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Chico Alves
Colunista do UOL

O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz é um observador atento das questões de segurança de Estado ao redor do mundo – cumpriu missões importantes no Congo e no Haiti, além de ter estudado no Army War College, nos Estados Unidos. Nessa condição, o ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro falou à coluna sobre a invasão do Capitólio por parte de apoiadores de Donald Trump.
Para Santos Cruz, o episódio era algo esperado, diante da divisão da sociedade americana. A mistura de extremismo, irresponsabilidade das autoridades e radicalismo sempre leva a isso, acredita o general.
Para evitar que fatos semelhantes ocorram no Brasil, ele sugere algumas providências para impedir a manipulação da população:

UOL – Como o sr. viu a invasão do Capitólio por grupos apoiadores de Donald Trump?
Santos Cruz – As imagens de violência que se vê sobre a reação dos eleitores do candidato que perdeu a eleição nos Estados Unidos é o final previsto do processo de qualquer sociedade dividida. O fanatismo, o radicalismo, a irresponsabilidade de autoridades e de grupos extremistas sempre conduz a esse final.
Se autoridades e cidadãos que estimulam a divisão social, a violência, ações criminosas e desrespeito às pessoas e às instituições não forem responsabilizados de acordo com a lei, esse é o desfecho previsível.
Mas as instituições são sólidas e irão prevalecer.

Muitos desses elementos são familiares aos brasileiros. O sr. acredita que algo assim pode acontecer aqui?
Para que não ocorram fatos semelhantes é preciso responsabilizar, de acordo com a lei, autoridades, pessoas e grupos, que tentem manipular a população através de ações ilegais, criminosas e que estimulem o descrédito nas instituições.
Uma medida prática é incluir a impressão do voto nas eleições, aperfeiçoando o processo e eliminando a possibilidade de proselitismo e demagogia contra o modelo.

Mas nos Estados Unidos o voto é impresso e isso não impediu a confusão.
Contra o fanatismo não tem remédio. O fanatismo é a negação da racionalidade.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
UOL/montedo.com

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