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Execuções ocorreram entre 2005 e 2016, e envolviam também um suposto ritual de iniciação para jovens soldados

O Globo e agências internacionais
SYDNEY — As forças especiais de elite da Austrália “mataram ilegalmente” 39 civis e prisioneiros afegãos entre 2005 e 2016, apontou um relatório divulgado nesta quinta-feira. Algumas das execuções envolviam jovens soldados que recebiam ordens de superiores, em um suposto ritual de iniciação para “sangrá-los” antes do combate. A principal autoridade militar da Austrália, o general Angus Campbell, admitiu que existem provas críveis dos crimes cometidos.
“Há informações confiáveis de que foi requerido a jovens soldados por seus comandantes de patrulha a atirar em um prisioneiro, com o objetivo de o soldado conseguir a primeira morte, em uma prática conhecida como ‘sangramento'”, diz o relatório.
Detalhando as conclusões da investigação sobre a conduta das forças especiais no Afeganistão entre 2005 e 2016, Campbell disse que 25 militares estavam envolvidos nos assassinatos, que ocorreram em 23 incidentes separados. Todas essas mortes aconteceram fora do “calor da batalha”, disse o general.
— Essas descobertas apontam para as violações mais sérias da conduta militar e dos valores profissionais — afirmou Campbell, em Canberra. — A matança ilegal de civis e prisioneiros nunca é aceitável.
A maioria dos mortos, fazendeiros e outros moradores locais, haviam sido capturados — portanto, protegidos sob as leis internacionais — e depois mortos.
Campbell disse que os nomes de 19 atuais e ex-militares serão encaminhados a um investigador especial, que será escolhido em breve, para que seja determinado se há provas suficientes para processá-los.
A investigação de quatro anos foi conduzida pelo juiz estadual de Nova Gales do Sul, Paul Brereton, que fora nomeado pelo Inspetor-Geral da Defesa em 2016 para apurar rumores de crimes de guerra no Afeganistão entre 2003 e 2016.
Durante o processo, foram examinados mais de 20 mil documentos e 25 mil imagens, além de 423 testemunhas terem sido entrevistadas sob juramento.
O documento afirma também que após a morte das vítimas os supostos responsáveis montavam uma cena de luta, plantando armas e outros equipamentos, para justificar a ação.
O relatório ainda recomendou que o governo australiano deveria compensar as famílias das vítimas, mesmo sem haver um processo.
A divulgação da investigação foi feita após o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, ter conversado com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani.
“O primeiro-ministro da Austrália expressou sua profunda tristeza pela má conduta de algumas tropas australianas no Afeganistão”, escreveu a conta do gabinete de Ghani no Twitter.
A Austrália mantém tropas no Afeganistão desde 2002, como parte da coalizão liderada pelos EUA que luta contra o Talibã. Atualmente, o país tem cerca de 1.500 soldados no país.
O GLOBO/montedo.com

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