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Marina Amaral é colorista profissional e postou a imagem de Thomas Garahan no Twitter; horas depois, Frank Garahan entrou em contato com ela para contar a história do pai

Lucas França
É por meio da cor que a artista brasileira Marina Amaral liga passado e presente. O foco do trabalho dela é revitalizar imagens antigas. No semana passada, Marina publicou em seu perfil no Twitter a coloração de uma fotografia do capitão Thomas H. Garahan, da Companhia E do Exército dos EUA, ao levantar a bandeira do país em Bitche, na França, em 1945, num anúncio da liberação da cidade da investida nazista. A publicação alcançou Frank Garahan, filho de Thomas, que procurou Marina.


“Eu nem soube como reagir. Tive alguns segundos de choque, que logo se transformou em alegria. Episódios parecidos já aconteceram outras vezes, mas encontrar o filho do Tom teve um significado especial. Estamos em contato desde a primeira mensagem, e a oportunidade de saber mais sobre ele, a família, as experiências de guerra, assim como a experiência do próprio Frank (o filho) vivendo e revivendo as memórias do pai tem sido emocionante”, disse a artista a Época.
Marina explica que recebeu essa foto em 2016 de um amigo também colorista chamado Doug Banks. Desde então, a artista posta a imagem nas redes sociais anualmente. Em seu trabalho, ela conta, a expectativa é de criar “pontes”.
“O que eu faço é simplesmente uma tentativa de criar uma ponte direta entre presente e passado. Não é uma tentativa de substituir a foto original em seu valor histórico, ou de criar uma versão esteticamente ‘melhor’ ou ‘mais bonita’ do que a foto original. É uma tentativa de dar espaço a sentimentos que talvez não se manifestem quando vemos uma foto em preto e branco, justamente pela noção de distância no tempo que é transmitida pela ausência das cores”, explica.
Após o primeiro contato com Frank, Marina e ele passaram a trocar mensagens e a artista mergulhou na história. O homem conta em um site feito para manter a história do pai e dos companheiros de guerra viva, que a exibição da bandeira norteamericana foi feita em 16 de março de 1945, na parte da manhã. A população de Bitche se agitou com a possibilidade de uma libertação e um dos primeiros a saudar as tropas foi George Oblinger, proprietário de um albergue.
Ele trouxe a bandeira americana, que sua esposa Maria havia criado secretamente, e a apresentou ao capitão Thomas H. Garahan. O militar subiu com alguns amigos até o segundo andar de uma loja e acenou com a bandeira. No local havia um fotógrafo correspondente de guerra da Signal Corps Photo, que registrou o momento.

Tanque M7 na França, em 1944, é outra foto que Marina coloriu ao longo dos anos Foto: Marina Amaral

Marina começou a colorir fotos por caso, quando encontrou, em 2015, uma coleção de fotos da Segunda Guerra Mundial em um fórum de história. Ao descobrir que as fotos foram colorizadas digitalmente, ficou “encantada”. A artista relembra que jáá tinha familiaridade com o Photoshop, programa de edição e manipulação de imagens digitais, e sempre foi apaixonada por história.
“Então, minha curiosidade e meu interesse surgiram naturalmente a partir dali. Desde aquele dia, nunca mais parei de praticar. Mas jamais imaginei que isso se transformaria na minha profissão”, conta Marina, que ainda acrescenta que todo o processo de colorização é feito de forma manual, assim como a pesquisa que o antecede. É como se fosse, ela brinca, “um livro de colorir gigante”.
“Cada foto passa por um processo de análise para que eu ou os historiadores que me auxiliam sejamos capazes de identificar o maior número possível de itens específicos, e assim reproduzir suas cores originais. Essas cores originais também são descobertas através de pesquisa, uma vez que não existe nenhuma informação escondida na escala de cinzas que possa me indicar qual cor usar em cada parte da imagem. Só depois que esse estágio se encerra é que eu inicio a colorização em si, munida de toda essa informação e referências visuais”, fala. Leia mais.
ÉPOCA/montedo.com

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