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Governo azeri acusa Armênia pelo ataque em Ganja, que deixou ainda mais de 50 feridos. Episódio de violência ocorre após a escalada da tensão entre os dois países por causa da disputa pelo território de Nagorno-Karabakh.

G1
O governo do Azerbaijão informou neste sábado (17) que 13 civis foram mortos e mais de 50 ficaram feridos na cidade de Ganja, a segunda maior do país, em um bombardeio atribuído à Armênia. Segundo o Azerbaijão, dois projéteis atingiram edifícios residenciais. O governo armênio não se manifestou.
Jornalistas da agência de notícias AFP flagraram um prédio destruído pelo míssil. Por volta das 3h, vizinhos fugiam da área aos prantos, alguns de pijama.
“Estávamos dormindo. As crianças estavam vendo TV”, contou Rubaba Zhafarova, de 65 anos, em frente à sua residência, destruída. “Todas as casas dos arredores foram destruídas. Muita gente está sob escombros. Alguns estão mortos.”
Dezenas de socorristas trabalhavam no local em busca de sobreviventes. Segundo moradores, mais de 20 pessoas viviam na área atingida. Um vizinho disse ter visto um menino, duas mulheres e quatro homens serem retirados dos escombros.

Soldados vasculham área bombardeada na cidade de Ganja neste sábado (17) — Foto: Umit Bektas/Reuters

Hikmat Hajiyev, conselheiro do presidente azeri, Ilham Aliyev, informou no Twitter que, “segundo as primeiras informações, mais de 20 residências foram destruídas”.
Uma autoridade do Azerbaijão afirmou que um segundo míssil atingiu uma área industrial de Ganja ao mesmo tempo, mas não deu detalhes. A cidade, de mais de 300 mil habitantes, foi atingida no último domingo por outro míssil, que deixou 10 mortos.
Jornalistas da AFP em Mingecevir, quarta maior cidade do país, localizada a cerca de uma hora de Ganja, afirmaram terem ouvido uma explosão que fez os imóveis tremerem por volta do mesmo horário. A cidade é protegida por uma represa com um sistema antimísseis. Não há se sabe ainda se os mísseis foram destruídos em pleno voo ou se atingiram a cidade.
O Ministério da Defesa azeri confirmou que a cidade de Mingecevir foi alvo de um ataque, sem dar maiores detalhes.

Confrontos em Nagorno-Karabakh
O bombardeio deste sábado é mais um episódio de violência após a escalada de tensão entre os dois países por causa da disputa pelo território de Nagorno-Karabakh, uma região separatista que fica no Azerbaijão, mas é de maioria étnica armênia. As duas nações estão em conflito desde o fim de setembro por causa da região, apesar do cessar-fogo que entrou em vigor no dia 10 de outubro.
Na quarta-feira (14), o Azerbaijão acusou a Armênia de tentar atacar seus oleodutos e gasodutos, alertando para uma reação “severa”. No último domingo (11), fontes oficiais do Azerbaijão acusaram a Armênia de bombardear Stepanakert, capital regional de Nagorno-Karabakh. No mesmo dia, ao menos sete pessoas morreram e 33 ficaram feridas em bombardeios em Ganja.
A região de Nagorno-Karabakh tem 140 mil habitantes, e 99% deles são armênios. Os combates entre separatistas e azeris começaram em 27 de setembro e, desde então, de acordo com contagens oficiais, o conflito já deixou mais de 300 mortos.
A região declarou independência do Azerbaijão pouco antes da queda da União Soviética. Esse movimento deflagrou uma guerra que causou 30 mil mortes e centenas de milhares de refugiados de ambos os lados na década de 1990.
Desde então, o governo do Azerbaijão acusa a Armênia de ocupar seu território e os confrontos armados são recorrentes.
Os confrontos atuais são os mais sérios desde 1994. Após quase 30 anos de impasse diplomático, o presidente do Azerbaijão, Ilham Alyev, prometeu retomar o controle deste território, inclusive à força, se necessário.
Os países se acusam mutuamente pelos conflitos deste ano, que já causaram mais de 600 mortes.
A Armênia é um país de maioria cristã, enquanto o Azerbaijão é majoritariamente muçulmano. Décadas de negociações, mediadas por potências estrangeiras, nunca alcançaram um tratado de paz.
Mas o conflito vai além da questão religiosa, ganhando contornos geopolíticos. A Turquia, que tem laços próximos com o Azerbaijão, disse que está “totalmente pronta” para ajudar seu aliado a recuperar o controle de Nagorno-Karabakh.
A Rússia, por sua vez, tem relações estáveis com ambos, mas é um importante aliado da Armênia e mantém uma base militar ali.

Mapa República de Nagorno-Karabakh — Foto: Alexandre Mauro/G1

G1/montedo.com

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