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Thaís Augusto e Natália Lázaro
Do UOL, em São Paulo e em Brasília

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, admitiu que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretende reformular a pasta e que pode deixar o cargo a “curto, médio ou longo prazo”. Em coletiva de imprensa, ele afirmou que seguirá com os trabalhos até que o Executivo oficialize a decisão.
“Um dia sim [deixar o cargo], pode ser curto, médio ou a longo prazo. O presidente está na tratativa de reorganizar o ministério. Enquanto isso não for definido, vida segue normal”, disse. “Eu não vou pedir pra ir embora, não é da minha característica”.
Pazuello também negou estar com problemas de saúde —informação divulgada anteriormente. “Eu não estou doente, eu não pedi pra sair e nenhum de nós no nosso executivo está com problema algum. Nós estamos trabalhando focados na missão. Quando o presidente tomar sua decisão, faremos uma transição correta como manda o figurino”, seguiu.
Questionado pelos jornalistas, ele foi claro na intenção de retirada do cargo pelo Planalto: “O presidente sim está pensando na substituição, está pensando em nomes”, disse, ao contar que conversou com ele e a médica Ludmila, que foi convidada a assumir a pasta, mas negou a proposta.
Ontem, fontes do Ministério da Saúde informaram ao UOL que Pazuello pediu demissão do cargo.
Pazuello vem sofrendo o desgaste causado pelo pior momento da pandemia no país, com o colapso nos sistemas de saúde de vários estados, recordes seguidos de mortes diárias e cronograma incerto da chegada de vacinas. Segundo apuração do UOL, Bolsonaro não queria fazer a troca na pasta, mas vem sendo pressionado por parlamentares do centrão e auxiliares.
Apesar de Pazuello receber o apoio de Bolsonaro, nem sempre foi assim. Em outubro do ano passado, ele foi publicamente desautorizado pelo presidente depois de anunciar protocolo de compra para 46 milhões de doses da CoronaVac, o que gerou crise dentro do Ministério da Saúde.
A decisão de Pazuello irritou Bolsonaro, que anunciou que o governo não compraria a vacina e chegou a dizer que o medicamento não transmite segurança “pela sua origem”. Dias depois, em live, Pazuello minimizou a crise dizendo que “um manda, outro obedece”.
UOL/montedo.com

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