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Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
Prezados companheiros “da luta”, todas as opiniões que vou emitir o faço, devo esclarecer, ancorado nos meus direitos de cidadão brasileiro e oficial do Exército. Vou fazê-lo, enfatizo, como não podia deixar de ser, dentro dos limites irrecorríveis dos preceitos disciplinares e hierárquicos, que não cerceiam a franqueza, desde que observadas as regras da civilidade, da boa educação, mas, sobretudo, dos princípios que sempre me nortearam durante toda uma vida dedicada ao Exército de todos nós, princípios que trouxe de casa, dos quais não me esqueço do principal, de que “a disciplina militar prestante não pode preceder a lealdade e o respeito pela Instituição”.
Dito isso, devo me reportar ao final de 2009, quando, acredito, meus artigos passaram a ser publicados na imprensa de forma mais amiúde. Lembro-me que publiquei na ocasião, no “Jornal do Brasil/RJ”, a matéria ” O Impávido Colosso Indefeso”, na qual ressaltei a necessidade da nação em se armar face às ameaças sempre presentes, mesmo hoje, dos “grandes predadores militares” face aos nossos ecúmenos amazônico e marítimo. A partir daí, a aceitação por diversos jornais estaduais me animaram a continuar publicando, me dedicando, também, a uma defesa constante da Instituição, na medida em que o “Centro de Comunicação do Exército” já não o fazia, mesmo de longa data, bem antes do início da “era petista”.
Nesta era lamentável não é difícil constatar o processo de despersonificação das FFAA, e como tal do EB, um processo que começou sem grandes alardes após 1985, mas que foi ganhando força, a ponto de, nos dias de hoje, se confundir disciplina com aceitação da subserviência, de insultos e humilhações, não só pela mídia adversa como também por governanças vermelhas e politicalha desclassificada, um posicionamento sub-reptício em que a tradição, a altivez e a grandeza das Instituições Armadas deram lugar à assimilação de indignidades sem par contra a honra militar, justo o apanágio que se conquistou a custo de heroica e muita participação ao longo de toda nossa história.
Também, que não se duvide, a situação caótica no país chegou a tal ponto que o cidadão civil, novamente, passou a cobrar o posicionamento das FFAA, particularmente do EB, que, desde tempos imemoriais, sempre foi o maior guardião do porvir da pátria, quando esta perdia seu rumo. Este tipo de cobrança dividiu as opiniões, posto que alguns militares passaram a criticar a maioria dos civis porque votam mal, o que não deixa de ser uma realidade, entretanto, que se diga, para muitos de nós sempre foi motivo de orgulho o fato da cidadania enxergar o seu Exército (que não é só nosso, mas pertence, sim, à nação), como o verdadeiro e o último esteio do país. Esse orgulho, que tenho como soldado e que me foi repassado pelo meu pai, jamais vou perdê-lo, e me perdoem os de opinião contrária, só deve envaidecer os profissionais das armas.
Mas, devo enfatizar, particularmente aos nossos inimigos tradicionais de crenças e tradições, que não entendam essas correntes como uma cisão dentro da nossa Instituição na medida em que, fiéis a um único juramento, qual seja o de “defender a Pátria, se preciso for, com o sacrifício da própria vida”, este libelo nos fará esquecer todas as divergências e nos manterá unidos até a morte na hora “da luta”. Por isso mesmo, que fique bem entendido, a facção da chamada “reserva raivosa” “(quanta/ que injustiça, na medida em que não se deve confundir indignação com raiva) não poderia ser olhada como partidária do “golpe’. Um ledo engano, pois que nunca o apregoou, mas, tão somente, sempre primou pelo princípio da não aceitação de insultos, humilhações e falta de respeito, atentatórias à tradição e à honra do Exército de Caxias. Mas elas foram muitas.
Prosseguindo, as cobranças, cada vez mais intensas, em assim sendo, fizeram com que o cidadão civil, mas, particularmente alguns militares da reserva, quisessem saber do seu Exército (e isto, que se diga, sem nenhuma conotação golpista) por que razão os insultos passaram a ser engolidos por quem, por dever e direito, deveria protestar, responder a altura e fazer reverter o achincalhe? Esta postura de questionamento pelos “velhos soldados” mereceu críticas mordazes por oficiais-generais da ativa. alguns até chegaram a dizer: -” na reserva o militar fica inteligente e valente”, o que não deixa de ser uma opinião nem sempre cabível: 1º, porque é legal sua livre manifestação sobre assuntos de interesse geral, inclusive os de natureza militar; 2º, porque antes de generalizar a crítica, convém lembrar, muitos passaram à reserva justamente por terem primado sempre pela franqueza e coragem moral, e, 3º, porque a liderança pressupõe a submissão total à consciência, juíza perene de todos os atos, e não aos cargos e funções de passagem eminentemente efêmera.
