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Paulo Chagas*
Caros amigos,
A maioria dos militares reformados e ainda em reserva desempenharam sem máculas as suas funções militares e sempre foram companheiros sérios, agradáveis e divertidos, como é e deve ser a vida de Soldado.
Hoje, contradizendo a cultura adquirida em mais de 30 anos de caserna, uma parte está contaminada pela mitomania e pelo culto à personalidade de um homem cuja cultura, militar e acadêmica, não ultrapassa o nível da sola dos seus sapatos e cujo comprometimento com o Brasil fica a léguas de distância do juramento de vida e morte que fielmente tem sido cumprido por eles.
Jair Bolsonaro, a quem eles parecem idolatrar e que tratam como o “Salvador da Pátria” (como se isso existisse), é a antítese do Soldado, um homem que sente prazer em ser o indutor da indisciplina nas instituições que a têm como alicerce das suas missões e da sua própria existência.
Disciplina e hierarquia são coisas que Bolsonaro, quando em seu curto tempo no serviço ativo ou mesmo fora dele, nunca respeitou devidamente ou entendeu a importância.
Fiz campanha para elegê-lo, defendi-o em todas as oportunidades que tive e, consequentemente, guardo na consciência o peso do erro de ter acreditado que os bons homens que o acompanharam e o orientaram na formação da melhor parte do seu ministério e na formulação do seu “protocolo de intenções” seriam capazes de controlá-lo e de orientá-lo durante o governo, em especial com relação ao saneamento moral, ético e cultural do Brasil.
Todos que pensaram e agiram como eu foram enganados (não sem aviso, confesso!). Bolsonaro foi uma ilusão da qual a parte contaminada dos militares reformados e em reserva ainda não apeou.
O desatino da mitomania é tão grande que há quem seja capaz de acusar o Gen Carlos Alberto dos Santos Cruz de ser um dos promotores da desunião e de não ser submisso a Bolsonaro, a quem tratam, prioritariamente, como o “Comandante Supremo” e não como o político que ocasionalmente ocupa a Presidência da República!
Não se dão conta de que, ao negar a Santos Cruz o direito de opinião, bem como de não ouvir e levar a sério o que ele tem a dizer, fruto da vivência próxima ao Presidente da República, estão desdenhando da verdade como cegos que não querem enxergar.
É muito triste ver militares de alto gabarito contaminados ao ponto de ter dificuldade para reconhecer os valores pessoais e profissionais de um companheiro como Santos Cruz, que os representou em combate, elevando ao máximo a imagem do Soldado e dos Chefes Militares brasileiros.
Pior ainda é assistí–los a apresentá-lo como “traidor” de um político que, fiel às características do que escolheu como meio de vida para si e para seus filhos, usou de meio ilícito, comprovado em inquérito da PF, para retirá-lo de uma função de governo.
Um político que, depois de eleito, por absoluta incompetência e por interesses pessoais e familiares, deixou de cumprir a parte do plano de governo que só a ele cabia realizar, como Presidente da República.
Vejo, no âmbito dos inativos das Forças Armadas, uma divisão provocada pela IDOLATRIA a um despreparado mal intencionado, divisa está que, aos poucos, se agrava e que em tudo agrada aos extremistas da esquerda que querem voltar ao poder.
O maniqueísmo idólatra que trava o raciocínio e venda os olhos é tamanho que são carimbados de comunistas, “comunoISENTÕES” ou até de petistas todos os que preservam o direito de pensar e se negam a incorporar à seita bolsonarista.
Pelo bem do Brasil, faço votos para que a liderança dos Chefes Militares, o compromisso exclusivo com a missão e com a democracia continuem a manter esta divisão, cega e pouco inteligente, fora dos navios, dos quartéis e das bases aéreas.
Brasil, acima de tudo e de todos!
*General da reserva, ex-candidato do governo do DF

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