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Chico Alves
Colunista do UOL

A participação do ministro da Defesa, general da reserva Walter Braga Netto, na manifestação de sábado, 15, em Brasília, em que faixas pediam intervenção militar, não foi bem recebida por muitos de seus colegas de patente. Cinco generais da reserva ouvidos pela coluna consideraram o fato como politização inadequada da pasta.
O ato foi organizado por empresários do agronegócio e lideranças evangélicas em apoio ao presidente da República. Um dos lemas dos manifestantes era a frase “eu autorizo o presidente Bolsonaro”, que representava a resposta a uma das várias ameaças do presidente de usar as Forças Armadas para atuar contra medidas restritivas de governadores e prefeitos, desde que o “povo” autorizasse.
Braga Netto circulou sorridente entre os manifestantes, esteve no palanque ao lado de Bolsonaro e chegou a usar o microfone. “O agro é a força desse país. As Forças Armadas estão para proteger os senhores”, bradou o ministro.
A seguir, as opiniões de dois entrevistados da coluna sobre o assunto: o ex-ministro da Secretaria de Governo de Bolsonaro, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, e o ex-candidato ao governo do Distrito Federal, general Paulo Chagas.

General Santos Cruz:
“Eu penso que o Ministério da Defesa tem uma posição muito especial no contexto dos ministérios e que não é conveniente a manifestação em eventos de caráter político. Claro que ministro é um cargo de natureza política, mas o ministério não pode ser politizado. E muito menos passar a ideia de politização dos seus componentes, as Forças Armadas, que são instituições de Estado e não de governo.
Forças Armadas não são instrumentos de intimidação ou de pressão política. As Forças Armadas não são ferramentas a utilizar em disputas partidárias e em projetos de poder pessoal, de grupos e de partidos políticos.
Manifestações populares de apoio ou de oposição política são normais, válidas e importantes. No entanto, qualquer atitude, seja de quem for, que passe a percepção de envolvimento das Forças Armadas, da instituição, com as manifestações (seja de apoio ou de reprovação), é nociva ao andamento institucional”.

General Paulo Chagas:
“Um absurdo, mesmo considerando que se trata de um cargo político e não militar. O ministro da Defesa não é comandante das Forças Armadas, mas Braga Netto, aparentemente, pensa que é.
Bolsonaro é o comandante supremo, mas até ele tem limites e limitações de mando. Aquela simplificação de que ‘um manda e o outro obedece’ só serve para a relação entre o Pazuello e o Bolsonaro.
Para as Forças o que vale é a legitimidade e a legalidade. Intervenção militar não é nem uma coisa nem outra”.
UOL/montedo.com

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