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4 de dezembro: 40 anos de formação da Turma Centenário da morte de Caxias.

Bom Retiro (RS) – dezembro de 2018
Ricardo Montedo
Parece que foi um dia desses… pois não é que lá se vão quarenta anos???
Numa manhã quente de janeiro, beijei meus pais, virei as costas para não ver as lágrimas de minha mãe, deixei pra sempre meu lar no Itaqui e me larguei no mundo.
E lá se foi o piá de Bagé, criado na costa do Uruguai nadando com a gurizada, pescando jundiás e espichando o olho pra uma ou outra correntina bonita.
E lá se foi o guri, coração apertado, enquanto o ônibus da Pluma (linha Buenos Aires – Rio) devorava quilômetros aos milhares, riscando o Brasil.
E, de repente, eis o guri entre os pilares da Estação Tietê, impressionado com o tamanhão de São Paulo; e dali para o sul das Minas Gerais, para a terra de Pelé, para adentrar a um portão onde estava escrito: “ESA”!
Pois é…. lá se vão quarenta anos. Dez meses depois, quando saí por aquele portão, eu ainda conservava algumas espinhas no rosto mas – definitivamente! – não era mais um guri.
As divisas no uniforme testemunhavam a aprovação num disputado concurso, as horas de estudo varando madrugadas, as provas, os limites testados ao máximo.
Mais do que recompensa, aquelas três tiras no braço eram o atestado do esforço, do suor, das noites em claro, da fome, da chuva gelada, do sono e do frio.
Elas falavam muito da saudade de casa, mas também de amizades forjadas entre os muros da velha Escola, de laços criados pela convivência, pela camaradagem, pelo sentimento de pertencimento que ressurge cada vez que abraço um colega de turma e exclamo: OITENTA!!!
Eu sou Sargento do Exército Brasileiro, sou da Arma de Cavalaria, sou formado na Escola de Sargentos das Armas, eu sou de Oitenta!
E lá se vão quarenta anos.
Valeu a pena.

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