Eis que, para o bem da Pátria Brasileira uma governança comunopetista acabaria de ser legalmente afastada, e isto sem nenhuma tomada de posição por parte das FFAA, a não ser, com muita razão, pela sua declarada postura de manutenção da observância irrestrita dos pressupostos de um regime democrático. Esse protagonismo autêntico, correto, com base na legalidade, absolutamente constitucional, sem nenhum desvio de legitimidade, entretanto, poderia ser evidenciado sem que fosse preciso a aceitação passiva, a assimilação anestesiada, sem nenhum protesto, sem a menor demonstração de indignação, durante esses ’14” quatorze anos de “era petista”, pela campanha revanchista desencadeada, tanto pela mídia adversa, mas, também, por governança comunopetista e politicalha absolutamente divorciadas do bem comum, sempre na contra mão da boa gestão da coisa pública.
Que se diga, o Exército, assim como as demais forças irmãs, até ontem, continuavam mantidas absolutamente sem nenhum protagonismo na condução de questões vitais para o porvir do povo brasileiro, assistindo de camarote: 1) a evolução acelerada de um separatismo indígena, fomentado por interesses alienígenas/pressões internacionais; 2) os governos, para variar, só se reportando à mesmice do trinômio economia/saúde educação; 3) a políticos que não estavam nem aí para a Defesa, para “eles” um “ministériozinho” que era entregue a civis que não entendiam nada do riscado, assessorados por profissionais das armas que já se acostumaram a (com todas as honras e sinais de respeito, mas vou dizê-lo por uma questão de franqueza e lealdade) não exigir o que precisam nossas FFAA, preferindo pedir com o “pires na mão”, fato incontestável na medida em que é sempre divulgado pelas TV que cobrem as casas congressuais, quando da reunião de suas respectivas comissões de defesa nacional!); 3) a proposição do PNDH3, de ratificação da declaração dos direitos dos povos indígenas, reconhecendo a existência de 608 nações apátridas, corroendo a nação brasileira; 4) a devassa da sede do Comando Militar da Amazonia por militares integrantes de FFAA pertencentes aos países membros permanentes do CDS/ONU, oficiais e sargentos sabidos integrantes das forças especiais/FE de notórios “grandes predadores militares”; 5) a indigência atual da Força Terrestre, sem que fosse exigida reverter sua situação caótica pela participação maior no “PIB”, haja vista os seguidos/continuados/permanentes cortes nos recursos e o temerário prazo a perder de vista na implantação de longevos projetos estratégicos, estes sem nenhuma prioridade de execução em face das reais necessidades para se atingir, no mais curto prazo, a capacidade de dissuasão extra regional; 6) o permanente aviltamento do nível salarial nos soldos de nossos filhos e netos que vestem farda, se comparado com os de muitos políticos “probos” que continuam mamando (mesmo os da atual governança), um parlamento que mais parece um circo de incapazes; 7) o processo continuado de gendarmerização dos contingentes preconizado pelo “Consenso de Washington”, preterindo as marciais manobras no nível divisão de exército e comando militar de área, privilegiando o papel de guarda territorial em operações eminentemente policialescas, estas que deveriam ficar a cargo da “Força Nacional” 8) a versão da politicalha em geral, não só de comunopetistas, volta e meia repetida, de que o resfolegar de um “nefasto Exército de ontem” dera lugar ao “Exército politicamente correto de hoje”.
