma cidade próxima a Guaporé — cuja localização não foi divulgada. A titular da Delegacia do Meio Ambiente do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), delegada Marina Goltz, explica que os agentes investigaram a denúncia de que a empresa, que tem autorização para uso de explosivo, comprava em quantidade maior e ficava com sobras armazenadas, o que não é permitido. A regra determina que os excedentes devem ser detonados com comunicação oficial ao Exército.
— Trabalhamos com duas hipóteses: a investigada guardava para economizar o frete para uma outra vez que necessitasse de explosivo ou então para fazer alguma explosão não licenciada.
Além dos artefatos, foram apreendidos celulares e documentos. Os explosivos estavam em um galpão anexo da empresa dentro de um caminhão. Dois homens responsáveis pela empresa foram presos. Em depoimento, ficaram em silêncio.
— Era uma sobra de explosivo bem grande. Vamos analisar documentos e celulares e intimá-los novamente para serem ouvidos mais adiante.
Os crimes em investigação são posse de explosivos sem autorização, enquadrado dentro do Estatuto do Desarmamento, e armazenamento de produto perigoso sem formalidade, crime ambiental. Como a polícia já contava com a possibilidade de localizar explosivos, contatou o Exército para acompanhá-la no cumprimento do mandado de busca na terraplanagem. Todo manuseio de artefatos cabe ao Exército. Por não terem treinamento, policiais civis não tocam em explosivos.
— Tomamos a precaução de já chegar no local com o Exército e o manuseio, procedimento e destinação foi todo com eles — explica a delegada.
GZH/montedo.com

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