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Decisão marca 20º aniversário do ataque às Torres Gêmeas, mas extrapola em 4 meses prazo estipulado pelo ex-presidente Trump e o Talibã

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, vai retirar os militares americanos do Afeganistão até o dia 11 de setembro deste ano. O mandatário deve anunciar o prazo nesta quarta-feira, 14, mas a informação já foi confirmada pelo jornal The Washington Post e as emissoras CNN e CBS News.
A data alegórica marca o vigésimo aniversário dos ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono, uma série de ações suicidas coordenadas pela organização fundamentalista islâmica afegã Al-Qaeda, quando 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros.
Contudo, isso significa que Biden vai manter milhares de soldados no país para além do dia 1º de maio, prazo negociado no ano passado pelo governo de Donald Trump e o Talibã, atualmente no controle do Afeganistão. O acordo pede que, em troca da retirada americana, o grupo fundamentalista reduza a violência e se separe de grupos terroristas.
O Talibã deve romper todos os laços com a Al-Qaeda, além de iniciar negociações com o governo afegão rumo a um cessar-fogo e um acordo de paz. As conversas começaram em setembro passado, mas ainda não evoluíram e a organização chegou a aumentar seu território.
Em uma entrevista à ABC News em março passado, Biden disse que seria “difícil” cumprir o prazo de maio. Atualmente, há 3.500 soldados americanos no Afeganistão, além de mais 7.000 soldados estrangeiros na coalizão, a maioria da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Ainda não está claro como, ou se, acontecerá a retirada de militares dos países membros da Otan. A Alemanha, por exemplo, tem a segunda maior força na região, com mais de 1.000 pessoas. O secretário de Estado Antony Blinken e o secretário de Defesa Lloyd Austin estão em Bruxelas com seus homólogos da organização para articular uma saída, que, a tudo indica, deve ser coordenada com a americana.
Citando fontes próximas ao presidente, o Washington Post reportou que isso significa uma mudança de foco nas ameaças externas ao país. O Afeganistão deixa de ser prioridade, sendo substituído por outros atores, como a China e Rússia, principalmente, mas também Coreia do Norte, Irã e Iêmen.
O Talibã havia ameaçado retomar ataques terroristas na região caso as forças armadas americanas não fossem retiradas. Ainda não está claro qual será a situação no caso do afastamento gradual dos soldados proposto pelo presidente.
O grupo fundamentalista continua uma força potente na região, apesar de duas décadas de esforços dos Estados Unidos para derrotar os rebeldes e estabelecer governança. A guerra custou trilhões de dólares, além das vidas de mais de 2.000 militares americanos e pelo menos 100.000 civis afegãos.
Alguns líderes militares dos Estados Unidos e da Otan disseram que a violência ainda é muito alta para justificar uma retirada total. Também alertaram que a saída pode levar ao colapso do governo de Cabul, ao mesmo tempo em que prejudicará os prejudicando ganhos obtidos nas últimas duas décadas em saúde, educação e direitos das mulheres.
Funcionários da Casa Branca disseram que o governo Biden pretende permanecer envolvido no processo de paz e continuará fornecendo ajuda humanitária e assistência ao governo afegão e às forças de segurança, totalmente dependentes do apoio estrangeiro. Contudo, não vão mais usar o exército como “moeda de troca”.
Segundo o Post, a escolha de Biden foi dura. No geral, a opinião pública e uma parcela significativa (e bipartidária) do Congresso pressionam pela retirada, então manter os soldados pode levar a mais entraves políticos em casa e novos ataques do Talibã. Por outro lado, uma saída abrupta poderia minar conquistas das últimas décadas, reduzir a possibilidade de um acordo de paz e levar à tomada total de poder pelo grupo.
Por enquanto, os resultados de sua saída pelo meio termo – realizar uma retirada gradual – ainda são incertos. Resta esperar, já que o Talibã raramente avisa, apenas faz.
Veja/montedo.com

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