Governo aguarda início da vacinação contra covid-19 para demitir Pazuello

Bolsonaro em visita a Pazuello no hospital

Thaís Oyama
Colunista do UOL

O governo aguarda apenas o início da vacinação contra o coronavírus para sacar o general Eduardo Pazuello do ministério da Saúde. Pazuello deve ser substituído pelo atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP), que já ocupou a pasta no governo Michel Temer.
O general que entrou coberto de louros por sua atuação na Operação Acolhida, de atendimento aos refugiados venezuelanos em Roraima, passa seus últimos dias como ministro sob uma saraivada de pedras — vindas, inclusive, do Palácio do Planalto.
Lá, assessores próximos do presidente mostram-se inclementes para com o general. Na visão desses assessores, Bolsonaro atrapalhou o trabalho do ministério no combate à pandemia em vários momentos, como quando obrigou Pazuello a recuar no acordo de compra da Coronavac, por exemplo, mas não proibiu o general de apresentar um bom plano de vacinação.
O erro de apostar numa só vacina, ao contrário do que fizeram quase todos os vizinhos do Brasil da América Latina, foi o primeiro dos muitos maus passos dados pelo ministério nessa fase da pandemia.
Antes, porém, o general já havia sido pego de calças curtas em episódios de gritante incompetência, como o dos quase 7 milhões de testes para diagnóstico do coronavírus flagrados pelo jornal O Estado de S. Paulo à beira do vencimento num galpão em Guarulhos (o caso foi “resolvido” com a prorrogação da validade dos testes, autorizada pela Anvisa, por quatro meses) e o das 20 milhões de máscaras cirúrgicas adquiridas pelo governo em março — das quais apenas 3 milhões tinham chegado ao seu destino até setembro, segundo o Tribunal de Contas da União.

O fracasso na compra das seringas
Agora, vexame dos vexames, o pregão eletrônico para compra de agulhas e seringas, tardiamente realizado pelo ministério da Saúde, resulta em retumbante fracasso.
Das 331 milhões unidades necessárias, o governo conseguiu comprar até agora apenas 7,9 milhões.
Motivo principal: erro de cálculo. Alguns dos preços estimados pelo ministério chegaram a ficar 70% abaixo do mínimo pedido pelos fabricantes. Ao desprezar regras elementares como a da oferta e demanda, e a de que quem chega por último paga mais caro, o ministério da Saúde viu os fornecedores virarem-lhe as costas – e ficou falando sozinho.
Quando recebeu a visita de consolação de Bolsonaro logo depois de ter sido por ele desautorizado no episódio do cancelamento da compra da Coronavac, Pazuello, rindo amarelo, afirmou: “Senhores, é simples assim: um manda e outro obedece”.
O vergonhoso caso das seringas mostra que o hoje quase ex-ministro errou muito e errou feio, mas não foi só por obedecer demais.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
UOL/montedo.com

Respostas de 2

  1. Melhor que esses que passaram pela pasta, tá fazendo um bom trabalho, caladinho sem mídia. Os demônios da discordia, que tentam jogar uns contra os outros, pra obterem êxitos com falsas previsões.

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