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Ricardo Marchesan
Do UOL, em São Paulo

A fila de pedidos aguardando análise do INSS diminuiu apenas 2,4% nos seis primeiros meses da atuação de mais de 2.500 aposentados e militares inativos, contratados temporariamente para reforçar o atendimento e reduzir a espera.
Em março do ano passado, 1,282 milhão de requerimentos dependiam da análise do instituto, segundo o boletim estatístico da Previdência Social. Em novembro, dado do boletim mais recente, a fila caiu pouco, para 1,251 milhão. Além disso, menos pedidos foram analisados e o tempo médio de resposta subiu durante o período de atuação dos novos contratados. O custo adicional desse pessoal foi de mais de R$ 3 milhões por mês.
Os temporários contratados começaram a trabalhar em junho do ano passado, mas o último dado disponível sobre a fila antes disso é de março. Nos boletins de abril e maio do ano passado, o tamanho da fila não foi informado.
Esses dados são referentes apenas a pedidos que aguardam a análise do INSS.
Se forem incluídos os pedidos “em exigência”, que aguardam que o segurado apresente alguma documentação complementar para ter uma resposta, a fila aumentou. Foi de 1,8 milhão, em março, para 1,92 milhão, em novembro.

INSS falou em zerar fila até outubro
O presidente do INSS, Leonardo Rolim, chegou a afirmar em abril que esperava zerar até outubro do ano passado a fila de pedidos com espera superior a 45 dias. Esse é o período máximo previsto em lei para que haja uma resposta.
Em novembro, porém, de 1,251 milhão na fila, 605 mil estavam acima desse prazo.
Em entrevista ao UOL, em abril, Rolim afirmou que o fechamento das agências do INSS por causa da pandemia aceleraria as análises.
Teremos muito mais gente em análise do que tinha antes. Parte das pessoas que estavam em atendimento estão analisando benefício. Espero zerar a fila mais rápido
Leonardo Rolim, presidente do INSS

Total de pedidos analisados caiu em um ano
O número de pedidos analisados, somando os aprovados e os negados, durante os meses de atuação dos temporários foi menor do que o do mesmo período do ano anterior.
Entre junho e novembro de 2020, foram analisados 4,95 milhões de pedidos, contra 5,09 milhões nos mesmos meses de 2019.

Tempo de espera caiu, mas depois subiu
O tempo médio de espera por uma resposta do INSS também teve alta no período de atuação da força-tarefa. Ele caiu em quase todos os seis primeiros meses de 2020, passando de 78 dias, em janeiro, para 45 dias, em junho.
Em julho atingiu seu menor nível no ano: 39 dias. Depois, porém, voltou a subir, chegando a 66 dias, em novembro.

INSS contratou menos do que previa
O governo anunciou em janeiro que iria contratar militares e aposentados para tentar diminuir a fila de pedidos. No edital da seleção, publicado no final de abril, eram mais de 7.000 vagas.
Ao todo, porém, foram contratados 2.574 temporários —sendo 942 militares inativos, 473 aposentados de carreira do seguro social e mais 1.159 servidores aposentados de outras carreiras do funcionalismo federal.
Em nota, o INSS afirma que o número menor de contratações foi por causa da pandemia, mas não dá maiores detalhes.

Maioria dos temporários não faz análise
Desses temporários contratados, porém, apenas os aposentados do seguro social podem trabalhar na análise dos pedidos.
Os demais atuam em outras áreas, de apoio operacional e atendimento, com o objetivo de liberar trabalhadores de carreira do INSS para as análises.
Mas essa transferência só aconteceu agora em janeiro, “após a realização de oficinas com os gestores das cinco superintendências regionais, em dezembro”, de acordo com o INSS. Com isso, o número de servidores que fazem análise de requerimentos passou de 5.618 para 7.490.
Ou seja, entre junho e dezembro, a quantidade de trabalhadores que faziam análise dos pedidos não teve um aumento tão grande. “Portanto, os resultados positivos se refletirão na análise de requerimentos a partir dos próximos meses, com a redução do estoque [de pedidos]”, diz o INSS.
O gasto médio mensal com os pagamentos aos temporários, segundo o INSS, foi de R$ 3,066 milhões, entre junho e dezembro. Leia mais.
UOL/montedo.com

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