E o “trabalho de sapa” para diminuir o valor do protagonismo das FFAA na vida da nação, que ninguém duvide, vicejou sem nenhum contraditório por aqueles de dever e direito, que deixaram de se contrapor à campanha deletéria de nossos inimigos tradicionais. o “Centro de Comunicação Social do Exército/CCOMSEX”, e seus congêneres das forças irmãs, não estavam nem aí para rebater os vitupérios revanchistas, chegando ao ponto de o “CCOMSEX” solicitar a manifestação de companheiros da reserva para se contraporem a uma matéria divulgada pela mídia criticando a nossa “FEB” (pedido que me foi repassado por um oficial-general da reserva). Medo do que? Temor de perder o que? Afinal de contas, para que serviria este centro se não defende a Força quando ela mais precisa? Seria apenas para manter mais uma vaga no universo das promoções? Não, não posso acreditar no receio de ferir suscetibilidades, fosse no governo petista fosse no governo Temmer. Aliás, me recuso a acreditar nesta possibilidade.

Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever
de se oporem a agitadores e terroristas, de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia.”
Walter Pires de Carvalho e Albuquerque
Ministro do Exército

E não faltaram oportunidades para que o “CCOMSEX” manifestasse o seu protesto em nome da força, tanto nos mandatos de Lula como nos de Dilma: a “placa na AMAN”, que continua enxovalhando a competência, a perícia, a responsabilidade e o espírito profissional dos instrutores e monitores de nossa Academia Militar; o “escracho dos velhos soldados” na entrada do Clube Militar/RJ, deixados sem nenhuma proteção pela tropa federal (o meu irmão mesmo levou um cusparada no pescoço) no fatídico “29 de março de 2012”; a “comissão da meia verdade”, aberta pelos detratores das FFAA, e isto sem uma instalação concomitante de comissão contraditória pelas Instituições Armadas, que, salvo melhor juízo, abriram mão ou desistiram (seria vergonha? sentimento de culpa? arrependimento? medo de ferir suscetibilidades de políticos desclassificados?), deixando para que “outros” contem esta parte de sua história; as “ordens do dia comemorativas”, de todas as Instituições Militares, lançando um véu de esquecimento (mas esquecer também é trair!), uma assunção de postura amedrontada sobre os acontecimentos sangrentos ocorridos em “1935” e, a partir de ‘1964″, até o final dos anos “70”, que deixaram de ser enaltecidos; a “invasão violenta do 1º BPE-Batalhão Marechal Zenóbio da Costa” por notórios comunopetistas, fartamente coberta pela imprensa, mas que se dá sem nenhum apoio pelo “CML” ao comando da unidade; a “inauguração do busto de Rubens Paiva”, peitando agressivo as ameias desta unidade até os dias de hoje (por que até agora ainda não foi inaugurado, com cobertura pelo CCOMSEX, um busto homenageando o nosso Major Martinez?); a “Escola Carlos Mariguella”;a defenestração do nome respeitado do probo General Médici que emoldurava a entrada daquele educandário; a “derrubada do busto do Presidente Costa e Silva” no Rio Grande do Sul; a proibição da comemoração do dia “31 de Março” nos quartéis, aceita de forma subserviente em contraste com a estória mal contada por todos os meios de comunicação existentes na mídia quando do aniversário da efeméride, deglutida por chefes sem nenhuma consideração ao sentimento e à memória dos militares e civis tombados nas guerrilhas urbana e rural vivenciadas durante a “luta armada”.
Nesta era nefanda contribuiu também para desgaste da Força Terrestre a demora injustificada da “cassação da Medalha do Pacificador”, ostentada há muito por notórios gatunos condenados, uma aspiração pelos portadores da comenda que provocou inclusive uma devolução em protesto, sem dúvida uma sangria no brio de “velhos soldados” agraciados, que precisou mesmo da intervenção da instância superior para ser redimida.
Mas eis que, como se diz “para salvar a Pátria”, em “31 de março de 2015”, numa demonstração de que não se perdeu de todo o brio, o então comandante do “CMS” determina o desfile de sua tropa em comemoração ao aniversário da “Revolução de 1964” e posteriormente a homenagem ao finado Coronel Ustra, autêntico veterano de guerra, na guarnição de Santa Maria/RS, fatos que acabaram levando ao seu afastamento do exercício daquele grande comando, quando foi pública a pressão, para variar de um senador, ex assaltante de trens no protagonismo da luta armada. Como todos tomaram conhecimento, este fato foi lamentado por todo o Exército Brasileiro. Sim, os dias se avizinham sinistros com a vil acochambração judicial concedida a Luiz inácio Lula da Silva. Que seja dito então, se faz preciso fazer ouvir de novo, mais uma vez, a voz do “grande mudo verde oliva”.
* Coronel de infantaria e Estado-Maior

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