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No Norte, ao menos 6 municípios sofrem com falta de oxigênio, e Exército articula entrega de insumos

Julia Chaib
BRASÍLIA

Integrantes do Ministério da Defesa estão alarmados com a situação de cidades do interior do Pará e do Amazonas. Municípios dos dois estados têm enfretado falta de oxigênio para pacientes com Covid-19.
O aumento de casos graves em regiões de difícil acesso mobilizou militares. Nesse cenário, aliados do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, passaram a cobrar o Ministério da Saúde para garantir insumo e vacina nas localidades.
Em Manaus, pacientes morreram por falta de oxigênio nas unidades de saúde. Pacientes tiveram de ser transferidos para outros estados.
Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, sete pessoas que estavam internadas no Hospital Regional de Coari (AM) morreram na manhã de terça-feira (19) também por falta de oxigênio.​ Esta é uma das cidades que preocupam a Defesa.
Além de Coari, militares acompanham de perto os casos em Manacapuru, Nhamundá, Itacoatiara e Parintins, todas no Amazonas. No Pará, o alerta acendeu em relação às cidades de Oriximiná e Faro.
O receio é que a nova cepa do coronavírus registrada em Manaus se espalhe por outras regiões. Complica o atendimento o fato de municípios na Amazonônia serem de difícil acesso.
Fardados temem que uma nova onda de Covid-19 sobrecarregue o sistema de saúde. Os municípios no interior contam com pouca estrutura e teriam de encaminhar pacientes às capitais, que já estão sobrecarregadas.
O MPF ( Ministério Público Federal) no Amazonas já identificou problemas de estoque crítico de oxigênio em Coari, Parintins, Itacoatiara e Tabatinga.
Os militares ficaram alarmados na mesma semana em que a juíza Jaiza Maria Fraxe, titular da 1ª Vara Federal Cível no Amazonas, determinou que os governos federal e estadual fizessem a imediata distribuição do insumo ao interior do estado.
Como mostrou a Folha nesta semana, a magistrada também decidiu na segunda-feira (18) que o Poder Executivo deve fornecer oxigênio a pacientes tratados em casa, especialmente crianças.
Integrantes da Defesa dizem que haviam percebido a gravidade da situação nesses municípios antes da ordem da juíza diante de relatórios de membros do Comando do Norte. O Exército tem fardados espalhados nessas cidades. Além disso, houve também pedido de socorro de prefeitos.
O Ministério da Saúde, comandado pelo general da ativa Eduardo Pazuello, se mobilizou para garantir a entrega de oxigênio a Manaus, após pedido do governo estadual. A pasta solicitou suporte de aviões da FAB (Força Aérea Brasileira).
A situação crítica nas pequenas cidades fez com que a própria Defesa procurasse a Saúde e articulasse ajuda.
Segundo militares, entre terça (19) e quarta (20), vários aviões desembarcaram em municípios levando oxigênio, EPIs (equipamentos de proteção individual) e vacina. Em algumas cidades, o transporte é feito em lanchas, pois o acesso é fluvial.
Na decisão de segunda, a juíza Jaiza Maria também determinou que, em cinco dias, União e estados devem apresentar um plano de vacinação da população. Em seguida, precisam dar início a uma campanha de imunização.
Como mostrou a Folha na terça, as cidades identificadas pela Defesa, que ficam no oeste do Pará, passaram a registrar escassez de oxigênio em unidades de saúde em meio ao aumento de casos de Covid-19. Os municípios fazem divisa com o Amazonas.
Na cidade de Faro (920 km de Belém), seis pessoas, duas delas da mesma família, morreram nesta semana em unidades de saúde com falta de oxigênio, escassez de leitos e medicamentos.
Apenas na comunidade Nova Maracanã, 34 pacientes estão hospitalizados, de acordo com a prefeitura. A cidade tem 12 mil habitantes.
O prefeito de Faro, Paulo Carvalho (PSD), afirmou à Folha que o sistema público de saúde da região vive um colapso. “Os prefeitos vão se ajudando, quem está com oxigênio arruma para um, troca. O governo do estado tem disponibilizado aviões, mas a logística é muito delicada”, disse.
A prefeitura recebeu 20 novos cilindros com oxigênio. O produto, no entanto, duraria até, no máximo, esta quarta-feira.
Também no Baixo Amazonas, o prefeito de Oriximiná, William Fonseca (PRTB), contou ao jornal que o município precisa de ajuda principalmente com o transporte de insumos. As distâncias são o principal desafio do ponto de vista logístico.
Até o momento, a Secretaria de Saúde de Oriximiná não encontrou a variante P1, cepa da Covid-19 identificada em Manaus por pesquisadores, entre os novos casos registrados na cidade. Leia mais.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

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